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Ideb: Sergipe inicia análise de resultados nas redes

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O Ministério da Educação (MEC) iniciou o Brasil Aprende+, estratégia nacional criada para apoiar os estados, os municípios e o Distrito Federal na transformação dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 em ações de melhoria da aprendizagem. A iniciativa orienta as redes a analisar os dados, identificar desafios, definir prioridades e elaborar planos de ação de acordo com a realidade de cada território.

A mobilização será desenvolvida em oito etapas, que vão da análise dos resultados ao acompanhamento das ações realizadas pelas escolas. O encontro realizado na quarta-feira (19) reuniu o MEC, a Secretaria de Educação do Estado de Sergipe e a presidência estadual da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), além de secretários e representantes técnicos de municípios sergipanos. O objetivo foi apresentar a estratégia nacional e os materiais que serão disponibilizados e aprofundar a discussão sobre os indicadores de aprendizagem, com foco no ensino fundamental.

Durante a reunião, o diretor de Ensino Fundamental da Secretaria de Estado de Sergipe, Erinaldo Alves, destacou o compromisso da rede estadual em analisar os dados educacionais e elaborar um plano de ação para enfrentar os desafios identificados. Segundo ele, o estado pretende se debruçar sobre os resultados, mapear as escolas com Ideb abaixo de 5 e desenvolver estratégias para avançar na aprendizagem dos estudantes.

O presidente da seccional da Undime em Sergipe, João Luiz, ressaltou a importância da mobilização dos municípios para melhorar os resultados nos anos iniciais. Ele também destacou a força do regime de colaboração entre o estado e os municípios, que, segundo ele, já vem contribuindo para os avanços da educação em Sergipe.

A estratégia será apresentada em 27 encontros técnicos estaduais, envolvendo os 26 estados e o Distrito Federal. Ao longo do processo, as redes terão acesso a ferramentas, painéis de dados e materiais para apoiar gestores, coordenadores pedagógicos e professores na implementação e no acompanhamento das ações.

Sergipe – De 2023 a 2025, em uma escala de 0 a 10, o Ideb do ensino fundamental de Sergipe passou de 5,4 para 5,8 nos anos iniciais e de 4,4 para 4,8 nos anos finais. Já o Ideb do ensino médio passou de 4,0 para 4,3. Na rede pública do estado, o resultado passou de 4,9 para 5,4 nos anos iniciais; de 4,0 para 4,4 nos anos finais; e de 3,7 para 4,1 no ensino médio. Com esses resultados, o Ideb alcançou, nas três etapas avaliadas, os maiores valores da série histórica iniciada em 2005.

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Os dados serão utilizados como ponto de partida para o trabalho do Brasil Aprende+ no estado. A partir da análise dos resultados, as redes serão apoiadas na identificação dos principais desafios de aprendizagem e na construção ou revisão de seus planos de ação. Os documentos deverão definir prioridades, estratégias e resultados esperados com base nas evidências de cada território.

Para os municípios prioritários, o MEC disponibilizará ainda uma área específica no Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (Simec), destinada ao detalhamento das ações relacionadas à recomposição das aprendizagens.

Ideb Nacional – Entre 2023 e 2025, o Ideb nacional também avançou nas três etapas avaliadas, considerando as redes públicas e privadas. Em uma escala de 0 a 10, o índice passou de 6,0 para 6,3 nos anos iniciais do ensino fundamental, de 5,0 para 5,3 nos anos finais e de 4,3 para 4,5 no ensino médio.

Considerando apenas a rede pública, o Ideb passou de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais, de 4,7 para 5,0 nos anos finais e de 4,1 para 4,3 no ensino médio. Com esses resultados, o país alcançou, nas três etapas, os maiores valores da série histórica iniciada em 2005.

Os resultados do Ideb e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025 foram divulgados em 5 de agosto pelo MEC, por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Brasil Aprende+ – Entre os instrumentos previstos pelo Brasil Aprende+ está uma caixa de ferramentas, com painéis interativos, relatórios personalizados por rede de ensino, materiais orientadores, guias e ferramentas para gestores escolares, coordenadores pedagógicos e professores.

Ainda em agosto, o painel de priorização vai disponibilizar dados de todas as escolas do país. A ferramenta permitirá comparar os resultados de 2025 e a trajetória das unidades entre 2023 e 2025, ajudando a identificar escolas com resultados baixos, queda ou estagnação no desempenho.

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Na segunda semana de setembro, será realizado o Dia D, mobilização nacional para apropriação dos resultados nas escolas. Cada rede poderá escolher a data, entre 8 e 11 de setembro, para reunir gestores, coordenadores pedagógicos e professores, analisar o desempenho dos estudantes, identificar lacunas de aprendizagem e definir prioridades.

Depois do Dia D, cada escola será estimulada a elaborar seu próprio plano de ação, conectado à realidade da unidade e integrado ao planejamento da rede. O trabalho será acompanhado ao longo do ano, com apoio do MEC na análise das evidências e no direcionamento de formação, apoio técnico e financeiro e outras políticas e programas, conforme os desafios identificados.

O Brasil Aprende+ integra o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens, política construída em colaboração com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a Undime para apoiar os entes federativos na recomposição das aprendizagens de estudantes da educação básica. A iniciativa busca contribuir para a redução das desigualdades e o fortalecimento da equidade na educação.

Ideb – O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, criado em 2007, no âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), é um indicador que combina o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Saeb com as taxas de aprovação apuradas pelo Censo Escolar, permitindo acompanhar a qualidade da educação básica brasileira. Integra o conjunto de indicadores utilizados para o monitoramento das metas educacionais previstas no Plano Nacional de Educação (PNE). Considerando que a vigência do PNE foi prorrogada até 31 de dezembro de 2025, o índice permanece como referência para o monitoramento das políticas educacionais e para a avaliação dos avanços e desafios na consecução dos objetivos estabelecidos pelo PNE durante o período de vigência.

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Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Básica (SEB)

Fonte: Ministério da Educação

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Realizar o sonho de aprender a ler e escrever não tem idade

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Na Bahia, durante boa parte de sua vida, Elias dos Santos carregou um desejo que foi adiado devido às circunstâncias: voltar à escola. Aos 78 anos, já aposentado, decidiu transformar esse sonho em realidade e retomou seus estudos por meio da educação de jovens e adultos (EJA). Seu objetivo era aprender a ler e escrever.

A história de Elias ganhou repercussão em todo o Brasil quando um vídeo de seu filho, o professor Pertiano dos Santos, emocionar milhares de pessoas nas redes sociais. Durante uma comemoração surpresa de aniversário dentro da sala de aula, em Salvador (BA), o filho falou do orgulho de ver seu pai realizar um sonho que havia atravessado décadas.

Desde muito jovem, Elias precisou conciliar estudo com a rotina intensa de trabalho no campo, além de enfrentar um longo deslocamento diário de transporte público. Até que um dia o cansaço venceu. “De onde eu morava, era uma hora e meia de ônibus. Aí eu perdia muito tempo dentro do ônibus dormindo, muito cansado. Aí eu maneirei, não deu para estudar não”, recordou. 

A interrupção dos estudos, porém, não apagou a vontade de aprender. Elias conta que o desejo de voltar à escola reaparecia sempre que percebia as dificuldades para ler ou escrever algo. Aos poucos, ele começou a exercitar a leitura por conta própria. Depois de conseguir um novo par de óculos, passou a ler a Bíblia e percebeu que era hora de retornar definitivamente aos estudos. 

Um novo começo na EJA – A entrada de Elias em uma turma da EJA trouxe mudanças que ultrapassaram a aprendizagem. Na escola, encontrou convivência, rotina e um novo espaço de participação.

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A dedicação dele logo chamou a atenção de professores e colegas, sobretudo ao perceberem que Elias sempre chegava cerca de meia hora antes de a aula começar. Com o tempo, sua pontualidade passou a influenciar também outros estudantes, que passaram a chegar mais cedo. 

Para os educadores, receber estudantes com uma trajetória como a de Elias, que já foi tirador de leite, vaqueiro, tropeiro e trabalhador da roça, reforça o sentido da EJA. 

A professora Eliúde da Silva admira o desejo de aprendizagem, a força de vontade, a alegria e a disposição de Elias. “Ele não apenas aprende, mas também contribui com os demais estudantes e com os próprios docentes”, explicou.

Para Elias, o retorno à escola também trouxe uma percepção renovada de independência. Hoje, ele realiza atividades escolares em casa e comemora cada avanço na compreensão de textos.

Atualmente, amigos e conhecidos são incentivados por ele regularmente para retomarem seus estudos. Em conversas com pessoas da comunidade e até de outras localidades, insiste para que elas voltem à sala de aula. “Estudar é bom, você se diverte, você se move lá na escola, aprende a escrever seu nome”, contou.

O estudante que voltou à escola para superar as próprias dificuldades tornou-se um exemplo para outros adultos que ainda desejam aprender.

Para Pertiano, a decisão do pai revela a força de alguém que enfrentou uma vida de trabalho sem abandonar completamente aquilo que desejava realizar. Ao olhar para o pai, diz enxergar coragem, audácia e uma grande alegria de viver.

“Meu pai é um homem de 78 anos que, recentemente, depois de aposentado, decidiu estudar. Eu acho que isso reflete uma história de um homem forte, que não deixou que as dificuldades da vida o impedissem de realizar os seus sonhos”, afirmou.

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Há uma dimensão familiar que ajuda a explicar essa relação com o conhecimento. Elias lembra de um ensinamento que recebeu do próprio pai: “o meu pai me dizia para eu estudar, porque o estudo era uma coisa que ninguém tirava da gente”, lembrou. 

Décadas depois, essa frase ganhou um novo sentido: Elias voltou à escola. Sua trajetória mostra que o direito à educação não termina com a juventude. 

Números – De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), o Brasil registrou, em 2025, a menor taxa de analfabetismo da série histórica: 4,9% entre a população com 15 anos ou mais. Em 2024, o índice era de 5,3%. Essa faixa etária integra o público atendido pelas políticas de educação de jovens e adultos nos estados.

CadEJA – O Ministério da Educação (MEC) desenvolve uma série de ações vinculadas ao Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA (Pacto EJA), conjunto de iniciativas colaborativas implementadas com a participação dos entes federativos, incluindo o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), plataforma virtual criada para registrar o interesse em cursar a EJA e auxiliar o planejamento da oferta de vagas.

Instituído pela Portaria nº 275/2026, o CadEJA funciona como uma ponte entre pessoas interessadas em retomar os estudos e as oportunidades de EJA disponíveis. Na plataforma, as pessoas podem manifestar interesse em voltar a estudar e receber orientação para encontrar uma oportunidade de matrícula. A iniciativa envolve quatro diferentes perfis de acesso: usuários, operadores, agentes de cadastro e gestores. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC

Fonte: Ministério da Educação

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