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Mercado de sementes de soja entra em novo ciclo no Brasil com avanço tecnológico e consolação regional

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O mercado brasileiro de sementes de soja atravessa uma nova fase de transformação, marcada por crescimento mais moderado, avanço tecnológico e tendência de consolidação regional. A avaliação faz parte de um estudo divulgado pelo Rabobank, que analisa a evolução da cadeia de sementes no país e os principais desafios para os próximos anos.

Segundo o levantamento, o desenvolvimento da soja brasileira nas últimas décadas esteve diretamente ligado ao melhoramento genético das sementes, aliado à evolução das práticas agrícolas. Esse avanço permitiu que o Brasil ampliasse significativamente sua produção e produtividade, consolidando-se como uma das maiores potências globais da oleaginosa.

Entre as safras 1999/00 e 2024/25, a produção brasileira de soja saltou de 32 milhões para mais de 170 milhões de toneladas, crescimento superior a 430% em 25 anos. Além da expansão da área plantada, o ganho de produtividade teve papel decisivo nesse avanço.

Produtividade da soja brasileira supera ritmo de crescimento dos EUA

De acordo com o estudo, a produtividade da soja brasileira apresentou crescimento médio anual de 2,04% entre 2006 e 2025, índice acima do observado nos Estados Unidos, que registraram alta média de 1,07% no mesmo período.

Esse desempenho foi impulsionado principalmente pelo desenvolvimento de variedades adaptadas às diferentes regiões produtoras do país, além do uso de tecnologias de manejo, plantio direto, adubação e controle fitossanitário.

O Rabobank destaca que a evolução genética das sementes continuará sendo um dos principais motores de crescimento da produção agrícola brasileira nos próximos anos.

Mercado de sementes enfrenta excesso de oferta e mudança no perfil de consumo

Apesar da trajetória positiva, o setor vive atualmente um momento de pressão. O relatório aponta que muitas empresas acumulam estoques elevados de sementes devido ao excesso de produção registrado nos últimos ciclos e à mudança no comportamento dos produtores rurais.

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Nos anos de margens mais elevadas da soja, especialmente entre 2020 e 2023, diversos produtores ingressaram no mercado de multiplicação de sementes, ampliando rapidamente a oferta do insumo no país. Com isso, o setor se tornou ainda mais fragmentado.

Ao mesmo tempo, a deterioração das margens no campo aumentou a procura por sementes de menor custo, enquanto grande parte das empresas havia direcionado investimentos para materiais premium, com maior nível tecnológico e preço mais elevado.

Setor segue fragmentado e deve passar por consolidação gradual

Atualmente, o mercado brasileiro de sementes de soja ainda possui baixa concentração. Conforme dados citados no estudo, o país possui mais de 900 registros para produção de sementes e cerca de 535 unidades de beneficiamento.

O Rabobank avalia que o processo de consolidação no Brasil ainda está em estágio inicial e deve ocorrer de forma gradual, semelhante ao modelo observado nos Estados Unidos.

A expectativa é de fortalecimento de polos regionais liderados por empresas mais eficientes e adaptadas às características locais de produção e comercialização. Em um segundo momento, essas lideranças regionais poderão dar origem a grupos nacionais de maior porte.

Segundo agentes do setor ouvidos durante o levantamento, fatores como relacionamento comercial, conhecimento técnico regional e adaptação às preferências dos produtores dificultam estratégias nacionais padronizadas.

Mercado de sementes de soja pode atingir R$ 37 bilhões até 2040

Mesmo diante dos desafios atuais, o Rabobank projeta continuidade da expansão do mercado brasileiro de sementes de soja nas próximas décadas.

A estimativa é de que o chamado mercado total endereçável (TAM) das sementes de soja, calculado com base na área cultivada e no gasto médio por hectare, avance de aproximadamente R$ 24,5 bilhões na safra 2024/25 para cerca de R$ 37 bilhões até 2040.

O crescimento projetado corresponde a uma taxa média anual de 2,8%.

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Além do aumento da área cultivada, o estudo aponta que as sementes deverão incorporar cada vez mais tecnologias, elevando o custo por hectare e ampliando a participação desse insumo dentro do custo operacional das lavouras.

Inteligência artificial e edição genética devem acelerar mudanças no setor

O relatório também destaca que novas tecnologias poderão transformar profundamente o segmento de germoplasma e biotecnologia nos próximos anos.

Ferramentas de inteligência artificial, edição genética e novas plataformas de desenvolvimento molecular tendem a reduzir custos e acelerar a criação de variedades mais produtivas e resistentes.

Entre as tecnologias mencionadas está o sistema CRISPR-Cas9, utilizado em processos de edição genética com maior precisão.

Na avaliação do Rabobank, a redução das barreiras tecnológicas poderá atrair novos participantes para o setor, aumentando a competição principalmente nas áreas de genética e biotecnologia.

Crédito, pirataria e clima estão entre os principais desafios

O estudo aponta que o crescimento do mercado não ocorrerá sem obstáculos. Entre os principais desafios do setor estão a gestão de crédito, a pirataria de sementes e as mudanças climáticas.

Com o aperto financeiro vivido pelos produtores rurais, muitas empresas passaram a alongar prazos de pagamento, elevando o risco financeiro das operações.

Outro problema recorrente é o mercado ilegal. Dados citados pela CropLife Brasil indicam que cerca de 11% do mercado nacional de soja utiliza sementes piratas, causando prejuízos relevantes para a cadeia formal.

As mudanças climáticas também aparecem como ponto crítico. O setor deverá acelerar o desenvolvimento de variedades mais tolerantes ao calor e ao déficit hídrico, sem comprometer o potencial produtivo das lavouras.

Para o Rabobank, o futuro do mercado brasileiro de sementes de soja dependerá da capacidade das empresas de equilibrar tecnologia, eficiência operacional, adaptação regional e gestão financeira em um ambiente cada vez mais competitivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safrinha de milho avança no Centro-Sul e produção brasileira deve se aproximar de 140 milhões de toneladas

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A colheita da segunda safra de milho 2026 segue avançando no Centro-Sul do Brasil e alcançou 4,4% da área cultivada até o início de junho, segundo levantamento da AgRural. O índice representa um avanço significativo em relação aos 2,4% registrados na semana anterior e supera o percentual de 1,9% observado no mesmo período da safra passada.

O desempenho dos trabalhos é liderado por Mato Grosso, principal produtor nacional do cereal, onde as condições de campo têm favorecido o avanço das colheitadeiras. Enquanto isso, Paraná e Mato Grosso do Sul começam a ganhar participação na colheita, embora em ritmos distintos.

Mato Grosso lidera colheita da safrinha

O estado de Mato Grosso continua puxando o ritmo da colheita nacional. Beneficiado pelo bom desenvolvimento das lavouras e pelas condições climáticas mais favoráveis, o estado apresenta perspectivas de produtividade acima da média e deve novamente responder por uma parcela importante da produção brasileira de milho.

No Paraná, segundo maior produtor da safrinha, os trabalhos ainda avançam lentamente devido aos elevados níveis de umidade nas áreas produtoras, o que dificulta a entrada das máquinas no campo.

Já em Mato Grosso do Sul, a colheita começou em áreas isoladas, marcando o início dos trabalhos no estado e ampliando a participação da região Centro-Oeste na oferta nacional do cereal.

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Estiagem reduz potencial em alguns estados

Apesar do bom desempenho observado em Mato Grosso, a revisão mais recente da AgRural trouxe ajustes negativos para algumas regiões produtoras.

A consultoria reduziu suas estimativas para Goiás, Minas Gerais e São Paulo em razão da estiagem registrada durante fases importantes do desenvolvimento das lavouras. A falta de chuvas comprometeu parte do potencial produtivo nesses estados, limitando os ganhos esperados para a temporada.

Mesmo assim, as perdas foram parcialmente compensadas pelos excelentes resultados projetados para outras áreas do Centro-Sul, especialmente em Mato Grosso, onde as produtividades seguem surpreendendo positivamente.

Produção da safrinha permanece acima de 108 milhões de toneladas

Após a revisão de maio, a estimativa da AgRural para a produção da safrinha 2026 passou para 108,2 milhões de toneladas, uma redução de apenas 900 mil toneladas em comparação com a projeção anterior.

O ajuste é considerado relativamente pequeno diante das dificuldades climáticas enfrentadas em algumas regiões e reforça o cenário de ampla oferta para o mercado interno e para as exportações brasileiras.

Brasil caminha para uma safra recorde de milho

Somando os volumes previstos para a primeira, segunda e terceira safras, a produção total de milho do Brasil na temporada 2025/26 deverá atingir 139,9 milhões de toneladas.

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O número representa crescimento em relação à estimativa anterior, de 138,9 milhões de toneladas, e um salto expressivo frente às 113,2 milhões de toneladas colhidas na safra 2024/25.

Caso o potencial produtivo seja confirmado, o país consolidará uma das maiores colheitas de milho de sua história, fortalecendo sua posição entre os principais exportadores globais do cereal.

Mercado acompanha avanço da oferta

Com a intensificação da colheita nas próximas semanas, o mercado passa a monitorar o impacto do aumento da oferta sobre os preços internos. Além disso, o comportamento das exportações, a demanda da indústria de etanol de milho e o consumo do setor de proteína animal serão fatores decisivos para a formação dos preços no segundo semestre.

A expectativa do setor é de que a entrada gradual da nova safra amplie a disponibilidade do cereal no mercado brasileiro, mantendo o país em posição estratégica para atender tanto o consumo doméstico quanto a demanda internacional.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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