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Friboi lança programa Fazenda Nota 10 e incentiva boas práticas na bovinocultura de corte

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A Friboi, em parceria com o Inttegra, desenvolveu o Programa Fazenda Nota 10 (FN10), iniciativa que busca aprimorar a gestão, a produtividade e o bem-estar animal em propriedades de bovinocultura de corte. O programa oferece referências produtivas e financeiras, ferramentas digitais e orientação técnica para apoiar o produtor na tomada de decisões estratégicas.

Lançado em abril de 2020 no formato digital, o FN10 combina educação, tecnologia e acompanhamento especializado, direcionando os pecuaristas aos fatores que mais impactam os resultados da fazenda e promovendo uma pecuária mais moderna e eficiente.

Novo módulo foca em bem-estar animal

Com a evolução do programa, foi implementado um módulo específico de bem-estar animal (BEA), abordando nutrição, ambiente, saúde, comportamento e estados mentais. O objetivo é difundir boas práticas de manejo e cuidado, garantindo saúde do rebanho, redução de estresse e melhoria da qualidade das carcaças.

O módulo é estruturado em seções práticas: Aspectos gerais, Nutrição, Ambiente, Saúde e Manejo, e inclui um questionário online aplicado no início e no fim de cada safra. Ao concluir o preenchimento, cada fazenda recebe um relatório de diagnóstico detalhado, permitindo identificar pontos fortes e oportunidades de melhoria.

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Educação continuada e engajamento do produtor

O programa inclui aulas masterclass, minicursos, suporte técnico e visitas presenciais, possibilitando que o pecuarista vivencie boas práticas e receba orientação direta para aprimorar a gestão da fazenda.

Para participar, o produtor precisa:

  • Ser cadastrado na Friboi;
  • Ter balança na fazenda;
  • Ter um colaborador responsável por lançar dados na plataforma mensalmente.

Cada ciclo dura 12 meses, mas a adesão pode ser renovada. Nas quatro primeiras safras, finalizadas na edição 24/25, o FN10 implementou o módulo de saúde e bem-estar animal em mais de 1.000 fazendas.

Benefícios para a cadeia produtiva e sustentabilidade

Segundo Liège Correia e Silva, diretora de Sustentabilidade da JBS, a parceria com a Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA) fortalece a agenda de bem-estar animal da empresa. “Gerar conhecimento que permite ao produtor evoluir reflete em benefícios concretos para os animais, para a cadeia produtiva e para o setor como um todo”, afirma.

Além de melhorar a qualidade das carcaças, a iniciativa contribui para reduzir abscessos, contusões, desvios de pH e estresse no pré-abate, promovendo uma pecuária mais sustentável e eficiente, alinhada a práticas globais de responsabilidade social e ambiental.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Projeto para proteger pequena propriedade abre debate sobre acesso ao crédito rural

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Um projeto em análise na Câmara dos Deputados pretende impedir que imóveis da agricultura familiar sejam oferecidos em alienação fiduciária nas operações de crédito. A proposta busca proteger a terra usada para o sustento da família, mas também desperta preocupação sobre uma possível redução das garantias disponíveis aos pequenos produtores.

O Projeto de Lei nº 355/2026 estabelece que imóveis pertencentes à agricultura familiar não poderão ser utilizados como garantia fiduciária em contratos de crédito, financiamento ou empréstimo. Pelo texto, será considerada nula qualquer cláusula contratual que autorize esse tipo de vinculação.

A matéria está pronta para entrar na pauta da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. Também foi anexado ao texto o Projeto de Lei nº 2.982/2026, que trata da impenhorabilidade da pequena propriedade rural.

A alienação fiduciária permite que o produtor continue utilizando o imóvel enquanto paga o financiamento. A propriedade, entretanto, permanece vinculada ao credor até a quitação. Em caso de inadimplência, a garantia pode ser executada por procedimento extrajudicial.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a proteção da terra familiar é necessária, mas a mudança precisa ser acompanhada de alternativas capazes de manter o financiamento disponível.

“A pequena propriedade não é apenas um bem de mercado. Ela representa trabalho, renda, moradia e continuidade familiar. Essa proteção é legítima, mas não podemos criar uma regra que preserve a terra no contrato e, ao mesmo tempo, retire do produtor as condições financeiras para continuar produzindo”, afirma.

A Constituição determina que a pequena propriedade rural, definida em lei e trabalhada pela família, não pode ser penhorada para o pagamento de débitos decorrentes da atividade produtiva. A alienação fiduciária, porém, tem origem em um contrato no qual o proprietário oferece voluntariamente o imóvel como garantia.

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O projeto pretende ampliar a proteção ao impedir essa contratação no caso da agricultura familiar. O ponto de atenção é que a garantia constitui um dos elementos considerados pelas instituições financeiras na avaliação do risco e na definição das condições do empréstimo.

Sem a possibilidade de utilizar o imóvel, algumas operações poderão exigir máquinas, recebíveis, produção futura, avalistas, seguros ou outras formas de cobertura. O produtor que não possuir bens ou receitas suficientes para substituir a terra poderá enfrentar maior seletividade na concessão do crédito.

“Não se pode afirmar que a mudança aumentará automaticamente os juros, porque o custo de uma operação depende de vários fatores. Existe, no entanto, um risco concreto de que produtores com menos garantias encontrem maior dificuldade para acessar recursos, principalmente fora das linhas subsidiadas”, avalia Rezende.

O debate ocorre três anos depois da aprovação da Lei nº 14.711/2023, conhecida como Marco Legal das Garantias. A legislação modernizou os mecanismos utilizados em financiamentos, ampliou as possibilidades de aproveitamento dos bens e aperfeiçoou a execução extrajudicial de créditos garantidos por hipoteca ou alienação fiduciária.

A expectativa era de que garantias mais eficientes reduzissem o risco das operações e estimulassem a oferta de crédito. A eventual proibição para imóveis da agricultura familiar introduz uma exceção nesse sistema e exigirá mecanismos capazes de compensar a garantia retirada.

Entre as alternativas estão o fortalecimento dos fundos garantidores, a ampliação do seguro rural, o uso de limites proporcionais ao valor do imóvel e a possibilidade de substituir a garantia antes de uma eventual execução. Também poderão ser consideradas a finalidade da dívida, a capacidade econômica da família e o valor da operação.

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O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) oferece linhas subsidiadas, mas não atende isoladamente a todas as necessidades financeiras das propriedades. Parte dos produtores também depende de cooperativas, fornecedores, instituições financeiras e operações privadas para completar o custeio ou realizar investimentos.

“O Congresso precisa encontrar um ponto de equilíbrio. A legislação deve impedir que uma família perca a terra de maneira desproporcional, sem fechar a porta do financiamento. Proteger o patrimônio e assegurar crédito não são objetivos incompatíveis, desde que existam fundos, seguros e garantias complementares capazes de sustentar as operações”, diz Rezende.

Enquanto a proposta tramita, a recomendação é que os produtores mantenham matrículas, cadastros e documentos da propriedade atualizados. O histórico financeiro, a organização das receitas e despesas e a comprovação da capacidade de pagamento também influenciam a análise de crédito.

Outros instrumentos podem complementar ou substituir a garantia imobiliária, como penhor rural, Cédula de Produto Rural (CPR), máquinas, recebíveis e produção futura. A escolha dependerá do perfil da propriedade e das condições de cada contrato.

O produtor também deve conhecer o valor da dívida, os encargos, os prazos, as situações de vencimento antecipado e o procedimento previsto em caso de inadimplência antes de oferecer qualquer bem. A garantia não deve ser tratada apenas como uma exigência burocrática, mas como parte da estratégia financeira da propriedade.

A decisão do Congresso poderá definir como a agricultura familiar conciliará proteção patrimonial e capacidade de financiamento. Sem alternativas adequadas, a proibição pode reduzir a exposição da terra, mas aumentar a dificuldade para financiar a produção. Com mecanismos complementares, a mudança poderá proteger as famílias sem comprometer a permanência delas no campo.

Fonte: Pensar Agro

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