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LDO 2026 e cenário político elevam incertezas fiscais, aponta relatório do Rabobank

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Congresso aprova LDO com meta de superávit modesto

O Congresso Nacional aprovou, no início de dezembro, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, estabelecendo a primeira meta de superávit primário desde 2016, fixada em R$ 34,26 bilhões, o equivalente a 0,25% do PIB. A margem de tolerância prevista é de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos.

Segundo o relatório do RaboResearch (Rabobank), embora a aprovação sinalize um esforço de ajuste fiscal, detalhes do texto mostram fragilidades e flexibilizações que podem comprometer a meta.

Gastos fora da meta ampliam pressão fiscal

De acordo com o Rabobank, o texto aprovado autoriza despesas significativas fora da meta fiscal, o que amplia a necessidade de cautela. Entre os principais pontos estão:

  • Pagamento de R$ 57,8 bilhões em precatórios extra-meta;
  • R$ 10 bilhões para estatais em reequilíbrio financeiro, como os Correios;
  • R$ 5 bilhões destinados à área de defesa;
  • R$ 5 bilhões para investimentos no PAC;
  • R$ 160 milhões adicionais para fundos partidários por causa das eleições de 2026.

Com essas exceções, o Rabobank calcula que, caso todos os gastos fossem incluídos na meta, o resultado seria um déficit de R$ 43,7 bilhões, equivalente a -0,32% do PIB, fora da banda de tolerância.

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Salário mínimo e aumento de impostos estão no radar

A proposta também prevê o salário mínimo de R$ 1.631 em 2026, representando um ganho real de 2,5% em relação a 2025.

Outra medida em estudo é a elevação de alíquotas de importação, com o objetivo de aumentar a arrecadação em cerca de R$ 14 bilhões, de acordo com informações do jornal Valor Econômico.

O Rabobank observa que essas ações indicam um cenário fiscal mais expansionista do que o inicialmente esperado, em meio ao ano eleitoral, o que pode dificultar a consolidação das contas públicas no médio prazo.

Crise política adiciona incerteza ao ambiente econômico

O relatório também ressalta que o ambiente político segue conturbado, com tensões entre o Executivo, o Congresso e o Judiciário.

O atraso na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a liminar do ministro Gilmar Mendes que restringe pedidos de impeachment contra membros da Corte foram destacados como fatores que aumentam a fricção entre os poderes.

Além disso, o cenário eleitoral ganhou destaque após o anúncio de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência em 2026, movimento que, segundo o Rabobank, gerou reação negativa nos mercados, com desvalorização do real frente ao dólar.

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Rabobank alerta para combinação de riscos fiscais e políticos

Para o banco holandês, o Brasil entra em 2026 com desafios fiscais e políticos entrelaçados. Embora o arcabouço fiscal estabeleça limites de gastos, a pressão por aumento de despesas e a falta de clareza nas contas públicas podem comprometer a credibilidade do ajuste.

A expectativa é que a votação do Orçamento de 2026 seja acompanhada de perto pelos investidores, principalmente quanto ao corte linear de 0,8% nas despesas não obrigatórias do Executivo, que deve liberar R$ 1,9 bilhão para o pagamento de emendas parlamentares.

Principais pontos da LDO 2026 segundo o Rabobank
  • Meta fiscal: superávit de R$ 34,26 bilhões (0,25% do PIB)
  • Gastos fora da meta: R$ 78 bilhões
  • Salário mínimo projetado: R$ 1.631 (+2,5% real)
  • Possível aumento de impostos de importação: +R$ 14 bilhões em arrecadação
  • Déficit potencial sem exceções: -0,32% do PIB

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cartilha da Embrapa orienta irrigação e manejo da banana no Nordeste e busca elevar produtividade da fruticultura

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Cartilha técnica da Embrapa fortalece a produção de banana irrigada no Nordeste

A Embrapa Meio-Norte, em parceria com o Governo do Estado do Piauí, lançou uma cartilha técnica voltada à produção irrigada de banana. O material reúne orientações práticas e recomendações atualizadas para técnicos e produtores rurais, com foco na melhoria da produtividade, qualidade dos frutos e aumento da rentabilidade da atividade.

A publicação está disponível gratuitamente para download e integra ações de transferência de tecnologia voltadas ao fortalecimento da fruticultura irrigada no Semiárido nordestino.

Brasil é destaque mundial na produção e consumo de banana

O Brasil ocupa posição de destaque no cenário global da bananicultura, sendo o maior consumidor mundial da fruta e o quarto maior produtor. A produção nacional alcança cerca de 6,85 milhões de toneladas, distribuídas em aproximadamente 458 mil hectares cultivados.

Na região Nordeste, Bahia e Pernambuco se destacam como os principais estados produtores, com forte participação na oferta nacional e na geração de renda no campo.

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Conteúdo técnico detalha manejo e aumento de produtividade

A cartilha foi elaborada por pesquisadores da Embrapa e reúne recomendações voltadas à melhoria do desempenho produtivo dos bananais irrigados. O objetivo é elevar a produtividade e a qualidade dos frutos, contribuindo para maior competitividade da cadeia produtiva.

Entre os principais temas abordados estão:

  • Seleção de cultivares adaptadas ao sistema de produção
  • Técnicas de produção de mudas
  • Preparo e correção do solo
  • Plantio e práticas culturais
  • Manejo de irrigação e fertirrigação
  • Controle de pragas e doenças
  • Colheita, transporte e pós-colheita
  • Estratégias de agregação de valor ao produto
Cultivares recomendadas ampliam potencial produtivo

A publicação também detalha as principais cultivares de banana utilizadas no Brasil. Algumas são destinadas ao mercado interno, como Prata, Pacovan, Prata Anã, Maçã, Terra e D’Angola. Já variedades como Nanica, Nanicão, Williams e Grand Naine têm maior foco na exportação.

Entre as cultivares recomendadas pela Embrapa para diferentes sistemas produtivos estão:

  • Nanica
  • Nanicão
  • FHIA 18
  • BRS Platina
  • BRS Conquista
  • BRS Vitória
  • Banana Terra BRS PL03 (Terrinha)
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Irrigação e manejo como foco da competitividade

Segundo os pesquisadores, o manejo adequado da irrigação, aliado ao uso de cultivares adaptadas e boas práticas agrícolas, é determinante para o aumento da produtividade da bananicultura irrigada, especialmente em regiões com irregularidade de chuvas.

A cartilha reforça ainda que a adoção de tecnologias no campo contribui diretamente para a geração de emprego, renda e fortalecimento da fruticultura no Nordeste brasileiro.

Com linguagem técnica e foco aplicado ao campo, a cartilha da Embrapa se consolida como uma ferramenta estratégica para produtores e técnicos, ao reunir orientações que vão desde o plantio até a comercialização da banana, com foco em eficiência produtiva e sustentabilidade.

Cartilha fruticultura irrigada

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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