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Governo orienta renegociação de dívidas do Pronaf para produtores de leite

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Produtores de leite enquadrados no Pronaf que enfrentam dificuldades para honrar financiamentos ganharam uma sinalização importante nas últimas semanas. O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) encaminhou orientação aos bancos operadores do programa para que avaliem e viabilizem a renegociação de dívidas em casos de problemas na comercialização do leite.

A medida reconhece um cenário adverso vivido pela atividade, marcado por queda de preços, oscilações de mercado e entraves no escoamento da produção, fatores que vêm pressionando a renda de milhares de produtores familiares em diferentes regiões do país. Segundo o ministério, trata-se de uma dificuldade considerada temporária, o que permite o uso dos mecanismos já previstos nas regras do crédito rural.

A orientação tem como base o Manual de Crédito Rural (MCR), que autoriza a prorrogação ou renegociação de operações de custeio e investimento quando o produtor comprova incapacidade momentânea de pagamento. Na prática, o governo reforça que esse direito existe, mas precisa ser solicitado formalmente pelo agricultor junto à instituição financeira.

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Para ter acesso à renegociação, o produtor deverá demonstrar que a dificuldade decorre diretamente de problemas de mercado, especialmente relacionados à venda do leite. Também será necessário apresentar documentação ou laudo técnico que comprove a redução de renda, indique a intensidade do impacto econômico e estime o prazo necessário para a recuperação da capacidade de pagamento. Além disso, o banco precisa atestar a viabilidade econômica da atividade após a renegociação.

Os prazos variam conforme o tipo de operação. No caso dos financiamentos de custeio, as parcelas podem ser prorrogadas por até 36 meses. Já nas operações de investimento, a regra permite o adiamento por até um ano após o término do contrato ou a diluição dos valores nas parcelas seguintes, desde que respeitados os limites previstos no MCR.

O ministério também admite que, em situações em que um número elevado de produtores seja afetado em uma mesma região, poderá ser utilizado um laudo técnico coletivo para comprovar as perdas, o que tende a agilizar o processo. A recomendação é que os pedidos sejam feitos antes do vencimento das parcelas, reduzindo riscos de inadimplência e restrições de crédito.

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Para o produtor de leite, o recado é direto: há espaço legal para renegociar, mas é preciso agir, reunir documentação e procurar o banco. Em um momento de margens apertadas, a orientação oficial busca evitar que dificuldades conjunturais se transformem em problemas estruturais para a atividade — especialmente dentro da agricultura familiar, onde o crédito é peça-chave para a continuidade da produção.

Fonte: Pensar Agro

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Agricultura regenerativa avança no Brasil, mas transição ainda exige adaptação e novas políticas de apoio ao produtor

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A agricultura regenerativa vem ganhando espaço no Brasil como um dos principais caminhos para a construção de sistemas produtivos de baixo carbono. No entanto, apesar do avanço das práticas sustentáveis no campo, o setor ainda enfrenta um período de transição marcado por desafios econômicos, tecnológicos e institucionais.

A avaliação é da pesquisadora da Embrapa, Dra. Eliana Fontes, que coordena o Projeto Regenera Cerrado e apresentará o tema no AgrochemShow 2026, em São Paulo. Segundo a especialista, o país reúne condições favoráveis para liderar a agenda global de sustentabilidade agrícola, desde que avance na integração entre inovação, governança de dados e políticas públicas estruturadas.

Produtores que investem em regeneração tendem a ganhar competitividade

De acordo com a pesquisadora, produtores rurais que já adotam práticas regenerativas e investem na gestão de dados estão mais preparados para diferentes cenários regulatórios futuros, incluindo a possível consolidação do mercado de carbono no Brasil.

“Acredito que, independentemente do modelo, quem estiver fazendo o dever de casa com práticas regenerativas e dados bem geridos estará à frente em qualquer mercado”, afirma a Dra. Eliana Fontes.

Para ela, o diferencial competitivo não está apenas na adoção de práticas sustentáveis, mas na capacidade de monitorar, registrar e comprovar os resultados obtidos no campo.

“Vale da transição” ainda é desafio para expansão em larga escala

Apesar do avanço conceitual e tecnológico, a agricultura regenerativa ainda enfrenta o chamado “vale da transição”, período em que o produtor assume custos iniciais mais elevados antes que os ganhos biológicos do sistema se convertam em retorno financeiro.

Segundo a pesquisadora, esse intervalo representa um dos principais entraves à expansão em larga escala das práticas regenerativas no Brasil.

“Os resultados são animadores, mas o produtor enfrenta os investimentos de implementação e um período de espera até que os benefícios da regeneração dos ciclos naturais se traduzam em retorno financeiro pleno”, explica.

Falta de métricas padronizadas limita valorização no mercado

Outro desafio relevante apontado pela especialista é a ausência de métricas padronizadas e sistemas de certificação amplamente reconhecidos para produtos oriundos de sistemas regenerativos.

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Esse cenário dificulta a precificação adequada e a diferenciação desses produtos no mercado, enquanto a agricultura convencional ainda opera com cadeias consolidadas de insumos, assistência técnica e financiamento.

Para a pesquisadora, o avanço depende da criação de instrumentos financeiros específicos para o período de transição, além de maior segurança institucional para o produtor investir no longo prazo.

Dados ambientais ganham papel estratégico na nova agricultura

Na avaliação da especialista, um dos pontos centrais para a evolução do setor está na transformação de dados ambientais em ativos estratégicos de gestão e mercado.

Ela defende a simplificação das informações coletadas no campo, com a criação de indicadores claros e padronizados que possam orientar decisões produtivas e ampliar a confiança de compradores e investidores.

“O dado deixa de ser apenas uma ferramenta de gestão interna para se tornar um ativo de transparência. O rigor na coleta dessas informações é o que garante acesso a novos mercados e melhores condições de financiamento”, destaca a pesquisadora.

Tecnologia e monitoramento são essenciais para escalar o modelo

A escalabilidade da agricultura regenerativa, segundo a especialista, depende da integração entre pesquisa científica, empresas do setor e produtores rurais, com apoio de tecnologias digitais e sistemas de monitoramento, reporte e verificação (MRV).

A proposta é permitir que dados complexos da natureza sejam convertidos em indicadores práticos, aplicáveis diretamente na gestão das propriedades rurais.

“A inovação só ganha escala quando chega, de fato, à ponta”, reforça.

Brasil tem potencial para liderar agricultura de baixo carbono

Com o aumento da demanda global por alimentos produzidos com menor pegada de carbono, o Brasil surge como um dos países mais bem posicionados para liderar a transição para uma agricultura de baixo carbono.

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Segundo a pesquisadora, o país já possui vantagens competitivas em culturas como soja e milho, mas precisa avançar em políticas públicas mais claras, ampliação do uso de bioinsumos e desenvolvimento de ferramentas digitais de monitoramento.

Regenera Cerrado é laboratório de inovação no campo

O Projeto Regenera Cerrado, coordenado pela Embrapa desde 2022, é um dos principais exemplos de aplicação prática da agricultura regenerativa no país.

A iniciativa reúne fazendas no sudoeste de Goiás e envolve universidades e instituições de pesquisa, com o objetivo de validar cientificamente práticas regenerativas e desenvolver modelos produtivos escaláveis que conciliem produtividade e conservação ambiental.

AgrochemShow 2026 debaterá futuro da agricultura regenerativa

O tema será destaque na palestra “Agricultura Regenerativa e Sustentabilidade”, que será ministrada pela Dra. Eliana Fontes durante o AgrochemShow 2026, programado para os dias 3 e 4 de agosto, em São Paulo (SP).

O evento reunirá representantes da indústria química, empresas de biológicos, logística, consultorias regulatórias, distribuidores, revendas, produtores rurais e fornecedores internacionais para discutir tendências, inovação e estratégias de acesso ao mercado agrícola brasileiro.

As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pelo portal allierbrasil.com.br/agrochemshow, mediante doação de cestas básicas destinadas à ONG Crê-Ser, de São Paulo. Em 2025, a iniciativa arrecadou 14 mil quilos de alimentos, reforçando o caráter social do evento. Mais informações estão disponíveis pelo e-mail [email protected].

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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