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Impasse entre parlamentares e governo trava socorro financeiro ao agronegócio

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as negociações com o Ministério da Fazenda em busca de um socorro financeiro para o setor, mas esbarrou em um impasse técnico que ameaça o planejamento da próxima safra.

Ao apresentar uma contraproposta com taxas de juros mais acessíveis e prazos estendidos, a bancada ruralista tenta reverter as restrições impostas pelo governo, que, até o momento, limita o auxílio apenas aos prejuízos causados por eventos climáticos, excluindo o impacto das oscilações de mercado que também comprimiram a receita dos produtores.

O agronegócio, motor de cerca de um quarto do PIB nacional, enfrenta um cenário de crescente pressão sobre o fluxo de caixa. Entre 2019 e 2025, uma sucessão de frustrações climáticas, somada à desvalorização dos preços das commodities, gerou um passivo significativo que agora trava a capacidade de investimento para o próximo ciclo produtivo. A urgência da FPA em encontrar uma solução baseia-se no temor de que a falta de crédito provoque uma retração na área plantada e no uso de tecnologia, impactando a produtividade de um setor que é pilar da balança comercial brasileira.

Disputa de números

A divergência entre as propostas em mesa reflete a busca pelo equilíbrio entre a viabilidade do produtor e a responsabilidade fiscal do governo. A FPA defende um modelo de renegociação mais abrangente: para perdas por eventos climáticos, a sugestão é de juros de 4%, 6% e 8% ao ano. Já para perdas causadas por movimentos de mercado, a bancada propõe taxas de 5%, 7% e 9% — valores escalonados conforme o porte do produtor. A entidade pede ainda um prazo de oito anos para pagamento, com dois de carência, e a ampliação do teto de financiamento para R$ 10 milhões por CPF.

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O Ministério da Fazenda, contudo, mantém uma postura de maior rigor. A contraproposta do Executivo foca exclusivamente em perdas climáticas, com juros mais elevados — 6%, 9% e 12% ao ano — e um prazo menor de quitação: seis anos de pagamento com dois de carência. Além disso, a pasta sugere um limite de R$ 8 milhões por CPF para a renegociação.

Pontos de consenso e entraves

Embora o impasse nas taxas e na abrangência das dívidas persista, houve avanços em pontos estruturais. O governo concordou em manter o teto de R$ 50 milhões para financiamento a cooperativas, permitindo que estas atuem no repasse de crédito aos cooperados. Também houve progresso na discussão sobre um fundo garantidor e na flexibilização da regulamentação do crédito rural, permitindo que os bancos aproveitem melhor as garantias já existentes, atrelando-as à proporcionalidade da dívida.

Outro mecanismo em debate é a operação “mata-mata” para as Cédulas de Produto Rural (CPRs). A ideia é permitir que produtores emitam novos títulos para quitar dívidas anteriores, uma forma de organizar o passivo e destravar o fluxo financeiro. No entanto, o tratamento das dívidas privadas permanece como um dos pontos mais críticos; a FPA quer evitar que débitos remanescentes sejam renegociados a taxas próximas de 20%, defendendo uma trava atrelada à Selic para não inviabilizar a renegociação.

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A expectativa é que um texto de consenso surja nos próximos dias, seja para a publicação de uma Medida Provisória, com vigência imediata, ou o envio de um projeto de lei em regime de urgência. A resolução rápida é tratada pela bancada ruralista como condição indispensável para garantir que o setor mantenha o ritmo de produção que sustenta a economia nacional.

Fonte: Pensar Agro

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Cafés especiais do Brasil podem gerar US$ 252 milhões em negócios na Europa e ampliam presença no mercado internacional

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O setor brasileiro de cafés especiais ampliou sua presença no mercado europeu e projeta resultados expressivos para as exportações. As ações promovidas pelo projeto “Brazil. The Coffee Nation”, desenvolvido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), devem movimentar aproximadamente US$ 252 milhões em negócios, consolidando a Europa como um dos principais destinos da produção nacional de cafés de alta qualidade.

As iniciativas reuniram 77 empresários brasileiros em missões comerciais na Inglaterra e na Bélgica, além da participação na World of Coffee Brussels, uma das maiores feiras internacionais do segmento. Durante a agenda, foram realizados 1.145 contatos comerciais, dos quais 649 com novos clientes, resultando em US$ 33,1 milhões em negócios fechados durante o evento e expectativa de mais US$ 218,9 milhões em contratos ao longo dos próximos 12 meses.

Missões comerciais fortalecem exportações brasileiras

As missões comerciais contaram com a participação de 25 empresários brasileiros, incluindo nove produtoras integrantes do projeto “Produzido por Elas”, iniciativa da BSCA em parceria com a International Women Coffee Alliance (IWCA), com apoio da ApexBrasil.

Em Londres, a programação incluiu visitas técnicas e comerciais às empresas Notes Coffee, Grind, Mercanta e Coffee Centre, proporcionando intercâmbio de experiências, prospecção de clientes e atualização sobre as tendências do mercado britânico.

Na Bélgica, os empresários participaram de encontros de negócios com empresas como Wide Awake, MOK e Café Capitale, além de um roteiro especializado em Antuérpia conduzido pelo mestre de torra Tom Jansen, cofundador da OR Coffee Roasters. A programação incluiu visitas a importantes cafeterias e torrefações reconhecidas pelo trabalho com cafés especiais e comércio direto com produtores.

World of Coffee impulsiona imagem do café brasileiro

Entre os dias 26 e 28 de junho, a delegação brasileira participou da World of Coffee Brussels, considerada um dos principais eventos globais da cadeia de cafés especiais.

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O Brasil contou com um estande estrategicamente localizado, reunindo espaço para rodadas de negócios, brew bar para degustação de cafés especiais de diversas regiões produtoras e uma sala exclusiva para sessões de cupping com cafés de associados da BSCA, incluindo amostras produzidas por mulheres participantes do projeto “Produzido por Elas”.

Segundo o diretor-executivo da BSCA, Vinicius Estrela, os resultados demonstram a relevância da estratégia brasileira de promoção comercial no continente europeu.

A Europa permanece como o principal parceiro comercial dos cafés especiais brasileiros e as ações desenvolvidas pelo projeto buscam ampliar negócios, fortalecer a presença nacional e consolidar a reputação do Brasil como fornecedor de cafés de alta qualidade.

Acordo com o Coffee Quality Institute amplia capacitação no Brasil

Além dos resultados comerciais, a missão internacional trouxe um avanço importante para a qualificação da cafeicultura brasileira.

A BSCA assinou um Memorando de Entendimento com o Coffee Quality Institute (CQI), tornando-se a representante exclusiva da instituição no Brasil para oferta dos programas educacionais da organização.

A parceria permitirá ampliar o acesso de produtores e profissionais brasileiros aos treinamentos, certificações e metodologias internacionais voltadas ao processamento e à qualidade dos cafés especiais.

Segundo o CEO do CQI, Michael Sheridan, o objetivo é expandir significativamente o acesso à educação especializada no Brasil, tornando os cursos mais acessíveis e formando um número maior de instrutores brasileiros para ministrar os treinamentos em português.

Para o presidente da BSCA, Luiz Roberto Saldanha, o acordo representa um marco para a cafeicultura nacional ao permitir que produtores de diferentes portes e regiões tenham acesso a conhecimentos considerados referência mundial em processamento de cafés especiais.

A expectativa é que a disseminação dessas tecnologias contribua para elevar ainda mais a qualidade, a consistência e a competitividade do café brasileiro no mercado internacional.

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Brasil também ganha destaque nos campeonatos mundiais

A participação brasileira na World of Coffee Brussels também foi marcada pelo desempenho em importantes competições internacionais promovidas durante o evento.

A gerente técnica da BSCA, Carolina Franco, atuou como juíza sensorial no Campeonato Mundial de Brewers Cup e, devido ao desempenho durante as etapas classificatórias, foi convidada para integrar o painel de jurados das finais da competição.

Na disputa entre os baristas, a brasileira Juliana Morgado representou o país levando aos jurados uma apresentação inspirada na diversidade da cafeicultura nacional e no protagonismo feminino na produção de cafés especiais, valorizando toda a cadeia produtiva brasileira.

O Brasil também esteve presente no Campeonato Mundial de Torra de Café com Fábio Milan, o mais jovem campeão brasileiro da modalidade, que apresentou técnicas e conhecimentos científicos sobre o processo de torra.

Já no Campeonato Mundial de Coffee in Good Spirits (CIGS), o barista Léo Oliva representou novamente o país com uma apresentação inspirada na cultura brasileira, utilizando sabores típicos das festas juninas para destacar a versatilidade dos cafés especiais nacionais.

Europa segue como mercado estratégico para os cafés especiais

Os resultados alcançados pelas missões comerciais reforçam a importância da Europa para as exportações brasileiras de cafés especiais. Além da abertura de novos mercados, as iniciativas ampliam o relacionamento com compradores internacionais, fortalecem a imagem do Brasil como referência em qualidade e agregam valor à produção nacional.

Com perspectivas de movimentar cerca de US$ 252 milhões em negócios e novos investimentos em capacitação técnica, o setor consolida sua estratégia de expansão internacional e amplia sua competitividade em um mercado cada vez mais exigente e voltado à qualidade do produto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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