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Mercado global de arroz segue em baixa, com pressão de oferta e demanda limitada

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O mercado internacional de arroz encerrou novembro sob pressão, refletindo o avanço das colheitas e a lentidão nas negociações em diversos países produtores. Segundo o Conselho Internacional de Grãos (IGC), o subíndice do cereal registrou queda de 1% no mês, resultado de uma atividade comercial mais moderada e de fatores sazonais que limitaram a recuperação dos preços.

Apesar disso, o órgão observou sinais de leve melhora após o valor internacional do grão atingir o menor patamar em oito anos. A movimentação do mercado variou conforme a origem do produto, influenciada também pela ausência de dados atualizados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), conforme apontaram relatórios setoriais.

Tailândia e Índia registram movimentos opostos nas cotações

Na Tailândia, o IGC destacou que os atrasos na colheita da nova safra e as expectativas de exportação para outros países asiáticos sustentaram um aumento nas cotações do arroz branco com 5% de quebra.

Já na Índia, a situação foi oposta: a ampla oferta da safra kharif pressionou os preços do arroz branco, enquanto o arroz parboilizado apresentou alta, impulsionado pela escassez no mercado interno e pela forte demanda de países vizinhos.

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Demanda asiática eleva preços nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o relatório do IGC apontou que a demanda de compradores do Pacífico Asiático elevou as cotações do arroz de grão médio ao maior nível em 15 meses. Ainda assim, representantes do setor afirmaram que, no mercado à vista, os preços permanecem abaixo do patamar ideal para incentivar novas vendas.

A confirmação de uma venda ao Oriente Médio trouxe um leve otimismo ao segmento de arroz de grão longo, embora a tendência geral siga enfraquecida no continente americano.

FAO destaca ampla oferta e efeitos cambiais como fatores de queda

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também registrou recuo global nos preços do arroz em outubro, com destaque para as quedas mais acentuadas nas variedades glutinosa e indica — esta última atingindo o menor nível desde 2019.

De acordo com a FAO, a ampla disponibilidade do grão, a forte concorrência internacional e os efeitos cambiais continuam pressionando as cotações em vários países, reforçando o cenário de enfraquecimento do mercado global do cereal.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil reduz desmatamento em quase 21% em 2025, mas especialistas alertam para leitura técnica dos dados

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O Brasil registrou uma redução de quase 21% no desmatamento em 2025, segundo o Relatório Anual do Desmatamento divulgado pela rede colaborativa MapBiomas. O resultado representa o melhor desempenho dos últimos seis anos e reforça o papel do país no debate internacional sobre produção sustentável e segurança climática.

A análise técnica dos dados, no entanto, indica que o cenário exige cautela, especialmente diante da manutenção de elevados volumes de vegetação suprimida e do aumento das exigências globais por rastreabilidade nas cadeias produtivas do agronegócio.

Queda no desmatamento ocorre em todos os biomas

De acordo com o levantamento, a redução do desmatamento foi observada em todos os biomas brasileiros.

Em relação a 2024, os principais destaques foram:

  • Cerrado: queda de 17%
  • Amazônia: redução de 23,5%
  • Pantanal: retração de 48,4% (maior redução proporcional entre os biomas)

O resultado reforça a tendência de desaceleração do desmatamento ilegal em diferentes regiões do país, ainda que com variações significativas entre os biomas.

Avanço ambiental fortalece posição do Brasil, mas exige cautela

Para o zootecnista, CPO (Chief Product Officer) e cofundador da Agrotools, Breno Félix, o resultado é positivo e demonstra avanço em relação ao compromisso assumido pelo Brasil no Acordo de Paris, que prevê zerar o desmatamento ilegal até 2030.

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No entanto, ele ressalta que a leitura dos dados deve ser feita com atenção ao contexto global.

Segundo a análise, embora haja redução, o volume absoluto de áreas desmatadas ainda é elevado, e a pressão de mercados internacionais por cadeias produtivas rastreáveis tende a crescer nos próximos anos.

Rastreabilidade se torna fator de competitividade no agronegócio

O especialista destaca que o mercado global já opera sob novas métricas de avaliação de risco socioambiental.

Hoje, além de produtividade e preço, compradores internacionais, instituições financeiras e tradings incorporam critérios como:

  • origem da produção
  • conformidade ambiental
  • rastreabilidade territorial
  • risco socioambiental da cadeia

Na prática, esses fatores passaram a influenciar diretamente a competitividade das commodities brasileiras no comércio global.

Tecnologia e monitoramento impulsionam queda do desmatamento

A redução registrada em 2025 também é atribuída ao avanço de sistemas de monitoramento ambiental e ao aumento das exigências de conformidade.

O uso de tecnologia permitiu maior transparência sobre áreas antes pouco monitoradas, ampliando a capacidade de fiscalização e controle de irregularidades ambientais.

Com isso, o desafio do setor deixou de ser apenas monitorar o desmatamento e passou a ser integrar dados territoriais, ambientais, fundiários e regulatórios em sistemas de inteligência capazes de operar em tempo real.

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Inteligência territorial e dados geoespaciais ganham protagonismo

Nesse contexto, soluções de inteligência territorial tornam-se essenciais para garantir conformidade ambiental em larga escala.

A Agrotools atua com uso de imagens de satélite, sensoriamento remoto e análise de dados geoespaciais para monitoramento contínuo de propriedades rurais.

A plataforma cruza informações ambientais, geográficas e regulatórias para:

  • identificar supressão de vegetação
  • gerar alertas automáticos de risco
  • rastrear origem da produção agropecuária
  • apoiar análise socioambiental de fornecedores

Essas ferramentas são utilizadas por bancos, frigoríficos, tradings e agroindústrias para avaliar carteiras de crédito e cadeias de fornecimento.

Conformidade ambiental se consolida como ativo estratégico do agro

O avanço das tecnologias de monitoramento fortalece políticas de desmatamento zero, amplia a transparência das cadeias produtivas e reduz riscos jurídicos e reputacionais para o setor.

No cenário atual, rastreabilidade e conformidade ambiental deixam de ser apenas exigências regulatórias e passam a ser fatores econômicos determinantes para a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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