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Extremo Oeste de Santa Catarina lança projeto para fortalecer a cadeia de ovinos e caprinos

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Projeto marca novo ciclo de desenvolvimento para o setor no Extremo Oeste

O Extremo Oeste de Santa Catarina deu um passo decisivo para o fortalecimento da ovinocaprinocultura regional. O lançamento do Projeto Ovinocaprinocultura Regional Extremo Oeste, realizado nesta terça-feira (27), na Fazenda Dois Irmãos, em Dionísio Cerqueira, reuniu produtores rurais, lideranças, prefeitos e representantes de diversas instituições ligadas ao agro.

A iniciativa busca organizar e expandir a cadeia produtiva por meio da integração entre produtores, indústria e mercado, priorizando gestão, qualificação técnica, genética, sanidade e comercialização.

O evento contou com a presença de representantes do Sebrae/SC, Senar, Faesc, Secretaria de Estado da Agricultura e entidades regionais, demonstrando o engajamento coletivo na estruturação da atividade.

Objetivo é estruturar e profissionalizar a produção

Durante a cerimônia, os organizadores destacaram que o projeto tem como meta tornar a ovinocaprinocultura uma atividade economicamente viável e sustentável, capaz de gerar renda e oportunidades no campo.

Segundo Paulo Gregianin, coordenador da Câmara Setorial da Ovinocaprinocultura de Santa Catarina e consultor técnico do Sebrae/SC, o trabalho será realizado com base em eixos estratégicos que incluem melhoramento genético, sanidade animal, gestão de propriedades e acesso ao mercado consumidor.

“A ovinocaprinocultura pode ser uma atividade complementar ou principal nas propriedades, desde que tratada com planejamento, gestão e visão de mercado. Estamos avançando na articulação institucional e na aproximação entre produtores e indústria”, afirmou Gregianin.

Projeto já beneficia mais de 90 produtores da região

Atualmente, o projeto atende diretamente 90 produtores em municípios como Dionísio Cerqueira, Guarujá do Sul, São José do Cedro, Anchieta, Guaraciaba e Princesa.

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Quando somadas as ações do projeto estadual e da Assistência Técnica e Gerencial (Ateg), o número chega a 150 produtores acompanhados, com foco em boas práticas de manejo, gestão e genética.

Gregianin destacou que as iniciativas também têm impacto indireto em toda a região, impulsionando o desenvolvimento técnico e mercadológico.

Entidades reforçam união pelo fortalecimento da cadeia produtiva

Para o vice-presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/SC e da Faesc, Antônio Marcos Pagani de Souza, a integração entre entidades é essencial para o sucesso do projeto.

“A parceria entre Sebrae, Senar e outras instituições amplia as oportunidades de renda no campo, com foco em gestão, organização e assistência técnica. O projeto cria as condições para transformar a criação de ovinos e caprinos em um negócio rentável e competitivo”, afirmou Pagani.

O diretor técnico do Sebrae/SC, Fábio Zanuzzi, complementou que o plano se apoia em três pilares fundamentais: produção, indústria e mercado.

“Santa Catarina ainda importa parte da carne ovina consumida, e há um enorme potencial de crescimento. Com manejo adequado, produtividade e sanidade, o estado pode se tornar referência nacional na produção de carne e leite caprino e ovino”, destacou Zanuzzi.

Governo do Estado reforça apoio ao setor e defende organização produtiva

Representando o governador Jorginho Mello, o secretário adjunto da Agricultura, Ademir Dalla Corte, ressaltou que o fortalecimento da cadeia produtiva depende da organização e representatividade dos produtores.

“Santa Catarina já é referência em diversas cadeias produtivas, e a ovinocaprinocultura tem potencial para se tornar uma importante alternativa de diversificação nas propriedades. A união entre produtores, entidades e poder público é o caminho para transformar o potencial em resultado”, afirmou.

Dalla Corte também destacou a importância das Câmaras Setoriais como espaços de diálogo e construção de políticas públicas eficazes para o campo.

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Produtores locais destacam importância da integração e da assistência técnica

O anfitrião do evento, Luiz Antônio Dal Magro, produtor rural com quase três décadas de experiência na pecuária, reforçou a relevância da iniciativa.

“Sempre houve interesse na criação de ovinos e caprinos, mas faltava integração entre os elos da cadeia. O projeto vem preencher essas lacunas, trazendo suporte técnico, planejamento e visão de longo prazo. Produzir é possível — o desafio é estruturar e integrar a atividade”, destacou.

Segundo Dal Magro, o apoio técnico do Sebrae/SC e do Senar cria um ambiente propício para que a ovinocaprinocultura se consolide como atividade econômica sólida e sustentável no Extremo Oeste catarinense.

Perspectivas e próximos passos

Com o projeto oficialmente lançado, as próximas etapas incluem expansão da assistência técnica, capacitação de novos produtores e fortalecimento da comercialização regional.

O foco é consolidar a ovinocaprinocultura como fonte de renda estável e parte estratégica do agronegócio catarinense, estimulando o consumo local e a industrialização da carne e do leite.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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