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Entre a Bigorna e o Martelo

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Massai está sendo comido pelo câncer. Meu cachorro alegre acordou sem vida. Estamos lutando. Meus filhos despertam e cantam “Desde as Estrelas”. Sou esmagado pela morte e pela vida. O mundo tem uma coisa secreta que precisamos sentir, uma vida debaixo da terra, debaixo da rocha, debaixo de tudo que você conhece. Uma vida de verdade, se conseguir senti-la, consegue mudá-la. Já faz um tempo que meu eu não é univoco. Já não tenho o privilégio de simples acusador, sou acusado, igualmente. Deixei de viver a ilusão de que a realidade é certa, de que eu sou soberano. A existência nos transcende, nos ultrapassa. Sim! Amigo leitor! Isso pode nos deixar mais inseguros, mais divididos, com mais “eus”, mas também nos deixa mais humanos. Não procuro mais eliminar opostos, ambivalências e polaridades, quero aprender a conviver criativamente com elas. Sem a sombra, que tanto falou Jung, nós permanecemos relativamente simples. Sou uma boa pessoa. Sou justo. Sou honesto. Sou feliz. A falsa pureza me deixou há muito tempo. Exijo-me a tocar o mal que está em mim, a injustiça, a corrupção e a tristeza que cá existem. Dizem que quando se toca o mal, corre-se o risco de se sucumbir a ele. A vida exige justamente “tocar” o mal que existe dentro da gente. Mas tocar a sombra não significa se render a ela. Nem mesmo tocar a luz pode nos por amarrados e presos. Significa reconhecer que a alma humana é feita de forças que nem sempre coincidem entre si. Por mais estranho que possa parecer, uma harmonia mais profunda nasce da tensão desses contrários. “O caminho para cima e o caminho para baixo são um e o mesmo”, como Heráclito já o reconheceu. A alma humana não é um bloco uniforme, nela cabe muita coisa. Inclusive os contrários, as ambivalências… Estamos sempre entre a bigorna e o martelo. E lá no sertão, a chuva, a água, a razão desse meu canto em paz.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Ministério Público MT

Acusado de assassinato contra mulher trans vai a júri

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O Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá realiza nesta terça-feira (04), às 9h, o julgamento de Junio Santos da Silva, acusado pelo assassinato da mulher trans conhecida pelo nome social Gisa (Gerardo Ribeiro Lima Junior). A sessão será realizada no Fórum de Cuiabá e contará com a atuação, pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), do promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Conforme a denúncia oferecida pelo Ministério Público, o réu responde por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de asfixia, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e a imputação da qualificadora de menosprezo ou discriminação à condição de mulher, por se tratar de crime praticado contra mulher trans em contexto de discriminação de gênero. Segundo o MPMT, na madrugada de 7 de abril de 2024, em um terreno baldio localizado na Rua Professora Tereza Lobo, no bairro Consil, em Cuiabá, Gisa foi agredida com extrema violência, sofrendo diversos golpes na cabeça e sendo posteriormente asfixiada, lesões que causaram sua morte. A denúncia sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe, mediante emprego de meio cruel e com utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima. O Ministério Público também apontou que a ação criminosa ocorreu em razão da condição de mulher transgênero da vítima, circunstância que ensejou a imputação da qualificadora de menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Ainda segundo o Ministério Público, a investigação apontou que o acusado teria reagido de forma violenta ao descobrir que Gisa era uma mulher trans, circunstância que será apreciada pelos jurados durante o julgamento. A materialidade do crime foi comprovada por laudos periciais, imagens de câmeras de segurança e demais elementos reunidos durante a investigação. Na sentença de pronúncia, a Justiça reconheceu a existência de indícios suficientes de autoria e determinou que o acusado seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri pelos crimes descritos na denúncia ministerial. O réu foi localizado e preso em novembro de 2024, no município de Matozinhos (MG), permanecendo custodiado desde então. Durante a fase de investigação, conforme registrado nos autos, ele admitiu a prática do crime em depoimento à polícia, embora tenha permanecido em silêncio durante o interrogatório judicial.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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