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Mercado de milho segue travado no Brasil enquanto Chicago recua com avanço da colheita nos EUA

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O mercado de milho segue com baixa liquidez em importantes regiões produtoras do Brasil, de acordo com informações da TF Agroeconômica. No Rio Grande do Sul, as negociações permanecem restritas, com indicações de compra entre R$ 67,00 e R$ 70,00 por saca, dependendo da localidade. Já no Paraná, produtores mantêm pedidas próximas de R$ 73,00/saca FOB, enquanto compradores insistem em ofertas CIF abaixo de R$ 70,00, travando os negócios.

Em Santa Catarina, a nova safra começa em meio a expectativas climáticas mais favoráveis, mas o descompasso entre ofertas e pedidos mantém os produtores cautelosos. Enquanto isso, em Mato Grosso do Sul, os preços variam de R$ 45,00 a R$ 53,00/saca, mas ainda sem estímulo suficiente para novos contratos.

Preços futuros do milho sobem na B3

Na Bolsa Brasileira de Mercadorias (B3), os contratos futuros do milho abriram a quarta-feira (10) em alta, refletindo movimentos pontuais de valorização. O contrato de setembro/25 era cotado a R$ 65,55 (+0,09%), novembro/25 a R$ 68,35 (+0,18%), janeiro/26 a R$ 71,49 (+0,27%) e março/26 a R$ 73,85 (+0,39%).

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Apesar da alta pontual, analistas destacam que a ampla oferta doméstica, resultado da reta final da colheita, mantém os compradores confortáveis e faz com que vendedores liberem apenas pequenos volumes, aguardando melhores preços.

Chicago recua com safra recorde nos EUA

No mercado externo, a Bolsa de Chicago (CBOT) registrou quedas recentes diante do avanço da colheita nos Estados Unidos, que pode confirmar a maior safra da história do país. O contrato de dezembro/25 fechou em US$ 4,19/bushel, recuo de 0,47%, enquanto março/26 encerrou a US$ 4,37/bushel, baixa de 0,46%.

Segundo o USDA, 68% das lavouras americanas estavam em boas ou excelentes condições até 7 de setembro. Além disso, a colheita já cobre 4% da área, em linha com a média dos últimos cinco anos.

Exportações dos EUA e demanda externa

Apesar da pressão vinda da ampla oferta, a demanda segue aquecida. Exportadores norte-americanos reportaram a venda de 132 mil toneladas de milho para a Espanha e 136 mil toneladas para a Coreia do Sul, com entrega prevista para a temporada 2025/26.

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Ainda assim, a expectativa pelo novo relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para esta sexta-feira (12), aumenta a cautela no mercado. Além disso, incertezas regulatórias nos Estados Unidos sobre a mistura de biocombustíveis podem reduzir a demanda de milho destinado ao etanol.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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