Neste domingo (10.5), Dia das Mães, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) reconhece e homenageia todas as militares que carregam, simultaneamente, a responsabilidade da farda e o amor incondicional de ser mãe. Em meio a tantas histórias de dedicação, bombeiras militares relatam os desafios, aprendizados e as transformações de conciliar a rotina da profissão com a maternidade.
E elas afirmam: a maternidade não diminui a força de uma bombeira. Ao contrário, fortalece ainda mais a coragem, a sensibilidade e o compromisso com o próximo. Entre as militares que vivem a dupla missão de maternar e servir está a cabo BM Camila de Souza Trevisol, de 29 anos, mãe de Maitê.
Com uma década de dedicação à corporação, construída quase inteiramente na atividade operacional, a cabo retornou há poucos meses da licença-maternidade. O reencontro com a rotina profissional veio acompanhado de um misto de emoções, adaptação e uma saudade constante da filha.
Mesmo com anos de experiência em ocorrências, ela relata que o maior desafio surgiu justamente fora do campo operacional: encontrar o equilíbrio entre a farda e a vida familiar. Nesse processo, o apoio da família, especialmente do marido, também bombeiro militar, tem sido fundamental, segundo Camila.
“Conciliar a vida profissional com os cuidados da minha filha não é fácil, e tenho certeza de que, sem o apoio do meu esposo, isso não seria possível. No começo, até conseguirmos ajustar toda a rotina, foi muito difícil. Eu chorei bastante, e minha neném também sentiu muito essa mudança, mas, aos poucos, tudo foi se encaixando, e hoje conseguimos ter uma rotina mais organizada”, afirma.
Atualmente, Camila atua na Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Praças do CBMMT, em Cuiabá, onde integra a equipe responsável pela formação de novos militares. A função exige horários distintos e intensa dedicação, o que aumenta ainda mais o desafio de manter uma presença constante na rotina familiar.
“Os principais desafios da minha rotina são justamente conseguir equilibrar todos os papéis. Preciso cuidar da minha casa, da minha família, ser mãe, esposa e profissional ao mesmo tempo. É uma rotina bastante cansativa, e muitas vezes fico exausta, mas, no final, tudo compensa, porque tenho muito amor pela minha profissão e também pela minha família”, reforça Camila.
Apesar das dificuldades, a maternidade também trouxe amadurecimento emocional e uma nova forma de organizar as prioridades da vida, segundo a cabo. De um lado, ela mantém vivo o desejo de retomar, no momento certo, a rotina da atividade operacional, que sempre fez parte de sua identidade profissional. De outro, busca estar presente na vida da filha, acompanhando de perto seu crescimento e sendo, acima de tudo, uma referência e exemplo dentro de casa.
“A maternidade mudou muito a forma como eu enxergo a profissão e até mesmo a vida. Hoje eu desacelerei bastante e passei a priorizar muito mais a minha família. Porém, continuo me dedicando integralmente à minha profissão. No momento em que estou no quartel, meu foco é totalmente no quartel e na missão. Depois, quando estou em casa, meu foco é minha família”, garante a cabo.
Assim como Camila, inúmeras bombeiras militares e tantas outras mulheres ao redor do mundo travam diariamente a luta invisível entre a dedicação ao trabalho e a ansiedade pelo momento de voltar para casa e reencontrar, em um abraço apertado, o amor dos filhos.
Para muitas delas, esse desafio começa ainda antes da maternidade, na expectativa e na preparação para a chegada de uma nova vida. A soldado BM Amanda Rojas de Queiroz, de 29 anos, que está grávida da primeira filha, conta que a experiência da gestação dentro do Corpo de Bombeiros Militar tem sido marcada pelo acolhimento dos colegas, mas também pelas adaptações naturais que essa nova fase exige da rotina.
“Viver a maternidade e a gestação aqui na corporação me surpreendeu positivamente, porque eu imaginava que poderia haver mais desgastes, mas isso não aconteceu. Os maiores desafios que encontrei estão relacionados à própria gestação, como indisposição e enjoos. No geral, a corporação me acolheu bem e oferece suporte”, afirma.
Apesar do amparo institucional e do acolhimento recebido nesse período tão especial, a maternidade também desperta inseguranças e medos em relação ao futuro profissional, segundo Amanda. “Mesmo com o respaldo legal da portaria, que respalda a gestante, a lactante e a maternidade, e com a compreensão do comando, ainda existe um receio de que a nova situação possa interferir na carreira”, observa a soldado.
Entre expectativas, descobertas e incertezas, a soldado segue aprendendo a viver essa nova fase da vida sem abrir mão da dedicação à carreira que escolheu. Mas ela reconhece que a maternidade transforma tudo: muda prioridades e faz com que cada decisão profissional passe a ser pensada também a partir do amor e da responsabilidade por uma nova vida que está chegando.
“O bombeiro é uma profissão muito bonita, muito bem vista, renomada e nobre. Essa visão que eu tenho do Corpo de Bombeiros não foi alterada, mas, assim como todo pai e toda mãe que têm uma criança em casa esperando por eles, precisando deles, a partir do momento em que você passa a ter essa responsabilidade, seu comportamento acaba mudando, porque você sabe que precisa voltar bem e íntegro para alguém que está te esperando em casa e que precisa de você”, concluiu a soldado Amanda.
A realidade vivida por Camila e Amanda representa apenas algumas das muitas histórias de mães militares que, diariamente, demonstram comprometimento com a farda sem abrir mão da dedicação à família. Mulheres que superam desafios, conciliam diferentes responsabilidades e concluem com êxito as missões dentro e fora da corporação.
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) combate, nesta terça-feira (13.10), quatro incêndios florestais registrados nos municípios de Água Boa, Nova Xavantina, Nossa Senhora do Livramento e Juruena.
Em todas as ocorrências, os bombeiros atuam de forma estratégica para conter o avanço das chamas, extinguir os incêndios, monitorar as áreas atingidas e proteger vidas, propriedades rurais e o meio ambiente.
As operações contam, conforme a necessidade de cada ocorrência, com o apoio do Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM), da Defesa Civil Estadual, do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e da Polícia Militar. A atuação integrada das forças amplia a capacidade de resposta e fortalece o combate aos incêndios florestais em Mato Grosso.
Focos de calor
Em Mato Grosso, foram registrados 59 focos de calor nas últimas 24 horas, conforme a última checagem realizada às 17h no Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados são do Satélite de Referência (Aqua Tarde). Desse total, 39 focos foram registrados na Amazônia, 18 focos no Cerrado, e dois focos no Pantanal.
Em Terras Indígenas, foram identificados seis focos de calor, sendo quatro focos na Terra Indigena Parque do Xingu, em Querência, e dois focos na Terra Indigena Parabubure, em Campinápolis.
É importante destacar que um foco de calor, isoladamente, não caracteriza um incêndio florestal. O foco de calor é um indicativo de uma área com temperatura elevada, detectada por satélites, que pode ou não estar associada à ocorrência de fogo. Já um incêndio florestal, em geral, é identificado pelo conjunto de diversos focos de calor concentrados em uma mesma área. No caso das terras indígenas, o combate aos incêndios deve ser realizado por órgãos do Governo Federal, uma vez que o Estado não possui autorização para atuar.
Fiscalização – Operação Infravermelho
O Corpo de Bombeiros Militar também realiza o monitoramento do uso irregular do fogo no âmbito da Operação Infravermelho. Esse monitoramento é realizado a partir da Sala de Situação Central, instalada no Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), em Cuiabá.
Com o apoio de imagens de satélite e outras tecnologias, a operação tem como objetivo identificar, de forma antecipada, áreas com risco de incêndio florestal ou onde o fogo já tenha sido iniciado de maneira ilegal, atuando tanto na prevenção quanto na responsabilização dos infratores.
Incêndios extintos
Desde o início do período proibitivo do uso do fogo em Mato Grosso, o Corpo de Bombeiros Militar já atuou na extinção de incêndios nos municípios de Água Boa, Araguaiana, Aripuanã, Barra do Garças, Boa Esperança do Norte, Bom Jesus do Araguaia, Campo Verde, Canabrava do Norte, Canarana, Chapada dos Guimarães, Cocalinho, Colíder, Colniza, Dom Aquino, Feliz Natal, Guarantã do Norte, Guiratinga, Juara, Lambari D’Oeste, Luciara, Marcelândia, Matupá, Nova Bandeirantes, Nova Maringá, Nova Nazaré, Nova Ubiratã, Nova Xavantina, Novo Santo Antônio, Novo São Joaquim, Paranatinga, Peixoto de Azevedo, Poxoréu, Primavera do Leste, Ribeirão Cascalheira, Rondonópolis, Rosário Oeste, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia, União do Sul e Vila Rica.
O CBMMT reforça o alerta à população sobre a proibição do uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, entre 1º de julho e 30 de novembro de 2026. Nas áreas urbanas, o uso do fogo é proibido durante todo o ano.
O uso irregular do fogo pode configurar crime ambiental e está sujeito às penalidades previstas em lei. Além de ser proibida, a prática representa riscos à segurança pública, à saúde da população e ao meio ambiente. Casos de uso irregular do fogo, inclusive em áreas urbanas, devem ser denunciados pelos números 193 (Corpo de Bombeiros Militar) ou 190 (Polícia Militar).
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