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ISO projeta superávit global de açúcar em 2025/26, mas estoques caem ao menor nível em 15 anos

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O mercado mundial de açúcar deve registrar superávit de 1,218 milhão de toneladas na safra 2025/26, segundo o relatório Quarterly Market Outlook de fevereiro, divulgado pela International Sugar Organization (ISO). Apesar do excedente, a relação estoque/consumo ajustada caiu para menos de 42,4%, o menor nível em 15 anos, sinalizando um cenário de oferta ainda apertada.

Revisão reduz superávit e amplia déficit anterior

Esta é a segunda revisão da ISO para o balanço global da safra 2025/26. O superávit inicialmente projetado em novembro — de 1,625 milhão de toneladas — foi reduzido. Já o ciclo anterior (2024/25) teve seu déficit ampliado para 3,464 milhões de toneladas, frente aos 2,916 milhões estimados anteriormente, após ajustes no consumo dos Estados Unidos.

Produção global cresce, mas consumo permanece elevado

A produção mundial está estimada em 181,287 milhões de toneladas, um aumento de 5,231 milhões (+2,97%) em relação a 2024/25. Mesmo com o crescimento, o volume supera em apenas 0,192 milhão o total de 2023/24, mostrando ritmo moderado de expansão.

O consumo global deve alcançar 180,069 milhões de toneladas em 2025/26, crescimento de 0,31% sobre o ciclo anterior. O recorde histórico permanece em 2023/24, quando o consumo atingiu 181,207 milhões de toneladas.

Comércio internacional mantém leve superávit

As exportações mundiais são projetadas em 64,324 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo das 64,796 milhões registradas em 2024/25. As importações, por sua vez, devem somar 63,222 milhões de toneladas, resultando em um superávit comercial de 1,102 milhão. No ciclo anterior, o saldo foi praticamente neutro, com apenas 0,065 milhão de toneladas positivas.

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Estoques globais seguem apertados

Os estoques finais mundiais são estimados em 93,3 milhões de toneladas para 2025/26, quase estáveis frente a 2024/25 (93,184 milhões). Contudo, a relação estoque/consumo recuou para 51,81%, e, no cálculo ajustado da ISO, caiu para menos de 42,4% — o menor patamar desde 2010. O cenário indica limitação de estoques diante do aumento da demanda global.

Fundos ampliam posição vendida na Bolsa de Nova York

No mercado futuro, investidores mantêm forte presença especulativa. A posição bruta vendida dos fundos na ICE Futures equivale a 22,6 milhões de toneladas, cerca de 60% do comércio mundial anual de açúcar bruto. A posição líquida vendida soma 13,5 milhões de toneladas, refletindo pressão técnica e expectativa de ajustes de preço.

Etanol registra crescimento global e recuperação no Brasil

O mercado mundial de etanol combustível também mostrou expansão. A produção atingiu 122,9 bilhões de litros em 2025, alta de 3,1% em relação a 2024, com projeção de 127,7 bilhões para 2026. O consumo global deve subir de 122,7 bilhões para 125,3 bilhões de litros no mesmo período.

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Os Estados Unidos lideraram o setor, com produção recorde de 62,5 bilhões de litros e exportações históricas de 8,3 bilhões, impulsionadas pela ampla oferta de milho. No Brasil, a produção recuou para 33,2 bilhões de litros em 2025 devido ao maior direcionamento de cana para açúcar, mas a ISO projeta recuperação para 36,3 bilhões em 2026, acompanhando a mudança de paridade a favor do biocombustível. A Índia, por sua vez, elevou sua produção em 45%, atingindo 10,4 bilhões de litros em 2025.

Melaço e bioplásticos também entram no radar

As exportações globais de melaço de nove origens totalizaram 3,58 milhões de toneladas em 2025, queda de 2% frente às 3,65 milhões de 2024. Com o fim da taxa de exportação na Índia, o país poderá embarcar até 750 mil toneladas em 2025/26, após duas safras de restrições.

Já o setor de bioplásticos apresenta forte crescimento: a capacidade global deve dobrar de 2,31 milhões de toneladas em 2025 para 4,69 milhões até 2030, impulsionada por metas ambientais europeias e maior pressão regulatória sobre plásticos fósseis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Conama aprova resolução sobre uso responsável do fogo

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O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou, na última quarta-feira (10/6), resolução que amplia a segurança jurídica, padroniza procedimentos e fortalece a gestão integrada do uso do fogo. A deliberação ocorreu durante a 150ª Reunião Ordinária do Plenário, realizada na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília (DF), com a presença do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. 

A norma estabelece critérios e condições mínimas para a emissão da Autorização por Adesão e Compromisso (AAC), utilizada para realizar queima controlada com finalidades agrossilvipastoris em locais cujas peculiaridades justifiquem o uso do fogo controlado. 

Ao destacar as ações já em curso para prevenir e combater incêndios florestais, Capobianco relembrou o desafio imposto pelo El Niño. O fenômeno climático altera o regime de chuvas, o que pode provocar secas severas e risco de incêndios florestais de grandes proporções. 

Temos um desafio grande pela frente, com a chegada de um El Niño potencialmente intenso, o que vai exigir muito de nós. Será uma oportunidade para nós mostrarmos para a sociedade brasileira como essa integração pode fazer diferença”, ressaltou. 

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Na ocasião, também foi aprovada uma moção proposta pela sociedade civil que recomenda ao poder público a adoção de medidas preventivas, sistemas de alerta e protocolos de redução de riscos, diante da possibilidade um El Niño de forte intensidade.  

Também estavam presentes da reunião o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt, o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Garo Batmanian, e a secretária-executiva do MMA, Anna Flávia Senna.  

Unidades de Conservação e substâncias perigosas 

Outras duas resoluções foram aprovadas pelo Conselho. Uma delas amplia a possibilidade de enquadramento de Unidades de Conservação (UCs) no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC), fortalecendo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). A medida objetiva ampliar a integração, a visibilidade e a consolidação das áreas protegidas brasileiras. 

Já a outra estabelece restrições ao uso de determinadas substâncias perigosas em equipamentos eletroeletrônicos fabricados, distribuídos e comercializados no Brasil. A normativa visa reduzir impactos ambientais e riscos à saúde humana, alinhando o país às melhores práticas internacionais e fortalecendo a economia circular. 

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Outras decisões 

Além disso, duas moções apresentadas por conselheiros da sociedade civil abordam temas estratégicos da agenda ambiental. Uma delas destaca a necessidade de definição de diretrizes nacionais e de salvaguardas socioambientais e climáticas para o licenciamento ambiental de data centers no Brasil. 

A outra defende a criação de uma Unidade de Conservação na Serra da Chapadinha, na Chapada Diamantina (BA). De acordo com entidades ambientais locais, há registros crescentes de violência armada contra lideranças da região. 

Outros três temas permaneceram na pauta e voltarão a ser discutidos na próxima reunião. Eles tratam da elaboração dos Planos para Episódios Críticos de Poluição do Ar, da revisão das condições e dos padrões de lançamento de efluentes em corpos d’água e do licenciamento ambiental da aquicultura.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA

(61) 2028-1227/1051
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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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