Educação
Governo do Brasil cria 24,9 mil cargos para estrutura do MEC
Publicado
2 de abril de 2026, 18:30
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do então ministro da Educação, Camilo Santana, sancionou a Lei nº 15.367/2026, que determina várias medidas de gestão para a administração pública federal, com impacto direto no Ministério da Educação (MEC). A assinatura ocorreu na segunda-feira, 30 de março, em Brasília (DF), durante cerimônia de inauguração de mais de 100 obras da educação brasileira.
- Leia mais: MEC inaugura mais de 100 obras da educação
A legislação institui o Plano Especial de Cargos do Ministério da Educação e o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para o Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE); cria o Instituto Federal do Sertão Paraibano (IF Sertão-PB), a partir do desmembramento do Instituto Federal da Paraíba (IFPB); e extingue a exigência de lista tríplice para a escolha de reitores das universidades federais.
A lei sancionada também autoriza a criação de 24.963 novos cargos do MEC destinados ao fortalecimento das universidades federais e da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Os novos cargos serão redistribuídos para instituições federais de ensino em todo o país, com o objetivo de ampliar a capacidade de vagas por meio do ensino, da pesquisa, da extensão e da gestão administrativa nas universidades e institutos federais (IFs).
Para as instituições federais de educação superior, serão criados 3.800 cargos de professor do magistério superior, além de 2.000 cargos de técnico em educação (nível médio) e 2.800 cargos de analista em educação (nível superior). Já para as instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, a lei prevê 9.587 cargos de professor do ensino básico, técnico e tecnológico, além de 4.286 cargos de técnico em educação e 2.490 cargos de analista em educação.
Rede Federal – A criação dos cargos está relacionada à expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica no âmbito do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), que está implantando mais de 100 novos campi de Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e investindo na melhoria e na ampliação da infraestrutura existente nas instituições, com construção de restaurantes estudantis, salas de aula, bibliotecas, laboratórios, quadras poliesportivas e sedes próprias de campi e de Reitorias.
Com a expansão, a rede chegará a mais de 800 campi, incluindo IFs, centros federais de educação tecnológica, o Colégio Pedro II e escolas técnicas vinculadas às universidades federais.
O dimensionamento dos cargos considera o modelo de referência para novos campi dos institutos federais, que prevê estrutura capaz de atender até 1.400 estudantes por unidade, com quadro específico de docentes, técnicos administrativos em educação e funções de gestão acadêmica e administrativa.
A análise técnica também aponta a necessidade de recomposição de quadros de instituições federais vinculadas ao MEC, como o Instituto Benjamin Constant e o Instituto Nacional de Educação de Surdos, responsáveis por apoiar a formulação de políticas públicas voltadas à educação de pessoas com deficiência visual e à educação de surdos.
PECMEC – Já o Plano Especial de Cargos do Ministério da Educação (PECMEC), também instituído pela Lei nº 15.367/2026, tem a finalidade de reorganizar os cargos do quadro de pessoal do MEC em uma estrutura única. O plano reúne cargos de níveis superior, intermediário e auxiliar anteriormente vinculados ao Plano de Classificação de Cargos (PCC) e ao Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (PGPE), buscando reduzir a fragmentação entre diferentes planos e promover maior integração entre as atividades desenvolvidas no ministério.
A nova estrutura estabelece regras de desenvolvimento funcional baseadas em classes e padrões, com progressão e promoção vinculadas ao desempenho e à qualificação dos servidores. A remuneração passa a ser composta pelo vencimento básico e pela Gratificação de Desempenho de Atividades Educacionais (GDAED), calculada a partir de avaliações individuais e institucionais. O enquadramento dos servidores que atendam aos critérios previstos na lei ocorre de forma automática, sem alteração das atribuições do cargo ou descontinuidade da carreira.
Para a subsecretária de Gestão Administrativa do MEC, Jussara Cardoso, a criação do plano representa um avanço institucional para a valorização e a organização da carreira dos servidores da pasta. Segundo ela, a medida atende a uma demanda histórica da categoria.
“A instituição do Plano de Carreira do MEC representa uma conquista histórica para os servidores da pasta e um importante marco de valorização dos profissionais que atuam na construção e no fortalecimento das políticas educacionais no país. O plano é resultado de uma mobilização que atravessou mais de duas décadas. O PECMEC consolida uma demanda antiga dos servidores e fortalece a identidade institucional do Ministério da Educação. A priorização do tema pela atual gestão, com o apoio do ministro Camilo Santana e do secretário-executivo Leonardo Barchini, também servidor de carreira do Ecossistema MEC, foi fundamental para a concretização dessa conquista”, afirmou.
Nova Carreira – A norma também cria uma nova carreira na Administração Pública Federal: a Carreira de Analista Técnico do Poder Executivo Federal, formada pelo cargo de Analista Técnico Executivo (ATE), de nível superior. Esses profissionais atuarão no planejamento, na coordenação, na execução e na avaliação de atividades técnico-administrativas especializadas nos órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. fundacional.
Os servidores do MEC ocupantes dos cargos de arquivista, bibliotecário, técnico em assuntos educacionais e técnico em comunicação social, que passam a integrar o PECMEC, podem optar pelo enquadramento na nova carreira de analista técnico do Poder Executivo Federal.
RSC – O Reconhecimento de Saberes e Competências para os servidores técnico-administrativos em educação permite reconhecer formalmente conhecimentos e experiências adquiridos ao longo da trajetória profissional, inclusive aqueles desenvolvidos fora da formação acadêmica tradicional, considerando aspectos como experiência prática, participação em projetos institucionais, atuação em atividades de extensão e inovação, produção técnica e científica e contribuições para a melhoria da gestão institucional.
A medida estende aos técnicos administrativos um modelo já adotado no magistério federal e atende a uma demanda histórica da categoria, construída no âmbito das mesas de negociação com o governo federal. Com isso, amplia-se a valorização de profissionais que desempenham papel essencial no funcionamento das instituições, atuando em áreas como gestão acadêmica, apoio à pesquisa, tecnologia da informação, bibliotecas, laboratórios, assistência estudantil e planejamento institucional.
Sertão Paraibano – A criação do IF Sertão-PB será regulamentada pelo Executivo Federal e prevê a nomeação inicial de reitor pro tempore. O texto também estabelece regras para a escolha da gestão e assegura direitos de remoção aos servidores durante o período de transição.
O MEC instituiu, por meio da Portaria nº 13/2026, o grupo de trabalho (GT) para análise técnica e formulação de estratégias estruturadas para a implantação e para o funcionamento do novo IF. O GT contará com a presença de membros do próprio MEC, do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) e do IFPB, instituição que será desmembrada para criação do IF Sertão-PB. O GT terá prazo de 180 dias e, ao final dos trabalhos, apresentará proposta de diretrizes e orientações operacionais para a implantação do novo IF. A relação dos campi que integrarão o novo IF será estabelecida em ato do ministro da Educação.
Lista tríplice – A extinção de lista tríplice para a escolha de reitores das universidades federais irá assegurar que o resultado das eleições realizadas pelas comunidades acadêmicas seja respeitado, sem necessidade de indicação presidencial entre três nomes. A iniciativa fortalece a autonomia universitária e a democracia, ao reconhecer a decisão de estudantes, docentes e técnicos-administrativos na definição da gestão das instituições federais de ensino superior.
Antes, após consulta à comunidade universitária — que reúne docentes, estudantes e servidores técnico-administrativos — as instituições encaminhavam ao governo federal uma lista tríplice com três nomes para o cargo de reitor ou reitora. A partir dessa lista, o presidente da República podia escolher qualquer um dos indicados, mesmo que não fosse o mais votado no processo interno.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
Fonte: Ministério da Educação
A formação de leitores começa muito antes da alfabetização. O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde a primeira infância é um direito fundamental das crianças e uma etapa essencial para o desenvolvimento. Nesse contexto, a implementação de políticas públicas possibilita a ampliação do acesso à literatura e garante que mais crianças tenham oportunidades de vivenciar a leitura. Para fortalecer essas ações, o Ministério da Educação (MEC) está formando a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância. Municípios, estados e o Distrito Federal podem aderir à iniciativa até 31 de julho.
Coordenada pela Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (SNPPI), a comunidade reúne gestores públicos responsáveis por políticas destinadas a bebês e crianças de até seis anos. A proposta busca fortalecer a implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio de cooperação entre os entes federados, troca de experiências e desenvolvimento de capacidades institucionais para planejar, executar, monitorar e avaliar ações voltadas à infância.
A importância dessa articulação entre políticas públicas, escolas, famílias e comunidade destacou-se na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ao longo da programação da Flipinha e da FlipEduca, educadores, escritores e artistas compartilharam experiências que mostram como o incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida pode transformar a relação das crianças com a aprendizagem e a cultura.
Para a atriz, educadora e pesquisadora em teatro, música, dança e literatura Cláudia Ribeiro, arte e educação caminham juntas no desenvolvimento infantil. Em seu trabalho, ela dirige grupos de teatro compostos por crianças, no contraturno escolar, que produzem espetáculos apresentados em escolas do município. A iniciativa aproxima os estudantes à literatura por meio da interpretação, criatividade e experiência artística, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura e fortalece a participação das famílias no processo educativo.
“Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura. No teatro, eu estou sempre incentivando o ato de ler, porque é importante ler o texto, entender o personagem, interpretar as intenções das falas. Quando as famílias entendem que esse processo de junção de arte e educação é muito produtivo e benéfico para as crianças, elas dão a mão para a gente, enquanto educadoras e artistas, e aí a criança só tem a ganhar com tudo isso”.
As experiências apresentadas na Flip reforçam que o acesso à literatura também passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares. A escritora, poeta e produtora cultural Elisa Pereira, que vive em Paraty e é autora do livro infantil Quintal do Vô Benê, explica que o contato com os livros pode começar ainda na primeira infância – e até antes do nascimento. Em sua obra, ela escolheu retratar um avô como personagem central para destacar que o cuidado, o afeto e a transmissão de conhecimentos também fazem parte do papel dos homens na criação das crianças.
“Eu acho que é fundamental. Eu cresci, na verdade, sem essa vivência. Eu não tive mãe ou pai que lessem para mim, mas eu percebo a diferença entre crianças que, desde pequenas – hoje em dia, a gente sabe que pode ler até para os bebês –, tiveram acesso à leitura, e crianças que não tiveram. Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores”.
A professora da rede municipal do Rio de Janeiro Glaucia Abreu, que atua com contação de histórias e literatura na infância, observa que muitas crianças têm seu primeiro contato sistemático com os livros no ambiente escolar. Segundo ela, o hábito da leitura nem sempre está presente no ambiente familiar, o que amplia o papel da escola em despertar a imaginação, a criatividade e o interesse pela literatura. Ao mesmo tempo, ela ressalta que esse trabalho alcança melhores resultados quando a família também participa desse processo.
“Muitas das vezes, a escola introduz esse papel por meio de uma contação simples ou, às vezes, uma contação para dormir para crianças que não vivenciaram isso. Então, a escola está cumprindo um papel que é básico, que aflora a criatividade da criança, assim como a capacidade de ela desenvolver a imaginação e a fantasia, que faz parte do universo infantil. A gente precisa incentivar isso além das portas da escola. A gente precisa incentivar isso na base familiar”.
Cooperação – Os relatos apresentados durante a Flip dialogam com os objetivos da Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, criada pelo MEC para fortalecer políticas públicas voltadas aos primeiros anos de vida.
Instituída pela Portaria nº 540/2026, a comunidade reúne gestores públicos indicados pelos municípios, estados e Distrito Federal em uma rede de cooperação federativa. A iniciativa busca fortalecer as capacidades institucionais dos entes para planejar, executar, monitorar e avaliar políticas públicas destinadas a bebês e crianças de até seis anos, além de promover a troca de experiências, a difusão de conhecimentos técnicos e o aprimoramento contínuo das ações voltadas à primeira infância.
A comunidade está estruturada em dois eixos. O primeiro, Pactuação e Articulação Federativa, prevê oficinas, encontros técnicos e seminários para discutir iniciativas, projetos e programas voltados à primeira infância e incentivo à cooperação entre os entes federativos. Já o eixo Desenvolvimento de Capacidades Institucionais contempla a criação de instrumentos de gestão, protocolos, sistemas de informação, monitoramento e avaliação, além da oferta de ações formativas voltadas ao fortalecimento das capacidades individuais e coletivas da gestão pública.
As experiências compartilhadas por educadores, artistas e escritores na Flip mostram que formar leitores desde a primeira infância depende da atuação conjunta de escolas, famílias, espaços culturais e políticas públicas. Ao criar uma rede permanente de cooperação entre gestores, a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância busca fortalecer essa articulação para que mais crianças tenham acesso a experiências de leitura, cultura e aprendizagem desde os primeiros anos de vida.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
Fonte: Ministério da Educação
Prefeitura promove últimas etapas de capacitação para vigilantes patrimoniais
Prefeitura de Cuiabá lança projeto “Beabá do Sorriso” para fortalecer a saúde bucal de estudantes
Alunos do Centro João Ribeiro poderão ter atividades de recreação com cães de terapia
Regularização fundiária ganha força em Várzea Grande com atendimento aos moradores do Construmat
Campanha do Ministério da Saúde orienta sobre riscos das apostas online e atendimento em saúde mental no SUS
Mais Lidas da Semana
-
Policial21 de julho de 2026, 10:30Governo de MT suspende notícias institucionais do Portal em cumprimento às normas eleitorais
-
Policial20 de julho de 2026, 16:30Polícia Militar prende suspeito por tentativa de feminicídio em Sinop
-
Policial20 de julho de 2026, 17:31Polícia Civil prende foragido por roubo em Poconé
-
Política MT20 de julho de 2026, 10:01Programa Por Dentro do Parlamento aproxima população da ALMT e fortalece formação cidadã

