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Mercado do açúcar reage no Brasil, mas cenário global segue pressionado por excedente de oferta

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Os preços médios do açúcar cristal branco no mercado spot paulista encerraram outubro em alta, após semanas de queda. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o Indicador CEPEA/ESALQ (cor Icumsa de 130 a 180) chegou a R$ 111,00 por saca de 50 kg na segunda-feira, 27 de outubro — o menor patamar nominal desde abril de 2021. Contudo, até sexta-feira, 31, a cotação subiu para R$ 113,65/sc.

De acordo com os pesquisadores do Cepea, o movimento de recuperação foi impulsionado pelo aumento das negociações envolvendo o açúcar cristal de melhor qualidade (Icumsa 150). As usinas mantiveram firmeza nas ofertas, apoiadas na menor disponibilidade interna, já que grande parte dessa qualidade tem sido direcionada ao mercado externo nesta safra 2025/26.

Para o tipo cristal Icumsa 180, algumas unidades adotaram postura mais flexível, buscando escoar estoques e assegurar vendas nos preços vigentes. Ainda assim, compradores pressionaram por valores mais baixos, reduzindo a liquidez no mercado interno.

Bolsas internacionais reagem, mas permanecem sob influência do excedente global

No cenário internacional, os contratos futuros do açúcar registraram alta no início desta semana, após atingirem mínimas de cinco anos. O movimento foi impulsionado pela cobertura de posições vendidas, o que proporcionou uma recuperação técnica nas bolsas de Nova York e Londres.

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Na ICE Futures, em Nova York, o contrato de março/26 encerrou a segunda-feira (3) com valorização de 22 pontos, a 14,65 centavos de dólar por libra-peso. Já o de maio/26 subiu 18 pontos, para 14,23 c/lb. Na ICE Europe, em Londres, o açúcar branco também encerrou em alta: o contrato de dezembro/25 avançou US$ 7,60, para US$ 423,30 por tonelada, e o de março/26 subiu US$ 4,40, negociado a US$ 415,20 por tonelada.

Entretanto, nesta terça-feira (4), o mercado passou por ajustes técnicos, com leves quedas nas principais praças. Em Nova York, o contrato março/26 recuou 0,82%, cotado a 14,53 c/lb, enquanto em Londres o dezembro/25 caiu 0,92%, para US$ 419,40/t. A correção veio após a máxima semanal alcançada no dia anterior e reflete as preocupações persistentes com o excedente global de açúcar, estimado em até 2,5 milhões de toneladas.

Superávit global e etanol mais rentável mudam o mix das usinas

Segundo o diretor-presidente da G7 Agro Consultoria, João Baggio, o clima favorável nas safras da Índia e da Tailândia reforça o cenário de superávit mundial, pressionando as cotações internacionais. “A produção no Centro-Sul pode alcançar entre 620 e 640 milhões de toneladas em 2026. O aumento da produtividade agrícola será essencial para sustentar a competitividade e reduzir custos”, avaliou.

Outro fator relevante é o redirecionamento das usinas brasileiras para a produção de etanol, motivado por sua maior rentabilidade. O mix produtivo voltado ao açúcar caiu de 55% em agosto para 48,24% na primeira quinzena de outubro, conforme dados setoriais.

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Etanol mantém preços firmes apesar da leve queda mensal

No mercado interno, o etanol segue apresentando estabilidade. De acordo com o Indicador Diário Paulínia, o etanol hidratado foi negociado a R$ 2.889,00/m³, recuo de 0,19%, enquanto o açúcar cristal registrou queda de 1,15%, com a saca de 50 quilos a R$ 112,34.

O Cepea aponta que, ao longo de outubro, os preços do etanol se sustentaram no mercado spot do estado de São Paulo — o hidratado operou próximo de R$ 2,70/litro e o anidro, em torno de R$ 3,10/l. A firmeza nas cotações refletiu a postura mais cautelosa das usinas, especialmente diante do fim da moagem da safra 2025/26 em algumas unidades paulistas.

Na comparação mensal, houve leve recuo: o etanol hidratado teve média de R$ 2,7371/litro em outubro, baixa de 0,77% frente a setembro, enquanto o anidro caiu 1,02%, para R$ 3,0683/litro. Em relação ao mesmo período do ano passado, ambos os tipos registram valorização real de cerca de 7%, considerando o deflacionamento pelo IGP-M de outubro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar

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A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.

Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.

A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.

Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.

Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.

Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.

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A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.

O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.

Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.

A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.

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Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.

A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.

A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.

Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.

Fonte: Pensar Agro

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