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Mercado de algodão mantém preços firmes e Brasil bate recorde de exportações em março

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Preços do algodão seguem sustentados no mercado interno

O mercado brasileiro de algodão iniciou abril com preços firmes, mesmo diante de uma redução no volume de negócios. De acordo com o Cepea, a menor liquidez está relacionada, em parte, ao feriado recente, que afastou agentes das negociações.

Além disso, divergências quanto aos preços e à qualidade dos lotes continuam dificultando o fechamento de negócios no mercado spot. Ainda assim, há movimentações pontuais por parte da indústria, que tem operado com estoques ou volumes previamente programados.

Outro fator de atenção é o aumento dos custos, especialmente com pluma e diesel, que vem sendo monitorado pelo setor produtivo quanto ao repasse aos produtos manufaturados. Do lado da oferta, vendedores mantêm postura firme, sustentados pelas valorizações recentes e pelas expectativas positivas em relação à nova safra.

Exportações recordes em março quebram padrão histórico

Na contramão da menor movimentação interna, o Brasil registrou o maior volume de exportações de algodão já observado para o mês de março, rompendo padrões históricos de concentração de embarques no fim do ano.

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Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, analisados pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão, foram embarcadas 347,8 mil toneladas de algodão bruto, um crescimento de 45,4% em volume e de 33,6% em receita em comparação com março de 2025, quando as exportações somaram US$ 530,1 milhões.

O resultado indica uma mudança no ritmo dos embarques, com maior regularidade ao longo da safra e reforça a competitividade do algodão brasileiro no mercado global.

Recuperação logística e avanço no acumulado da safra

O desempenho também reflete uma recuperação após fevereiro, quando chuvas nas regiões produtoras impactaram a logística de transporte.

No acumulado de julho a março, o Brasil já exportou cerca de 150 mil toneladas a mais do que no mesmo período da safra anterior, evidenciando o avanço consistente das vendas externas.

Atualmente, o algodão ocupa a terceira posição nas exportações do setor agropecuário, com participação de 6,42%, além de figurar na 12ª colocação no ranking geral das exportações brasileiras.

Diversificação de mercados impulsiona crescimento

O crescimento das exportações foi impulsionado pela diversificação de mercados compradores. A China liderou as aquisições, com 29,5% dos embarques, seguida por Bangladesh, com 16%.

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Outros destinos relevantes incluem Índia, Vietnã, Turquia, Paquistão, Indonésia, Malásia, Egito, Coreia do Sul, Maurício, Argélia, Tailândia e Japão. Mesmo diante de mudanças tarifárias, a Índia manteve forte demanda, sinalizando a consolidação do algodão brasileiro naquele mercado.

Brasil amplia competitividade no cenário global

Apesar das incertezas no comércio internacional, o Brasil segue competitivo e com potencial de expansão. O crescimento da produção aliado à demanda global aquecida abre espaço para a ampliação de destinos e o fortalecimento da presença brasileira no mercado internacional de algodão.

Ao mesmo tempo, o equilíbrio entre preços firmes no mercado interno e desempenho robusto nas exportações reforça o protagonismo do país na cadeia global da pluma.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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