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Feijão enfrenta perdas no Paraná e preços recuam após recordes no início de 2026

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O mercado brasileiro de feijão inicia o segundo trimestre de 2026 em um cenário de ajuste, marcado por perdas na produção no Paraná e recuo nos preços após altas expressivas no início do ano. A combinação entre problemas climáticos, redução de área plantada e mudanças na dinâmica de oferta e demanda tem impactado tanto o campo quanto o mercado.

Seca reduz área e produtividade da segunda safra no Paraná

A segunda safra de feijão no Paraná, principal do estado, deve registrar queda significativa em 2026. De acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a área plantada foi estimada em 239 mil hectares, retração de 31% em relação à safra anterior.

A redução da área deve impactar diretamente a produção, com expectativa de queda de pelo menos 20%. A cultura foi semeada ao longo do primeiro trimestre, e a colheita começa a ganhar ritmo, com cerca de 3% das lavouras já em fase de maturação.

Condições das lavouras pioram com impacto da estiagem

As condições das lavouras também apresentaram deterioração nas últimas semanas. Atualmente, 72% das áreas são classificadas como em boas condições, abaixo dos 76% registrados anteriormente. Já as áreas em condição mediana subiram para 20%, enquanto as lavouras consideradas ruins passaram de 6% para 8%.

As regiões de Pato Branco, Laranjeiras do Sul e Francisco Beltrão concentram os maiores impactos da seca e representam mais da metade da produção estadual. Embora chuvas recentes tenham interrompido temporariamente o estresse hídrico, os efeitos sobre a produtividade já são considerados irreversíveis.

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A estimativa média de rendimento, projetada anteriormente em 30 sacas por hectare, dificilmente será atingida, segundo o relatório.

Mudança no perfil de plantio favorece feijão carioca

Apesar da redução geral da área cultivada, houve alteração na composição das lavouras. Dados indicam aumento de 3% na área destinada ao feijão do grupo carioca, enquanto a retração foi mais intensa nas variedades de feijão-preto.

Essa mudança está diretamente ligada ao comportamento dos preços nos últimos 12 meses. O feijão carioca acumulou valorização de 48%, enquanto o feijão-preto registrou alta mais moderada, de 7%. Ainda assim, o feijão-preto segue predominante, ocupando cerca de dois terços da área plantada na segunda safra do estado.

Preços recuam em abril após altas históricas

Após um primeiro trimestre marcado por valorização expressiva e recordes de preços, as cotações do feijão carioca e do feijão-preto iniciaram abril em queda, conforme dados do Cepea/CNA.

Nos primeiros meses do ano, a oferta restrita sustentou os preços em níveis elevados. No entanto, a recente retração da demanda passou a pressionar o mercado, levando a um movimento de correção nas cotações.

Mercado busca novo equilíbrio com transição de safra

O setor agora atravessa um período de ajuste, buscando um novo ponto de equilíbrio. Esse processo é influenciado por fatores como a lenta transmissão dos preços entre indústria e varejo e a entrada gradual da segunda safra no mercado.

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Além disso, as incertezas climáticas no Sul do Brasil aumentam a cautela entre os agentes, especialmente diante das perdas já observadas no Paraná.

Exportações crescem, mas importações seguem elevadas

No mercado externo, o Brasil registrou aumento nas exportações de feijão em março, com embarques de 27,28 mil toneladas. O volume representa alta de 2,4% em relação a fevereiro e avanço expressivo de 51,3% na comparação anual.

Por outro lado, as importações somaram 3,13 mil toneladas no mês, recuo de 17% frente a fevereiro, mas ainda em patamar elevado, cerca de quatro vezes superior ao registrado em março do ano passado.

Perspectiva é de atenção ao clima e à demanda

O cenário para o mercado de feijão nos próximos meses segue condicionado a variáveis importantes, como o clima no Sul do país e a evolução da demanda interna.

Com produção pressionada e preços em ajuste, o setor deve continuar operando com cautela, acompanhando de perto o avanço da colheita e o comportamento do consumo para definir os próximos movimentos do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preço do leite sobe no RS e projeção do Conseleite aponta R$ 2,5333 em abril

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O mercado de leite no Rio Grande do Sul dá sinais consistentes de recuperação em 2026. O valor de referência projetado para o litro em abril foi fixado em R$ 2,5333, conforme divulgação do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite/RS). O número representa uma alta de 10,47% em relação à projeção de março, que havia sido de R$ 2,2932.

A definição ocorreu durante reunião realizada na sede da Farsul, reunindo representantes de toda a cadeia produtiva, entre produtores, indústrias e lideranças do setor.

Além da projeção para abril, o Conseleite também confirmou o valor consolidado de março de 2026 em R$ 2,3721 por litro, o que representa avanço de 11,67% frente ao resultado final de fevereiro, quando o leite foi cotado a R$ 2,1243.

Os indicadores são calculados pela Universidade de Passo Fundo (UPF), com base em dados fornecidos pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias de cada mês.

Recuperação ganha força no mercado lácteo

Os números mais recentes reforçam uma retomada gradual do setor leiteiro gaúcho após um período prolongado de margens pressionadas tanto no campo quanto na indústria. A alta, que vinha sendo observada de forma moderada no início do ano, ganha consistência com os dados divulgados em abril.

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Representantes do Conseleite destacam que o momento atual valida a metodologia utilizada pelo colegiado, que busca refletir com precisão as condições reais de mercado. A avaliação é de que os indicadores estão alinhados com a tendência observada em outras regiões do país.

Sustentação dos preços depende de consumo e mercado interno

Apesar do cenário positivo, o setor ainda enfrenta desafios relevantes. A manutenção dos preços em patamares mais elevados dependerá, principalmente, do fortalecimento do consumo interno e da capacidade de escoamento da produção.

O atual nível de endividamento das famílias brasileiras e o baixo poder de compra seguem como fatores limitantes. Por outro lado, a expectativa de maior circulação de recursos na economia ao longo do ano, impulsionada por medidas como antecipação de benefícios e liberação de recursos, pode favorecer a demanda.

Produção e importações entram no radar do setor

Outro ponto de atenção é a tendência de recuperação da produção no campo nos próximos meses, o que pode pressionar os preços caso não haja crescimento proporcional da demanda.

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Além disso, o avanço das importações, especialmente de leite proveniente da Argentina, preocupa o setor produtivo. Durante a reunião, o Conseleite deliberou pelo envio de ofícios ao governo federal, alertando para os impactos do aumento das compras externas sobre o mercado interno.

A orientação é manter o tema em evidência junto aos ministérios responsáveis, buscando medidas que garantam maior equilíbrio competitivo para o produtor nacional.

Perspectiva para o setor

O cenário atual aponta para um momento mais favorável ao produtor de leite, com recuperação de preços e melhora gradual nas condições de mercado. No entanto, a sustentabilidade desse movimento dependerá do equilíbrio entre oferta, demanda e política comercial, especialmente no que diz respeito às importações.

O setor segue atento aos desdobramentos econômicos e às políticas públicas que possam influenciar diretamente a rentabilidade da atividade nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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