Educação

Licenciaturas têm aumento de 60% de alunos de alto desempenho

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O número de estudantes matriculados em cursos presenciais de licenciaturas com nota igual ou superior a 650 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) cresceu 60% em 2025, em comparação com o ano anterior. O resultado foi alcançado após o lançamento do Pé-de-Meia Licenciaturas, programa do Ministério da Educação (MEC) que incentiva o ingresso na carreira docente. 

Foram registradas 9.113 matrículas de estudantes com esse perfil, frente a 5.615 em 2024. As matrículas gerais nesses cursos também aumentaram em 21%, passando de 31.088 para 37.653. 

Uma dessas matrículas é a do estudante Ângelo Miguel Alcântara, que cursa licenciatura em física no Instituto Federal do Maranhão (IFMA), campus Imperatriz. A nota de Ângelo no Enem 2024 foi de 726 pontos. Ele conta que sempre teve afinidade com a área de Ciências da Natureza e que pretende seguir a carreira docente após a conclusão do curso, inclusive ingressar em programas de pós-graduação. Segundo Ângelo, o programa é um incentivo para focar ainda mais nos estudos. “O apoio do Pé-de-Meia Licenciaturas é uma ajuda e tanto para os estudantes que têm afinidade com as licenciaturas, mas teme a sobrecarga do curso com a necessidade de trabalhar. É um valor que ajuda o estudante a focar mais na faculdade ao invés de se preocupar em trabalhar para ajudar no sustento de casa ou no próprio sustento”. 

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O estudante Caio Bernadino Alves cursa licenciatura em matemática no Instituto Federal do Ceará (IFCE), Campus Maracanaú. No Enem 2024, Caio alcançou uma nota de 698 pontos e afirma que o programa foi um incentivo a mais para reforçar a escolha pela licenciatura. “O programa foi essencial para mim, pois possibilita que eu, aluno de baixa renda, consiga me manter na faculdade. Sem o Pé-de-Meia Licenciaturas, eu teria de trabalhar e, no mínimo, teria bem menos tempo para me concentrar nos estudos”. Após a conclusão do curso, Caio planeja prestar concurso público para ser professor na educação básica. 

Os dados demonstram que, em seu primeiro ano de implementação, o programa já apresenta resultados expressivos para reverter um cenário histórico de baixa atratividade da profissão, fortalecendo a formação docente. 

O Pé-de-Meia Licenciaturas é um dos eixos do programa Mais Professores para o Brasil, em que o MEC custeia, por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ao longo de todo o curso, o valor mensal de R$ 1.050 para os estudantes com nota igual ou superior a 650 pontos no Enem aprovados em cursos presenciais de licenciaturas que se cadastrarem e forem aprovados para a bolsa. 

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Desse total, o estudante poderá sacar R$ 700, e os outros R$ 350 serão depositados em poupança. O valor da poupança poderá ser sacado após a conclusão do curso e o ingresso do recém-formado como professor em uma rede pública de ensino em até cinco anos. 

Mais Professores – Instituído pelo Decreto nº 12.358/2025, o programa Mais Professores para o Brasil foi construído em reconhecimento ao papel central dos docentes no processo de aprendizagem dos estudantes e no sucesso das políticas educacionais. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a formação docente, incentivar o ingresso de professores no ensino público e valorizar os profissionais do magistério, proporcionando-lhes recursos e oportunidades de desenvolvimento profissional contínuo.       

O programa visa atender 2,3 milhões de docentes em todo o país e prevê as seguintes iniciativas, além do Pé-de-Meia Licenciaturas: Bolsa Mais Professores; Prova Nacional Docente; Portal de Formação; e ações de valorização em parceria com bancos públicos e outros ministérios.  

Assessoria de Comunicação Social do MEC 

Fonte: Ministério da Educação

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Educação

Educação como caminho para construir uma nova vida

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Para chegar às aulas no Campus Laranjal do Jari, do Instituto Federal do Amapá (Ifap), Rosa Alves saía de casa às 6h30 da manhã. Moradora de Monte Dourado (PA), precisava atravessar o rio em pequenas embarcações, conhecidas como catraias, e seguir a pé até o local onde estudava. A rotina exigia disposição, mas a formação no Ifap representava uma oportunidade de construir a autonomia que buscava para si e para os filhos. 

Anos antes, ela havia vivido uma situação que marcou seus planos para o futuro. No meio da noite, depois de ser expulsa da casa onde morava de favor, ficou sem ter para onde ir e se abrigou no banco de uma praça, com o filho nos braços. Ao recordar esse momento, ela lembra da decisão de buscar condições mais dignas para cuidar da própria família. “Eu ia ter meu emprego, eu ia ter a minha casa, eu ia ter o meu carro, eu ia cuidar dos meus filhos”, contou. 

 Assista ao vídeo:

Criada pela mãe ao lado de três irmãos, Rosa construiu uma trajetória em que os estudos e o trabalho abriram novas possibilidades. Em 2008, foi aprovada em um concurso da prefeitura de Laranjal do Jari (AP) e começou a trabalhar no ano seguinte. A chegada do instituto federal trouxe outra perspectiva: a oportunidade de fazer um curso técnico. “Eu me animei e falei: ‘acho que aqui é o meu ponto de partida’”, recorda. Ela se inscreveu, passou e iniciou a formação. 

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Além do deslocamento diário entre a cidade em que morava e a que trabalhava, Rosa acompanhou os desafios do início das atividades no instituto federal. As aulas aconteciam em uma sala alugada, enquanto professores e estudantes construíam juntos a rotina de ensino.  

A conclusão do curso técnico em secretariado executivo do Ifap marcou uma nova etapa. Rosa também havia sido aprovada em um concurso público do instituto e recebeu uma notícia especial no dia da formatura: seria nomeada para trabalhar na instituição em que estudava. “Exatamente no dia da formatura, o reitor informou que eu seria nomeada. Foi uma alegria imensa”, lembrou. 

A formação técnica e o ingresso como servidora se somaram a outro projeto que ela já vinha preparando. Rosa pediu licença do trabalho na prefeitura, foi a Macapá (AP) e prestou vestibular para administração. Ao tomar posse no instituto, começou também a realizar o desejo de cursar a graduação, com o apoio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). 

O sonho de estudar administração – Rosa guarda na memória a emoção de entrar na sala de aula da faculdade. Sentada ao fundo, ela conta que chorou ao perceber que havia chegado a uma etapa pela qual tanto esperava. “Eu lembro que chorei porque eu estava realizando o meu maior sonho. O maior sonho da minha vida era fazer administração”, contou. 

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O acesso aos estudos passou a fazer parte também da trajetória de seu filho. Ele concluiu um curso técnico na área de redes, prestou concurso público junto com a mãe e se tornou seu colega de trabalho no Campus Macapá do Ifap. 

Para Rosa, acompanhar essa conquista é uma das realizações proporcionadas pela educação. Sua história reúne o esforço para continuar estudando, a entrada no serviço público e a possibilidade de ver o filho construir o próprio caminho. “Sempre penso que a educação é o nosso passaporte do amanhã”, afirmou. 

As mudanças também proporcionaram experiências novas para a família. Rosa conta com carinho sobre a primeira viagem que conseguiu fazer com os três filhos. Foram cerca de dez dias juntos, uma experiência que até então não haviam tido. 

Ao olhar para o percurso, Rosa reconhece nos estudos uma contribuição para as condições de vida que construiu. Da travessia do rio para frequentar as aulas até a chegada à graduação, a educação esteve presente nas oportunidades que permitiram seguir seus planos e compartilhar novas experiências com os filhos. “A educação me proporcionou tudo o que eu tenho hoje”, pontuou. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC 

Fonte: Ministério da Educação

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