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Exportações recordes impulsionam mercado de arroz e elevam preços no Brasil no primeiro semestre de 2026

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O mercado brasileiro de arroz vive um dos momentos mais favoráveis dos últimos anos. Impulsionadas pelo forte avanço das exportações, as vendas externas do cereal atingiram níveis históricos no primeiro semestre de 2026, reforçando a demanda internacional e contribuindo diretamente para a valorização dos preços do arroz em casca no mercado doméstico.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que os embarques brasileiros alcançaram o maior volume da série histórica para o período. O desempenho elevou a atratividade do mercado externo e intensificou a concorrência pelo produto nacional, cenário que passou a influenciar diretamente a formação dos preços no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país.

Exportações de arroz crescem 83% e alcançam 1,1 milhão de toneladas

Levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), elaborado com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aponta que o Brasil exportou 1,1 milhão de toneladas de arroz (base casca) entre janeiro e junho de 2026.

O volume representa um crescimento de 83% em relação ao mesmo período de 2025. Em receita, as exportações somaram US$ 266 milhões, avanço de 35% na comparação anual.

Os principais compradores do arroz brasileiro no semestre foram Venezuela e Senegal, que lideraram as importações do produto nacional.

Segundo a gerente de Exportação da Abiarroz, Beatriz Sartori, a recuperação das vendas externas reflete a recomposição da oferta brasileira após os impactos provocados pelas enchentes no Rio Grande do Sul em 2024.

Com uma safra maior em 2025, o país retomou o fluxo normal de exportações. Além disso, a recuperação das vendas para os Estados Unidos, especialmente de arroz beneficiado — produto de maior valor agregado — também contribuiu para o crescimento dos embarques.

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Preços do arroz reagem com maior demanda internacional

Pesquisadores do Cepea destacam que o fortalecimento das exportações ampliou a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional, reduzindo a disponibilidade do cereal no mercado doméstico e sustentando a recuperação das cotações.

No Rio Grande do Sul, a valorização do arroz em casca também foi favorecida pelo comportamento dos produtores, que passaram a restringir parte da oferta diante da expectativa de novos aumentos de preços.

O cenário externo também colaborou para esse movimento. De acordo com o Cepea, indicadores internacionais apontam recuperação nas cotações do arroz, reforçando a influência da demanda global sobre o mercado brasileiro.

Os pesquisadores ressaltam ainda que os indicadores mais recentes da indústria nacional refletem um período anterior à recuperação observada nas últimas semanas e, por isso, ainda não captam integralmente o atual fortalecimento do mercado.

Arroz beneficiado amplia participação nas exportações

O arroz beneficiado, produto de maior valor agregado, também apresentou desempenho expressivo.

Entre janeiro e junho, os embarques alcançaram 643,9 mil toneladas, crescimento de 65,5% frente ao primeiro semestre de 2025. A receita obtida com esse segmento atingiu US$ 146,1 milhões, avanço de 18,6%.

O resultado reforça a estratégia da indústria brasileira de ampliar a participação de produtos processados nas exportações, agregando valor às vendas internacionais.

Segundo trimestre mantém ritmo positivo

Os números permaneceram positivos entre abril e junho de 2026.

No período, o Brasil exportou 433,6 mil toneladas de arroz, volume 32,7% superior ao registrado no mesmo trimestre do ano anterior. A receita cresceu 15,5%, totalizando US$ 108,6 milhões.

Os dados confirmam a consolidação da recuperação das exportações ao longo de 2026, mesmo diante de desafios logísticos internacionais.

Conflitos internacionais elevam custos logísticos

Apesar do desempenho recorde, o setor acompanha com preocupação o aumento dos custos de transporte marítimo.

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Segundo a Abiarroz, a intensificação dos conflitos no Oriente Médio provocou alta nos fretes internacionais e levou companhias marítimas a cobrarem sobretaxas, reduzindo a competitividade das exportações brasileiras, especialmente em mercados mais distantes.

A entidade avalia que, caso a situação geopolítica permaneça instável e a navegação pelo Estreito de Ormuz continue comprometida, as dificuldades logísticas poderão se intensificar ao longo do segundo semestre.

Importações também avançam

Enquanto as exportações cresceram de forma expressiva, o Brasil também ampliou as importações de arroz.

No primeiro semestre, foram adquiridas 796,4 mil toneladas (base casca), volume 13% superior ao registrado em igual período de 2025. O desembolso, entretanto, caiu 15%, totalizando US$ 182,2 milhões, refletindo preços internacionais mais baixos.

Setor busca novos mercados para manter crescimento

Além do desempenho comercial, a cadeia produtiva intensificou as ações de promoção internacional.

Por meio do projeto Brazilian Rice, a Abiarroz participou, em maio, da Rice Market and Technology Convention, um dos principais eventos do setor nas Américas, apresentando a qualidade e a competitividade do arroz brasileiro.

Em junho, a entidade também integrou missão comercial à Venezuela, organizada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pela ApexBrasil, com rodadas de negócios e encontros com autoridades locais para ampliar as oportunidades de exportação.

Perspectivas para o mercado

Com demanda internacional aquecida, recuperação da produção nacional e maior participação do arroz beneficiado nas exportações, o Brasil fortalece sua posição entre os fornecedores globais do cereal.

Ao mesmo tempo, o avanço das vendas externas tende a continuar influenciando a formação dos preços internos, mantendo o mercado atento tanto ao comportamento da oferta quanto à evolução do cenário logístico internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

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A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

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Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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