Agro News

Mercado do Açúcar Recupera Preços Após Queda com Possível Aumento de Exportações da Índia

Publicado

O mercado global de açúcar apresentou forte volatilidade nesta semana, influenciado por sinais de que a Índia pode ampliar suas exportações. Na quinta-feira (18), os contratos futuros recuaram após declarações do secretário de Alimentação do país asiático, Sanjeev Chopra, de que o governo estuda liberar volumes adicionais para reduzir o excedente de oferta interna.

A medida visa equilibrar o mercado doméstico e proteger os produtores de cana contra perdas financeiras. Chopra destacou que estoques elevados prejudicam os agricultores e que a exportação adicional, assim como a destinação de parte da produção para etanol, seria necessária para conter o excesso.

Queda e Retomada dos Preços Internacionais

Bolsa de Nova York

Após o anúncio da Índia, o açúcar bruto na ICE Futures de Nova York fechou em baixa na quinta-feira. O contrato março/26, mais negociado, caiu 1,90%, sendo cotado a 14,48 centavos de dólar por libra-peso. O contrato maio/26 recuou para 14,10 centavos, e outros lotes variaram entre quedas de 3 a 24 pontos.

Bolsa de Londres

Leia mais:  Safra 2025/26 deve alcançar 354,7 milhões de toneladas de grãos, aponta primeiro levantamento da Conab

Na ICE Futures Europe, o açúcar branco também apresentou desvalorização. O contrato março/26 caiu para US$ 415,90 por tonelada, enquanto o maio/26 registrou US$ 412,50. Os contratos de agosto e outubro recuaram US$ 6,10 e US$ 5,80, respectivamente.

Recuperação nesta Sexta-feira

Na sexta-feira (19), o mercado ensaiou recuperação. O contrato março/26 avançou 1,31%, sendo negociado a 14,67 centavos de dólar por libra-peso. O maio/26 subiu 1,28%, para 14,28 centavos, e o julho/26 apresentou alta de 1,20%. Em Londres, o contrato março/26 alcançou US$ 420,20 por tonelada, valorização de 1,03%.

Mercado Interno: Açúcar Cristal em Alta

No Brasil, o mercado interno apresentou movimento de alta para o açúcar cristal. Segundo o Indicador Cepea/Esalq, a saca de 50 quilos negociada pelas usinas passou de R$ 109,65 na quarta-feira para R$ 111,00 na quinta-feira, representando valorização de 1,23%.

Etanol Hidratado Registra Pequena Alta

O etanol hidratado também apresentou ligeira valorização. De acordo com o Indicador Diário de Paulínia, o biocombustível foi vendido a R$ 3.024,00 por metro cúbico, alta de 0,02% em relação ao dia anterior.

Leia mais:  Açúcar sobe nas bolsas internacionais com forte demanda do Paquistão
Panorama Semanal: Volatilidade e Tendência de Alta

Levantamento do Cepea mostra que, entre 8 e 12 de dezembro, o açúcar cristal branco em São Paulo oscilou cerca de R$ 3,00 por saca, com média semanal de R$ 110,30, alta de 2,09% em relação à semana anterior.

No mercado de etanol, a oferta restrita no spot paulista impulsionou os preços. O hidratado líquido fechou a semana em R$ 2,9092/litro, alta de 0,83%, marcando a nona elevação consecutiva, enquanto o anidro alcançou R$ 3,3256/litro, com alta de 0,39%, registrando a oitava semana seguida de valorização.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

Publicado

A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

Leia mais:  Safra 2025/26 deve alcançar 354,7 milhões de toneladas de grãos, aponta primeiro levantamento da Conab

Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

Leia mais:  Coopercam anuncia Rodada de Negócios 2025 com palestras, artesanato e oportunidades para cafeicultores

A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana