Agro News

Ibraoliva cobra reforço na fiscalização de azeites importados e adesão do Brasil ao COI para proteger produção nacional

Publicado

O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) apresentou nesta quarta-feira (6), em Brasília (DF), uma série de demandas ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com foco no fortalecimento da produção nacional de azeite e no endurecimento das regras de fiscalização sobre produtos importados.

A pauta foi entregue ao ministro André de Paula e reúne propostas regulatórias, econômicas e sanitárias voltadas à proteção da olivicultura brasileira, que vive um momento de expansão e safra recorde.

Fiscalização de azeites importados e combate a fraudes são prioridades

Entre os principais pedidos, o Ibraoliva solicita a conclusão do laudo pericial de análise sensorial de azeites importados comercializados no varejo brasileiro. A entidade também defende o reforço das ações de fiscalização sobre produtos vendidos como extravirgens, mas que apresentariam inconsistências sensoriais e possíveis irregularidades de rotulagem.

Segundo o instituto, há preocupação crescente com a entrada de azeites de menor qualidade no mercado nacional, muitas vezes comercializados como extravirgens, o que pode gerar concorrência desleal com a produção brasileira.

Adesão ao COI e alinhamento internacional do setor

Outro ponto central da pauta é a solicitação de avanço na adesão do Brasil ao Comitê Oleícola Internacional (COI). A entidade argumenta que a participação no organismo permitiria maior integração às normas técnicas globais e acesso a programas de desenvolvimento voltados à cadeia produtiva do azeite.

A medida também aproximaria o Brasil de países produtores como Argentina e Uruguai, ampliando o intercâmbio técnico e regulatório no setor.

Leia mais:  ApexBrasil aponta mercados alternativos para produtos da Região Sudeste impactados por tarifas dos EUA
Controle de lagares e revisão de normas do azeite

O Ibraoliva propôs ainda a criação de regras mais rígidas para o controle dos lagares nacionais. A proposta inclui a obrigatoriedade de informar ao Ministério da Agricultura a origem das azeitonas processadas, volumes recebidos e produção de azeite.

A entidade também pediu a indicação de representantes do Mapa para o grupo de trabalho responsável pela revisão do regulamento do azeite de oliva no país, com o objetivo de atualizar normas de qualidade e rastreabilidade.

Redução de impostos e ampliação do crédito agrícola

No campo econômico, o instituto defende a redução a zero da tributação sobre a comercialização do azeite produzido no Brasil. O objetivo é aumentar a competitividade do produto nacional frente ao azeite importado, especialmente o europeu.

O documento também solicita maior acesso a crédito agrícola, securitização e seguro rural, especialmente após perdas registradas em safras de 2024 e 2025, impactadas por eventos climáticos adversos.

Preocupação com herbicidas hormonais e proteção dos pomares

A pauta inclui ainda a restrição ao uso de herbicidas hormonais próximos a pomares de oliveiras. Segundo o Ibraoliva, há registros de prejuízos significativos em áreas produtoras, especialmente no Rio Grande do Sul, com casos de perda de produtividade associados à deriva desses produtos.

A entidade informou que está realizando um mapeamento das áreas de cultivo no país para reforçar medidas de proteção fitossanitária.

Leia mais:  Novo protocolo sensorial da Embrapa traz padronização inédita para o chá-mate
Reunião é considerada positiva e destaca safra recorde

O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, avaliou o encontro de forma positiva. Ele destacou que as demandas foram apresentadas em um momento de forte crescimento da produção nacional de azeite.

“Temos uma safra recorde de azeite extravirgem no Brasil, e nossa preocupação é com a concorrência desleal de produtos importados que chegam ao mercado com qualidade inferior, mas são vendidos como extravirgens”, afirmou.

Segundo ele, o ministro sinalizou avanço na adesão do Brasil ao COI, com envio do processo à Casa Civil nos próximos dias.

“Isso permitirá acesso a programas internacionais de fomento e maior eficiência na fiscalização da qualidade do azeite no país”, completou.

Setor em expansão no Brasil

A olivicultura brasileira conta atualmente com cerca de 550 produtores distribuídos em mais de 200 municípios, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.

A área cultivada já ultrapassa 10 mil hectares, e a produção estimada para 2026 deve alcançar aproximadamente 1 milhão de litros de azeite, consolidando um novo patamar histórico para o setor no país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Soja recua na Bolsa de Chicago e no mercado físico com pressão do petróleo, geopolítica e logística no Brasil

Publicado

O mercado da soja voltou a operar em baixa nesta quinta-feira (7), tanto na Bolsa de Chicago quanto no mercado físico brasileiro, em um movimento influenciado principalmente pelo recuo do petróleo, pelas incertezas geopolíticas e pelas condições da safra norte-americana. O cenário reforça a volatilidade das commodities agrícolas diante de fatores externos e internos que seguem pressionando as cotações.

Na Bolsa de Chicago, os contratos da soja operaram em queda no início da manhã, com perdas entre 1,50 e 3 pontos. O contrato de julho voltou a perder o patamar de US$ 12,00 por bushel, sendo negociado a US$ 11,93. O vencimento de setembro ficou em US$ 11,66. O farelo e o óleo de soja também registraram recuos, ainda que mais moderados do que na sessão anterior, sem quedas superiores a 0,3%.

Geopolítica entre EUA e Irã aumenta volatilidade nos mercados

O principal fator de pressão segue sendo o ambiente externo, com destaque para as expectativas em torno de um possível entendimento entre Estados Unidos e Irã. O mercado acompanha com atenção as negociações que podem levar à reabertura do Estreito de Ormuz, o que impactaria diretamente o fluxo global de petróleo e, consequentemente, as commodities.

O avanço das discussões provocou forte reação nos mercados na véspera, com queda generalizada em grãos e energia. No entanto, analistas reforçam que o cenário ainda é instável e sujeito a reversões rápidas, mantendo a volatilidade como principal característica do mercado neste momento.

Leia mais:  Preço do suíno cai em outubro, mas mercado espera recuperação com demanda de fim de ano

Além disso, o bom andamento do plantio da safra 2026/27 nos Estados Unidos, aliado às condições climáticas favoráveis, contribui para limitar movimentos de alta na soja, ampliando a pressão baixista.

Outro ponto de atenção dos traders é o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para ocorrer em Pequim nos próximos dias, que pode trazer novos direcionamentos para o comércio global de commodities.

Soja também cai no Brasil com clima adverso e gargalos logísticos

No mercado brasileiro, a pressão internacional se soma a fatores internos, como problemas climáticos, gargalos logísticos e custos elevados de transporte.

Segundo a TF Agroeconômica, os contratos de soja encerraram a sessão anterior em queda na CBOT, com o vencimento de maio recuando 1,40%, para US$ 11,79 por bushel, e julho caindo 1,38%, para US$ 11,9475. O farelo de soja também recuou 0,97%, enquanto o óleo caiu 2,46%, refletindo o impacto direto da retração do petróleo.

Clima e logística pressionam preços no mercado físico brasileiro

No Rio Grande do Sul, a colheita da soja já atingiu 79% da área, mas segue marcada por forte preocupação com a estiagem, que pode causar perdas de até 50,4% em algumas regiões. A falta de diesel também tem prejudicado a operação de colheitadeiras e elevado os custos produtivos.

As cotações no estado refletiram esse cenário: em Nonoai, a soja caiu 1,75%, para R$ 112,00 por saca, enquanto no porto de Rio Grande o preço ficou em R$ 129,00, recuo de 0,77%.

Leia mais:  ApexBrasil aponta mercados alternativos para produtos da Região Sudeste impactados por tarifas dos EUA

Em Santa Catarina, o mercado apresentou maior estabilidade, sustentado pela demanda da cadeia de proteína animal. Em Palma Sola, a saca foi cotada a R$ 112,00 e em Rio do Sul a R$ 118,00. No porto de São Francisco, o preço ficou em R$ 130,00.

No Paraná, houve recuo de 1,79% em Jacarezinho e Londrina, com a saca a R$ 110,00, enquanto o aumento do custo do frete para Paranaguá, pressionado pelo diesel, adiciona tensão ao mercado.

Em Mato Grosso do Sul, Campo Grande registrou queda de 4,50%, para R$ 106,00, refletindo disputa logística com o milho. Já em Mato Grosso, a colheita foi concluída em 100%, com destaque para o aumento no frete entre Sorriso e Miritituba, que recuou 2,97%, para R$ 306,67 por tonelada.

Mercado segue volátil e atento ao cenário global

O conjunto de fatores reforça um ambiente de elevada volatilidade para a soja, com o mercado ainda altamente dependente de decisões geopolíticas, movimentos do petróleo, clima nos Estados Unidos e gargalos logísticos no Brasil.

A expectativa dos analistas é de que o comportamento dos preços siga sensível a novas notícias envolvendo o Oriente Médio e ao desenrolar da safra norte-americana nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana