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Fundo Amazônia faz 17 anos com apoio a mais de 600 entidades comunitárias e impacto em mais 260 mil pessoas

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O Fundo Amazônia comemora 17 anos de atuação com um evento em Manaus (AM), nesta terça e quarta-feira (12 e 13/8). Com o tema “Raízes e Rumos: O que aprendemos. O que queremos. O que construiremos juntos”, o encontro reúne mais de 100 participantes — entre representantes indígenas, povos e comunidades tradicionais, governos estaduais, sociedade civil e União — que representarão os 139 projetos apoiados pelo Fundo desde sua criação.

Principal iniciativa de cooperação internacional no combate ao desmatamento, o Fundo Amazônia apoiou, ao longo de sua trajetória, desde a promoção da produção sustentável até a geração de renda e melhores condições de vida para os povos e comunidades tradicionais que mantêm a floresta em pé. Mais de 600 organizações comunitárias e 260 mil pessoas foram impactadas positivamente pelas ações do Fundo, que também investiu em projetos de ordenamento territorial em mais de 161 terras indígenas.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que “o Fundo Amazônia tem uma arquitetura complexa, cuja construção teve a participação de vários parceiros, e foi inovadora e pioneira para pagar pelo resultado já alcançado em relação à queda do desmatamento”. “Ele chega a povos indígenas, quebradeiras de coco, seringueiros, pecadores tradicionais e todos que têm resultados alcançados na preservação da floresta pelo seu próprio modo de vida”, destacou. “Me sinto muito feliz por termos, nos governos do presidente Lula, criado mecanismos que fazem com que as políticas e recursos públicos atinjam as pontas”, pontuou.

Marina Silva classificou a iniciativa como um “fundo mãe, que acabou alavancando e catalizando recursos para outros fundos, inclusive com capacidade de beneficiar outros segmentos em outras regiões do país”, concluiu.

“O Fundo Amazônia é um instrumento fundamental para preservação do meio ambiente. E, nesses 17 anos, mostrou que é possível unir preservação com desenvolvimento sustentável e melhoria de vida para as populações da Amazônia. Com a parceria de países doadores e organizações da sociedade civil, dos estados da Amazônia Legal e da União, estamos ampliando o alcance dos projetos, fortalecendo comunidades, combatendo o desmatamento e promovendo a bioeconomia”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Nosso compromisso é seguir atuando com transparência e resultados concretos, para que a floresta continue de pé e gerando oportunidades para quem vive nela e dela”, completa o presidente.

O evento em Manaus promoverá exposição de projetos, comercialização de produtos de iniciativas apoiadas e apresentações culturais. A abertura contou com a participação online da ministra Marina Silva e da diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, e das presenças do secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Ribeiro Capobianco, do superintendente de Meio Ambiente do BNDES, Nabil Kadri, e do secretário do Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira.

“Estamos gerando ação concreta, mostrando resultados e reduzindo emissões. Esse é o mecanismo de alimentação do Fundo Amazônia: quanto mais resultados na redução do desmatamento e emissões evitadas, ampliam-se as expectativas e possibilidades de receber apoio da comunidade internacional para aprofundar as ações”, afirma o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco. “Nosso compromisso, junto ao presidente Lula, é com o desmatamento zero até 2030, não só na Amazônia, mas em todos os biomas do país. Para atingir essa meta, as ferramentas do Fundo Amazônia são vitais”.

Mesas temáticas e participativas serão realizadas para resgatar aprendizados, acertos, desafios e transformações geradas pelo Fundo ao longo dos anos, além de planejar o futuro do Fundo Amazônia a partir da escuta, das tendências e da perspectiva da COP30.

Resultados e impacto – Além dos projetos para preservação, o Fundo Amazônia também investiu nos últimos anos em ações de monitoramento, comando e controle, e promoveu projetos com as corporações dos Corpos de Bombeiros dos estados da Amazônia Legal para o combate e prevenção de incêndios florestais. Recentemente, passou a apoiar a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, abrangendo ações de prevenção e combate aos incêndios nos estados nas fronteiras da Amazônia – nos biomas Pantanal e Cerrado.

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Projetos estruturantes, como a parceria com o Ibama e o Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Amas), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, também recebem apoio para combater crimes relacionados ao desmatamento e fortalecer a fiscalização ambiental na região. São projetos em eixos de execução do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm).

Nas suas modalidades operacionais, o Fundo Amazônia apoia projetos também via chamadas públicas feitas pelo BNDES ou por instituições parceiras.

Retomada e novos projetos  Após um período de interrupção entre 2019 e 2022, o Fundo Amazônia retomou o apoio a novos projetos em 2023, com estratégias para garantir maior impacto e capilaridade.

Além da Noruega, Alemanha e Petrobras, novos doadores se juntaram ao Fundo – Reino Unido, Estados Unidos, Dinamarca, Suíça, Japão e Irlanda. As doações contratadas desde 2023 somam R$ 1,5 bilhão, parte de um total de R$ 4 bilhões investidos por diversos países para recompensar os resultados alcançados pelo Brasil na redução do desmatamento.

O restabelecimento de sua atuação permitiu que, desde 2023, o Fundo Amazônia apoiasse novos 38 projetos, com o seguinte alcance, em acordo com o PPCDAm e outras políticas públicas relevantes como Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental (PNGati), Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), entre outras:

  • Restauração ecológica em 15 mil hectares para reconstruir o Arco do Desmatamento da Amazônia. Foram nove editais que somam R$ 400 milhões para restauração em unidades de conservação, terras indígenas e assentamentos, envolvendo territórios de sete estados amazônicos, desde o Acre até o Maranhão, passando pelo Amazonas, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso e Pará;
  • Atuação em 74 terras indígenas, totalizando 161 terras indígenas apoiadas desde o início do Fundo, com protagonismo indígena na proposição de projetos e na execução de recursos, que também são descentralizados em editais;
  • Apoio aos Corpos de Bombeiros nos nove estados da Amazônia Legal, com veículos especializados, equipamentos de proteção individual, entre outros para combate e prevenção de incêndios florestais;
  • Projetos que unem preservação com segurança alimentar, acesso à água e geração de emprego e renda, com atuação na ponta em mais de 130 instituições locais em 149 municípios. O Fundo Amazônia passa a chegar a em 325 municípios e mais 570 organizações apoiadas, diretamente ou como aglutinadas. Mais de 650 entidades comunitárias foram fortalecidas com apoio em gestão e capacitações;
  • Ações estruturantes de comando e controle, com apoio do Ibama e do Amas, com apoio às ações de combate aos crimes relacionados ao desmatamento em todos os nove estados da Amazônia Legal, apoiando Polícia Federal, Polícia Rodoviária e as Forças de Segurança;
  • Atuação de regularização ambiental e fundiária em 48 municípios prioritários para o combate ao desmatamento, com o recente apoio ao programa União com Municípios, coordenado pelo MMA, anunciado nesta terça-feira (12/8);
  • Atuação em prevenção e combate a incêndio ampliada para os biomas Cerrado e Pantanal, fronteiriços à Amazônia Legal, em projeto para apoio ao manejo integrado do fogo;
  • Além de iniciativas em curso para atuação em territórios quilombolas da Amazônia Legal.


Fundo Amazônia no Amazonas
– No estado do Amazonas, o Fundo Amazônia investiu R$ 277 milhões em 13 projetos, incluindo o Prospera Amazônia, que contribui para a consolidação de áreas protegidas. O Fundo Amazônia também apoia o Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI) da Polícia Federal e o Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI), além de projetos de fortalecimento e promoção das cadeias de valor da bioeconomia, beneficiando mais de 10 mil pessoas.

  • Desde a retomada do Fundo Amazônia, em 2023, foram contratados R$ 149 milhões em projetos no estado.
  • O total de projetos exclusivamente no território soma R$ 277 milhões em 13 projetos.
  • Projeto Prospera Amazônia – projeto da Fundação Amazônia Sustentável para a consolidação de áreas protegidas no estado do Amazonas, em 16 unidades de conservação estaduais, cinco terras indígenas e um território quilombola, totalizando 20,7 milhões de hectares.
  • Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas – R$ 45 milhões para prevenção e combate aos incêndios florestais: construção de três novas bases operacionais/ampliação da frota de veículos operacionais, com veículos Auto Bomba Tanque Florestal (ABTF), pick ups e um ônibus para transporte do contingente e equipamentos;
  • Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI) da Polícia Federal – no âmbito do apoio ao Amas, favorecerá a articulação entre os responsáveis pela segurança pública e ampliará as ações de inteligência e fiscalização e promoverá a cooperação policial regional e internacional e a troca de informações entre os atores nacionais e internacionais engajados na prevenção, repressão, inteligência policial e investigação de crimes na região amazônica. O mesmo projeto apoia a estruturação do projeto Ouro Alvo, uma iniciativa da Polícia Federal para aumentar a capacidade de rastreamento da origem do ouro.
  • Apoio ao fortalecimento do CAFI, em Manaus, criado e gerido pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), incluindo apoio a cursos de longa duração, de extensão e de especialização, no âmbito do projeto Redes Indígenas da Amazônia realizado em parceria da Coiab com a TNC-Brasil;
  • Fortalecimento e promoção das cadeias da valor da bioeconomia:  Dois Projetos Rede de Manejo da Sociobiodiversidade (Remanso) / Mamirauá e Juruá: Sustentável e Solidário / Asproc vão apoiar as cadeias de pirarucu, jacaré, madeira e meliponicultura, entre outras, promovendo inclusão social, geração de renda e melhoria das condições de vida em comunidades tradicionais nas regiões do Médio Solimões (AM) e nos municípios de Carauari, Juruá, Tefé, Itamarati e Manaus, beneficiando mais de 10 mil pessoas, entre  ribeirinhos, extrativistas, pescadores e indígenas.
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O Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa) é presidido pelo MMA e é composto por três bancadas, que decidem os focos e diretrizes de atuação em consenso – o governo federal, os governos estaduais (dos nove estados da Amazônia Legal) e representatividade da sociedade civil. O BNDES é responsável pela captação de recursos, gestão e acompanhamento dos projetos e prestação de contas dos seus resultados, tendo auditorias financeiras e de compliance externas e independentes.

Fundo Amazônia – Criado em 2008, o Fundo Amazônia tem como objetivo viabilizar o apoio nacional e internacional a projetos para a conservação e o uso sustentável das florestas na Amazônia Legal, região que engloba os nove estados da região. Sob a coordenação do MMA, o BNDES é responsável pela captação e pela gestão de recursos e pela contratação e pelo monitoramento das iniciativas financiadas pelo Fundo Amazônia.

No acumulado de 2009 até junho deste ano, foram aprovados R$ 5,6 bilhões para 133 projetos e já desembolsados R$ 2,7 bilhões para executá-los, em valores corrigidos pela inflação. Informações detalhadas sobre todos os projetos apoiados estão disponíveis no site do Fundo Amazônia.

(Com informações da Agência BNDES de Notícias)

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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(61) 2028-1227/1051

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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