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Inteligência artificial revoluciona operações florestais e aumenta precisão do plantio à colheita

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O avanço da inteligência artificial no agronegócio começa a transformar de forma profunda a silvicultura brasileira. Em um setor que movimentou R$ 240 bilhões em 2024 e administra mais de 10 milhões de hectares de florestas plantadas no país, soluções digitais ganham espaço para aumentar precisão operacional, reduzir desperdícios e melhorar a tomada de decisão do plantio à colheita.

O Brasil ocupa posição de destaque global na produtividade florestal, especialmente no cultivo de eucalipto, com médias entre 35 e 40 metros cúbicos por hectare ao ano, segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). A produção de madeira em tora destinada à indústria de papel e celulose também bateu recorde pelo segundo ano consecutivo.

Nesse cenário de larga escala, pequenas falhas operacionais podem representar perdas milionárias ao longo do ciclo produtivo.

Gestão florestal ainda enfrenta gargalos operacionais

Apesar da evolução do setor, grande parte das operações florestais ainda depende de processos manuais e sistemas baseados em estimativas e amostragem. Atividades como definição das linhas de plantio, avaliação da sobrevivência de mudas e inventário de resíduos pós-colheita frequentemente acumulam imprecisões que só aparecem anos depois no resultado operacional.

Como o ciclo florestal possui longo prazo de maturação, erros de planejamento acabam impactando produtividade, logística, uso de insumos e rentabilidade de forma silenciosa.

Foi para atacar esses gargalos que a BemAgro, agtech de Ribeirão Preto (SP), desenvolveu um ecossistema de soluções baseadas em inteligência artificial voltadas à silvicultura de precisão. A empresa é investida e parceira estratégica da Suzano.

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IA automatiza planejamento do plantio florestal

Uma das etapas mais complexas da operação florestal é o planejamento das linhas de preparo do solo e plantio. Tradicionalmente, esse processo exige análise técnica detalhada de variáveis como relevo, tipo de solo, drenagem e dimensões das máquinas utilizadas em campo.

Com o uso do sistema Forest Planning, esse trabalho passa a ser automatizado.

A plataforma utiliza inteligência artificial para gerar diferentes cenários de linhas de preparo e plantio com base nas características do terreno e nos equipamentos disponíveis. O gestor consegue comparar os cenários por indicadores objetivos, como número de manobras e extensão total das linhas operacionais.

Além disso, o sistema exporta automaticamente os projetos para os monitores das máquinas agrícolas, permitindo execução direta em campo com maior padronização operacional.

A ferramenta também automatiza a geração de terraços agrícolas, considerando fatores como volume de chuva, área de contribuição hídrica e controle de erosão.

Inteligência artificial identifica falhas no plantio em apenas 20 dias

Outro desafio crítico na silvicultura é a avaliação da sobrevivência das mudas após o plantio. Em muitos casos, decisões de replantio ainda são tomadas com base em amostragens manuais, o que aumenta o risco de erro e compromete a uniformidade do estande florestal.

A solução Forest Early Control utiliza inteligência artificial para realizar um censo completo do talhão cerca de 20 dias após o plantio.

O sistema identifica individualmente cada muda, faz o georreferenciamento das plantas e aponta falhas com precisão espacial. O resultado inclui índice real de sobrevivência, localização exata das falhas em metros lineares e percentual da área efetivamente plantada.

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Com informações detalhadas em mãos, o gestor consegue direcionar o replantio apenas para as áreas que realmente necessitam de correção, reduzindo desperdícios de mudas, fertilizantes e mão de obra.

Tecnologia melhora inventário de resíduos florestais

Após a colheita e o baldeio da madeira, parte do volume permanece distribuída no campo. Em operações convencionais, o inventário desses resíduos costuma ser feito por amostragem, o que gera dados pouco precisos para planejamento logístico.

A solução Forest Harvesting automatiza esse processo utilizando inteligência artificial e mapeamento censitário.

Cada tora remanescente é identificada individualmente, georreferenciada e classificada conforme parâmetros definidos pela operação. O sistema calcula comprimento, diâmetro e volume dos resíduos, além de gerar mapas de densidade que indicam as áreas com maior concentração de material.

Com isso, as equipes conseguem organizar rotas de coleta mais eficientes e reduzir custos operacionais na remoção da madeira residual.

Operação integrada conecta dados e execução no campo

Segundo a BemAgro, um dos principais diferenciais da plataforma está na integração entre inteligência geoespacial e operação prática em campo.

Ao invés de apenas gerar mapas e relatórios estáticos, os sistemas transformam os dados coletados em informações operacionais aplicáveis diretamente na rotina florestal. Os relatórios alimentados pelos modelos proprietários de inteligência artificial são integrados a ferramentas avançadas de edição geoespacial, permitindo personalização conforme a realidade de cada operação.

O objetivo é tornar a silvicultura mais conectada, previsível e sustentável, alinhando produtividade, eficiência operacional e uso racional de recursos em toda a cadeia florestal.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

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A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

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Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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