Agro News
Líderes da América do Sul, Central e Caribe debatem papel ético de governos, empresas e sociedade no enfrentamento à emergência climática
Publicado
22 de agosto de 2025, 10:00
A cidade de Bogotá, na Colômbia, sediou o Diálogo da América do Sul, Central e Caribe do Balanço Ético Global (BEG) nesta quinta-feira (21/8). Um dos quatro pilares de mobilização social da COP30, a Conferência do Clima de Belém (PA), a iniciativa discute as ações que a humanidade ainda precisa implementar, com base na ética, para enfrentar a mudança do clima levando em conta as populações mais vulnerabilizadas.
A atividade reuniu cerca de 30 participantes, entre lideranças religiosas, políticas, empresariais, artistas, representantes de povos indígenas, comunidades locais e afrodescendentes, jovens, cientistas, formuladores de políticas públicas e ativistas da região.
Entre as autoridades, estiveram presentes a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; a ex-presidente do Chile e colíder do Balanço Ético Global para a América do Sul, Central e Caribe, Michelle Bachelet; os ministros dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo; e o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago.
Em sua fala, Marina Silva ressaltou que o BEG “busca fazer uma avaliação do atual estado da emergência climática que seja atravessada pela ética dos valores, como forma de contrabalançar a ética das circunstâncias que tem levado ao agravamento das múltiplas crises que estão nos afetando”. “Que nós possamos deixar como legado a constituição de um novo marco referencial para os próximos dez anos no enfrentamento da mudança do clima”, complementou.
Para Michelle Bachelet, o mundo está em “um momento decisivo para definir e implementar propostas que limitem o aumento da temperatura global a no máximo 1,5°C”.
“Podemos alcançar essa meta, por mais difícil que seja, pois a alternativa de renunciar a ela implicaria aceitar o sofrimento de milhões de pessoas, sobretudo daquelas que vivem em condições de maior vulnerabilidade e que menos contribuíram para essa situação”, destacou a ex-presidente do Chile. “Os diálogos do BEG são fundamentais, pois trazem não apenas a visão dos governos, mas também de especialistas, acadêmicos, comunidades indígenas e pessoas que compreendem e sabem o que precisa ser feito. Só assim poderemos avançar para uma transição justa.”
“Não se trata apenas do clima, mas de um conjunto de ideias para construir um mundo melhor, um mundo novo que sempre aspiramos alcançar. A ciência nos alerta que é necessário agir muito mais e muito mais rápido [para o enfrentamento da mudança do clima], e somente por meio desse debate ético poderemos encontrar caminhos e respostas”, disse André Corrêa do Lago.
O BEG traz a reflexão sobre até onde avançamos, o caminho que ainda precisamos percorrer e as transformações de comportamento e trajetórias coletivas necessárias para atingir a meta do Acordo de Paris de conter o aumento da temperatura média do planeta a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais. É inspirado no processo do primeiro Balanço Global do tratado internacional, concluído na COP28, realizada nos Emirados Árabes Unidos.
A iniciativa parte do princípio de que a humanidade já dispõe das soluções técnicas para enfrentar a mudança do clima e realizar a transformação ecológica. O que falta é o compromisso ético para colocá-las em prática. O BEG debate os caminhos para isso, mirando, sobretudo, na implementação dos acordos climáticos firmados pelos quase 200 países signatários do Acordo de Paris na última década, desde sua assinatura, em 2015.
O ponto nevrálgico são as resoluções do Consenso dos Emirados Árabes Unidos, pactuado na COP28, pelo qual as nações concordaram em triplicar as energias renováveis, duplicar sua eficiência, acabar com o desmatamento e fazer a transição para o fim do uso dos combustíveis fósseis. O BEG fortalece o mutirão pela ação climática convocado pela presidência da COP30.
Liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, o processo resultará em seis relatórios regionais e um relatório-síntese a ser entregue na Pré-COP, em outubro, em Brasília. O documento será submetido à Presidência da COP30 para consideração na formulação das decisões e envio a chefes de Estado e negociadores climáticos.
Em seu discurso, Sônia Guajajara afirmou que “o enfrentamento da mudança do clima passa pelo fortalecimento das democracias no mundo e do multilateralismo, assim como pela garantia da participação indígena em todos esses debates. Por isso, precisamos avançar, falando das sinergias, da proteção da terra e da proteção dos povos indígenas para um enfrentamento real dos eventos climáticos”.
Segundo Márcio Macêdo, é preciso “um compromisso ético renovado de cada cidadão, de cada organização da sociedade, de cada empresa e de cada governo local e nacional para combater a crise climática. Esse processo de escuta ética e planetária, reunindo lideranças sociais, culturais, espirituais, empresariais, científicas e políticas, está em perfeita sintonia com essas aspirações”.
Diálogos Regionais
O BEG ocorre a partir de Diálogos Regionais a serem realizados até outubro em diferentes continentes. O primeiro encontro foi realizado em Londres, em junho deste ano, e representou a Europa. Na ocasião, o papel de colíder foi desempenhado pela ex-presidente da Irlanda, Mary Robinson. O diálogo da América do Sul, Central e Caribe foi o segundo.
Os próximos ocorrerão na África, sob a coliderança da ambientalista e ativista queniana Wanjira Mathai; na Ásia, com o ativista indiano e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Kailash Satyarthi; na Oceania, com o ex-presidente de Kiribati, Anote Tong ; e na América do Norte, com a estadunidense e fundadora do Center for Earth Ethics, Karenna Gore.
Além dos Diálogos Regionais, o BEG propõe Diálogos Autogestionados, promovidos por organizações da sociedade civil e governos nacionais e subnacionais seguindo a mesma metodologia e princípios do processo central.
A reunião em Bogotá foi organizada com o apoio da Fundação Rockefeller, como parte do encontro regional do Balanço Ético Global com representantes da América do Sul, Central e Caribe, rumo à COP30.
Lista completa de participantes do Diálogo América do Sul, Central e Caribe do BEG:
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Ana Maria Gonçalves, escritora integrante da Academia Brasileira de Letras;
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Angela Mendes, filha do seringueiro e ativista ambiental Chico Mendes, é referência no ativismo socioambiental no Brasil;
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Babalawô Ivanir dos Santos, professor e conselheiro estratégico do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas;
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Bárbara Saavedra, ecóloga e diretora da Wildlife Conservation Society para o Chile desde 2005;
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Blanca Lucía Echeverry, advogada com mais de 20 anos de atuação na defesa dos direitos humanos de povos indígenas e comunidades tradicionais;
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Brigitte Baptiste, bióloga, professora e ativista trans;
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Daniel Buchbinder, fundador e diretor da Alterna, centro de inovação social na América Central;
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Diosmar Filho, geógrafo e líder da pesquisa “Ordenamento Territorial, Desigualdades e Mudanças Climáticas”;
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Fany Kuiru, liderança indígena do povo Murui-Muina, da Colômbia, e coordenadora-geral da COICA;
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Frida Muenala, cineasta do povo Kichwa-Zapoteca de Otavalo, do Equador, e produtora executiva do coletivo audiovisual Mullu;
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Gisela Hurtado Barboza, advogada peruana e indígena quéchua com sólida trajetória na promoção dos direitos humanos na América Latina, especialmente, dos povos indígenas da Amazônia;
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Juan David Amaya, jovem ativista e estrategista em justiça e financiamento climático, é diretor executivo do Life of Pachamama;
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Juan Esteban Belderrain, filósofo e professor na Universidade Nacional de La Plata;
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Julieta Martínez, jovem referência latino-americana em justiça climática com enfoque de gênero e fundadora da Tremendas;
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Laura Bermúdez, cineasta, ativista cultural e cofundadora do Tercer Cine, projeto de cinema alternativo com impacto social, e do Coletivo de Mulheres Cineastas de Honduras;
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Lola Cabnal, líder indígena maia, diretora de advocacy da Associação Ak’ Tenamit e membro do Conselho da Mesa Redonda Indígena sobre Mudanças Climáticas;
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Luana Génot, fundadora e diretora executiva do Instituto Identidades do Brasil;
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Manuel Pulgar-Vidal, líder global de Clima e Energia do WWF e presidente da Comissão de Crise Climática da IUCN;
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Maria Fernanda Lemos, professora e coordenadora do Laboratório de Urbanismo na PUC-Rio e membro do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) e da rede UCCRN-LA;
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Patricia Gualinga, mulher indígena Kichwa de Sarayaku, referência internacional na defesa dos territórios amazônicos e dos direitos originários;
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Ricardo Abramovay, professor sênior do Instituto de Estudos Avançados e do Instituto de Energia e Ambiente, ambos da Universidade de São Paulo (USP);
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Shannon Music, diretora de Operações e Parcerias Estratégicas da VIVA Idea;
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Tasso Azevedo, engenheiro florestal, empreendedor social e coordenador do MapBiomas;
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Viviana Krsticevic, advogada e diretora executiva do CEJIL;
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Xiomara Acevedo, ativista climática e fundadora da organização Barranquilla+20
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Agro News
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
Publicado
28 de julho de 2026, 09:02
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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