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Ipês simbolizam memória e luta contra feminicídios em Mato Grosso

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Com simbolismo de resistência, vida e imponência, o ipê, árvore característica do Centro-Oeste, foi escolhido para homenagear, nesta sexta-feira (28 de março), as 54 mulheres vítimas de feminicídio em Mato Grosso nos anos de 2024 e 2025. Sua florada roxa representa cada mulher, filha, mãe, tia, amiga, vizinha e colega de trabalho que teve sua vida interrompida pela violência de gênero.
A ação, promovida pelo Núcleo das Promotorias de Justiça Especializadas no Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, é parte do projeto “Memória Delas”, do Observatório Caliandra, desenvolvido pelo Ministério Público de Mato Grosso. O objetivo é manter viva a memória das vítimas e sensibilizar a sociedade sobre a gravidade da violência contra a mulher.
A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, coordenadora do Núcleo, destacou a importância do memorial pela conscientização para o enfrentamento da violência. “Nosso objetivo é impactar a sociedade. No futuro, ao verem esses ipês floridos, as pessoas se lembrarão da gravidade desse problema. Mas esse memorial é apenas uma das iniciativas. Para mudar essa realidade, precisamos focar na educação”, afirmou.
Participante do evento Neuza Peixoto, tia da adolescente Emelly Azevedo Sena, brutalmente assassinada, representou os familiares das vítimas e expressou seu desejo de que outras mulheres não tenham seus sonhos interrompidos pela violência. “Emelly estava florescendo para a vida, cheia de planos e sonhos. Espero que essa luta continue para que nenhuma outra mulher perca suas esperanças e sua vida”, declarou.
O plantio simbólico ocorreu na 2ª etapa do Parque Tia Nair, em Cuiabá, e contou com a parceria da Prefeitura de Cuiabá, por meio das Secretarias Municipais da Mulher e do Meio Ambiente, da Empresa Cuiabana de Limpeza Urbana e da Ginco Urbanismo. Também participaram do plantio a coordenadora Centro de Apoio Operacional sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Gênero Feminino, a procuradora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela e a coordenadora do Núcleo Vida Plena, promotora de Justiça Gileade Pereira Souza Maia.
A secretária municipal da Mulher, Hadassah Suzannah, ressaltou a necessidade de ampliar os esforços na prevenção. “Hoje é um dia de profunda reflexão. Saímos daqui impactados com essas histórias. Nosso desafio é atender as mulheres, mas o maior desafio é a prevenção”, afirmou.
A delegada Judá Maali Marcondes, titular da Delegacia Especializada em Defesa da Mulher de Cuiabá, reforçou a urgência da luta contra o feminicídio. “Lutamos diariamente para combater essa violência. O feminicídio é o ápice de um ciclo de agressões. Ao vermos esses ipês, seremos lembrados de que ainda há muito a ser feito para reduzir esses índices alarmantes”, disse.
O juiz Marcos Terêncio Agostinho Pires, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, lamentou a realidade do estado. “O que me entristece e envergonha é que, em um estado tão pujante, ainda precisemos enfrentar essa dura realidade”, afirmou.
A deputada federal Gisela Simona, relatora do Pacote Antifeminicídio na Câmara dos Deputados, destacou que legislação mais rigorosa é fundamental, mas não suficiente para erradicar a violência de gênero. “Tivemos o primeiro caso de feminicídio julgado integralmente com base na nova lei, o que representou um avanço. No entanto, é fundamental que não haja impunidade para que esse crime não continue devastando tantas vidas”, alertou.
A homenagem com o plantio dos ipês simboliza a memória das vítimas e o compromisso com a luta pela erradicação da violência contra a mulher, unindo sociedade e instituições em um chamado por justiça e igualdade.Participaram do ato: a vereadora Michelly Alencar; o secretário-adjunto municipal do Meio Ambiente Valdemir Piazza; a secretária de Ordem Pública de Cuiabá Juliana Palhares e a coordenadora de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Vulneráveis, a delegada Mariell Antonini Dias Viana.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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MPMT e Prefeitura alinham ações para desocupação de áreas verdes

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O avanço de ocupações irregulares em áreas públicas situadas nos loteamentos Senador Jonas Pinheiro e Residencial Ilza Therezinha Picoli Pagot foi tema de uma reunião realizada nesta sexta-feira (28) entre o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e a Prefeitura de Cuiabá. O encontro foi conduzido pela promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa, titular da 17ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística da Capital, e contou com a participação do Prefeito Abilio Brunini, da Secretária Municipal de Ordem Pública, Juliana Palhares, e de técnicos da administração municipal. Na ocasião, foram discutidas as medidas adotadas para conter novas invasões e garantir a proteção das áreas.Recentemente, o MPMT notificou o Município de Cuiabá para que, no exercício do poder de polícia administrativa, adotasse providências destinadas à desocupação de duas áreas verdes ocupadas irregularmente. Parte da região afetada está inserida em Área de Preservação Permanente (APP), com a presença de nascente difusa. A atuação ministerial considera o crescimento das ocupações em uma área classificada pela Defesa Civil como de alto risco, exigindo medidas preventivas para impedir novas construções e assegurar a preservação ambiental.Segundo a promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa, a atuação conjunta busca assegurar o cumprimento da legislação urbanística e ambiental. A região já havia sido alvo de ações fiscalizatórias anteriormente. Em abril de 2025, foram realizadas demolições de imóveis em construção e sem ocupação. Já na quinta-feira (27), uma nova operação resultou na demolição de 19 edificações desabitadas erguidas irregularmente na área invadida.De acordo com a secretária Municipal de Ordem Pública, Juliana Palhares, o trabalho da Prefeitura tem sido realizado em consonância com as orientações do Ministério Público. “A ação teve como foco construções sem ocupação identificadas durante o monitoramento da área. Além de famílias em situação de vulnerabilidade, foram encontradas edificações de grande porte e padrão construtivo elevado, evidenciando que parte das ocupações não está relacionada exclusivamente à necessidade de moradia. O Município seguirá adotando medidas para impedir novas invasões e garantir o cumprimento da legislação”, afirmou.A promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa reforçou que o Ministério Público continuará acompanhando o caso e adotando as medidas extrajudiciais e judiciais necessárias para promover a desocupação das áreas irregularmente ocupadas, assegurar a preservação das áreas verdes e proteger os recursos ambientais existentes na região.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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