A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), em parceria com a Cyber Edux Educação Tecnológica, realizou a cerimônia de formatura de 164 alunos do curso de programação Python, ofertado de forma gratuita nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande. A cerimônia ocorreu nesta terça-feira (7.10), no auditório da Escola Estadual Liceu Cuiabano Maria de Arruda Müller, na capital mato-grossense.
Python é uma linguagem de programação de alto nível, conhecida por sua simplicidade e legibilidade. Sua utilidade abrange uma ampla gama de aplicações, incluindo desenvolvimento web, ciência de dados, inteligência artificial, automação de tarefas, desenvolvimento de software e aprendizado de máquina.
Presente na cerimônia, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Allan Kardec, ressaltou que a formação técnica nesse tipo de linguagem pode aumentar a empregabilidade no setor de programação. “É o Governo do Estado, por meio da Seciteci, colocando a juventude junto ao mercado de trabalho de alta performance”, completou.
Já o presidente da Cyber Edux, Dante da Mata, disse que a parceria colocará jovens qualificados no mercado de trabalho. “A Cyber Social, assim como a Seciteci, tem como missão reduzir as desigualdades por meio da educação. Estamos oferecendo mais dignidade para essa juventude que busca o primeiro emprego ou procura se recolocar no mercado de trabalho”, frisou Dante.
A possibilidade de ascensão no mercado de trabalho também foi ressaltada pela professora de uma das turmas, Camila Pinho. “Os formandos agora podem atuar tanto em empresas privadas quanto no setor público ou como profissionais autônomos, utilizando Python, Power BI e outros programas”, disse.
Um dos formandos foi Diogo Viana Ravello, que avaliou que o curso foi muito importante para abrir novos horizontes. “Fomos colocados em uma trajetória na qual conseguimos pesquisar melhor, entender melhor as ferramentas e desenvolver melhor o nosso trabalho, colocando em prática toda a nossa criatividade no apoio ao desenvolvimento de sistemas”, finalizou o aluno.
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
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