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Floricultura brasileira cresce quase 10% em 2024 e movimenta mais de R$ 21 bilhões

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O setor de flores e plantas ornamentais no Brasil segue em expansão, consolidando-se como um segmento estratégico do agronegócio nacional. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Floricultura (IBRAFLOR), em parceria com o Cepea/Esalq-USP, apontam um crescimento de 9,95% no PIB da cadeia produtiva em 2024, atingindo R$ 21,23 bilhões.

Recuperação e crescimento do setor

Após a queda de 3,6% registrada em 2023, a floricultura brasileira retomou seu ritmo, impulsionada pelo aumento do consumo interno e pela expansão da produção. Atualmente, o setor envolve 8.300 produtores em todo o país, ocupando uma área total de 16.380 hectares. O Estado de São Paulo lidera a produção nacional, respondendo por 40% do PIB do setor, equivalente a R$ 8,49 bilhões. O consumo per capita paulista é de R$ 181,85 anuais, quase o dobro da média nacional, que é de R$ 97,39.

De acordo com Jorge Possato Teixeira, presidente do IBRAFLOR, “a floricultura não é apenas um setor de beleza e lazer, mas um motor econômico que gera emprego e renda em todas as regiões do país”. Em 2024, o segmento empregou diretamente 264.874 trabalhadores — cerca de 1,17% do total do agronegócio — e estima-se que gere 800 mil empregos indiretos. É um dos setores com maior participação feminina na agropecuária, com 56,2% de mulheres, chegando a 63% em algumas regiões.

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Segmentos e diversidade produtiva

O mercado é liderado por flores em vaso, que representam 58% da produção, seguidas por plantas ornamentais (24%), flores de corte (15%) e outros produtos (3%). A cadeia conta com cerca de 2.500 espécies e 17.500 variedades, distribuídas por 60 centrais de atacado, 700 empresas atacadistas e aproximadamente 25 mil pontos de venda no varejo.

Regionalmente, o Sudeste concentra 64% do PIB, com R$ 13,58 bilhões e 5.534 produtores. O Sul responde por 18% (R$ 3,82 bilhões), seguido pelo Nordeste (9,3%), Centro-Oeste (6,7%) e Norte (2%).

Eventos e estratégias de comercialização

Para impulsionar as vendas, cooperativas e comercializadores promovem eventos que aproximam produtores e compradores, além de apresentar tendências e lançamentos para datas sazonais como Primavera, Finados e Natal.

Entre os destaques, o Ceaflor, em Jaguariúna (SP), realiza a 6ª edição do Dia de Negócios em 10 de setembro, das 7h às 16h, com palestras e oportunidades de negociação direta. Já a Cooperativa Veiling Holambra promove nos dias 11 e 12 de setembro a 30ª edição do Veiling Market, reunindo mais de 100 produtores-expositores e cerca de duas mil pessoas, com espaço dedicado a tendências e inovações do setor.

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Perspectivas e relevância econômica

O crescimento do setor reforça seu papel como importante motor econômico, capaz de gerar emprego, renda e oportunidades de inovação. Entre 2022 e 2024, a floricultura passou de R$ 20,4 bilhões para R$ 21,23 bilhões em movimentação, evidenciando a resiliência e o potencial de expansão do segmento.

A expectativa é de que a combinação de inovação, diversificação de produtos e eventos estratégicos continue a impulsionar o mercado, consolidando a floricultura como um dos setores mais dinâmicos do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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