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Governo libera R$ 73,6 milhões para sustentar preços e apoiar produtores

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A produção brasileira de arroz na safra 2025/26 está projetada em 10,91 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 14,4% em relação ao ciclo anterior, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A área plantada deve atingir 1,56 milhão de hectares, redução de 11,6% frente à safra passada, refletindo a deterioração dos preços no mercado interno.

A situação mais acentuada ocorre no Rio Grande do Sul, estado que concentra cerca de dois terços da produção nacional. A perspectiva é de 7,54 milhões de toneladas, com área plantada estimada em 905,2 mil hectares, queda de 6,5%. Os números confirmam a reação do produtor à formação de preços que, em muitos momentos, ficaram abaixo dos custos operacionais.

O problema central no campo é a discrepância entre preço de mercado e custo de produção. Com o arroz em casca sendo negociado em patamares inferiores ao custo de produção em várias regiões, muitos produtores optaram por reduzir área ou adiar decisões de plantio, contribuindo para a contração do parque agrícola.

Para enfrentar esse cenário, o governo federal, por meio da Conab, anunciou nesta quinta-feira (26.02) a liberação de R$ 73,6 milhões para apoiar a comercialização de arroz da safra 2025/26. Com o aporte, os mecanismos de sustentação de renda somam R$ 716,8 milhões desde 2024, envolvendo instrumentos da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) voltados à manutenção de preços e escoamento da produção.

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O uso de instrumentos como o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e o Prêmio para Escoamento do Produto (PEP) permite injetar recursos quando o preço de mercado fica abaixo do valor mínimo estabelecido para o produtor. Esses mecanismos foram acionados em resposta à diferença observada no Rio Grande do Sul, onde o preço médio recebido pelo produtor ficou em torno de R$ 53,27 por saca de 50 quilos, enquanto o preço mínimo estabelecido está em R$ 63,74 — uma distância superior a R$ 10 por saca.

No caso do Pepro, o produtor ou a cooperativa vende o produto pelo preço de mercado e recebe um complemento que garante, na prática, a equivalência ao preço mínimo. Já no PEP, o incentivo vai para quem compra diretamente a safra nas regiões produtoras e se compromete a escoá-la para beneficiamento ou consumo fora do eixo de origem.

Essas operações dependem da publicação de uma portaria conjunta entre os ministérios responsáveis pela agricultura, desenvolvimento agrário e fazenda — um passo que está programado para os próximos dias. Após a formalização, a Conab divulgará os termos e cronogramas dos leilões que operacionalizarão os incentivos.

A abrangência das ações é ampla: está prevista a movimentação de cerca de 300 mil toneladas de arroz entre regiões produtoras e consumidoras, com destaque para o Rio Grande do Sul, que concentra a maior parte do volume. Estima-se que cerca de 250 mil toneladas apenas do arroz gaúcho deverão ser objeto das operações de estímulo ao escoamento.

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A mobilização financeira no setor ocorre em meio a um contexto de fragilidade de preços e retração da produção. A expectativa de redução de oferta não tem sido suficiente para sustentar preços em níveis que cubram os custos de plantio, tratamento e colheita, indicando uma margem de risco elevada para os produtores. A combinação de custos fixos do sistema produtivo, logística e volatilidade de mercados domésticos e externos pressiona a formação de preços.

O conjunto de ações públicas, contudo, tem por objetivo reduzir a assimetria entre custo e preço e evitar que a queda de área se transforme em descontinuidade produtiva em estados que historicamente lideram a safra nacional. A depender da evolução dos preços no mercado spot e do ritmo de escoamento nos próximos meses, a resposta da cadeia produtiva poderá se tornar um indicativo importante para decisões de plantio na safra seguinte.

O quadro em 2025/26 expõe desafios estruturais do setor de arroz no Brasil: forte concentração geográfica, sensibilidade a custos de produção e dependência de políticas públicas que atuem como amortecedores em momentos de preços comprimidos. Para o produtor, a leitura imediata é clara: sem preços compatíveis com custos, a renda agrícola fica mais vulnerável, exigindo maior atenção à gestão de riscos e à capacidade de acessar instrumentos públicos de suporte.

Fonte: Pensar Agro

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Soja despenca em Chicago, trava negócios no Brasil e mantém preços estáveis no mercado físico

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A forte desvalorização dos contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) marcou o mercado ao longo da semana e contribuiu para a paralisação das negociações no Brasil. Mesmo com a valorização do dólar frente ao real, o recuo das cotações internacionais reduziu o interesse dos agentes do mercado e manteve a comercialização em ritmo lento nas principais regiões produtoras do país.

A combinação entre a queda expressiva em Chicago e o feriado da última quinta-feira diminuiu a liquidez do mercado brasileiro. Como resultado, os preços da oleaginosa permaneceram praticamente inalterados nos principais polos de comercialização.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos seguiu cotada a R$ 126,00 durante toda a semana. Em Cascavel (PR), o valor permaneceu em R$ 121,00 por saca. Já em Rondonópolis (MT), a referência ficou em R$ 110,00. No Porto de Paranaguá (PR), importante termômetro das exportações brasileiras, a cotação se manteve em R$ 132,00 por saca.

Chicago atinge menor nível desde fevereiro

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja com vencimento em julho, os mais negociados do mercado, acumularam perdas superiores a 5% na semana. Na manhã desta sexta-feira (5), o contrato era negociado a US$ 11,26 por bushel, o menor patamar registrado desde o início de fevereiro.

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A pressão baixista está diretamente relacionada aos fundamentos globais da oferta. As condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos seguem beneficiando o desenvolvimento das lavouras, reforçando as expectativas de uma safra cheia na temporada 2026/27.

Além disso, o mercado já começa a revisar para cima as projeções de produtividade das lavouras norte-americanas. O cenário se soma às safras robustas colhidas recentemente por Brasil e Argentina, ampliando a disponibilidade global da commodity e aumentando a pressão sobre os preços internacionais.

Demanda chinesa ainda decepciona mercado

Pelo lado da demanda, os investidores seguem atentos ao comportamento das importações chinesas. Apesar do acordo comercial firmado entre China e Estados Unidos em maio, o mercado ainda não observa uma retomada consistente das compras chinesas de soja norte-americana.

A ausência desse movimento limita o potencial de recuperação das cotações e reforça o ambiente de cautela entre os participantes do mercado internacional.

Relatório do USDA e tensão geopolítica seguem no radar

Nas próximas semanas, dois fatores devem continuar influenciando os preços da soja.

O primeiro é o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na próxima quinta-feira, dia 11. O documento poderá trazer novas revisões para produção, estoques e exportações da oleaginosa.

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O segundo fator é a escalada das tensões no Oriente Médio, que continua gerando volatilidade nos mercados financeiros e energéticos. O impacto sobre os preços do petróleo e o comportamento dos investidores permanecem no centro das atenções.

Dólar sobe, mas não consegue compensar perdas externas

No mercado cambial, o dólar apresentou valorização ao longo da semana, impulsionado pelas incertezas geopolíticas, preocupações com a inflação global e pela expectativa de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos.

A moeda norte-americana avançou cerca de 1,4% frente ao real no período, voltando ao patamar de R$ 5,12.

Apesar do movimento favorável para as exportações brasileiras, a alta do câmbio não foi suficiente para neutralizar o impacto negativo provocado pela forte queda das cotações em Chicago, mantendo o mercado doméstico praticamente paralisado e com poucas alterações nos preços da soja.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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