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Mercado global de cacau inicia 2026 em fase de ajuste e busca por estabilidade

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Cacau entra em 2026 com preços em correção, mas ainda em patamares elevados

O mercado global de cacau inicia 2026 tentando reencontrar o equilíbrio após dois anos de intensa volatilidade e escassez de oferta. Segundo Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o setor vive uma fase de transição, marcada por ajustes tanto no lado produtivo quanto no financeiro.

A disparada dos preços observada no fim de 2025 — quando as cotações chegaram próximas de US$ 12,5 mil por tonelada na Bolsa de Nova York — deu lugar a um movimento consistente de correção. Atualmente, o produto é negociado ao redor de US$ 5 mil por tonelada, ainda acima da média histórica, sustentado por estoques globais reduzidos e pela lembrança de duas safras frustradas no Oeste Africano.

Essas informações integram o relatório “Perspectivas para Commodities 2026”, publicado pela StoneX no fim de janeiro, que analisa os principais vetores de influência sobre o mercado do cacau neste ano.

Safra africana mostra sinais de recuperação, mas desafios persistem

Na Costa do Marfim e em Gana — responsáveis por mais de 60% da produção mundial —, os primeiros indicadores da safra 2025/26 apontam melhora no ritmo de entregas, impulsionada por condições climáticas mais favoráveis no final de 2025.

Apesar do alívio, Bezzon alerta que o cenário ainda exige cautela. “A umidade do solo permanece abaixo do ideal em áreas-chave, e problemas fitossanitários continuam ameaçando o potencial produtivo. A experiência da safra anterior, que começou forte e perdeu fôlego rapidamente, reforça a necessidade de prudência”, observa.

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Paralelamente, novos produtores ganham espaço no mercado global. O Equador é o principal destaque, com exportações recordes e ganhos de produtividade sustentados por investimentos em manejo agrícola. Países como Indonésia, Nigéria e Brasil também ampliaram discretamente sua presença no comércio internacional. Ainda assim, o Oeste Africano continua sendo o pilar do mercado, embora a expansão dos produtores secundários possa reduzir a vulnerabilidade a choques regionais ao longo de 2026.

Indústria de chocolates ajusta consumo e reformula produtos

No lado da demanda, a indústria global de chocolates e confeitaria passa por uma fase de adaptação estrutural após dois anos de custos elevados. Segundo Bezzon, muitas empresas optaram por reduzir o tamanho dos produtos, ajustar receitas e substituir parcialmente a manteiga de cacau — que chegou a ser cotada a US$ 40 mil por tonelada nos Estados Unidos —, resultando em queda no consumo de subprodutos e menor demanda por amêndoas.

As moagens trimestrais continuam sendo o principal termômetro da atividade industrial, embora sua interpretação exija cuidado. “A retração observada na Europa e na Ásia, e em menor grau na América do Norte, reflete tanto pressão sobre margens quanto escassez de amêndoas de qualidade, o que torna difícil separar os efeitos conjunturais das mudanças estruturais de consumo”, explica o analista.

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Projeções da ICCO e da StoneX indicam mercado mais equilibrado

A Organização Internacional do Cacau (ICCO) revisou recentemente suas estimativas para a safra 2024/25, reforçando a visão de que o mercado segue estruturalmente apertado. Já a StoneX projeta para 2025/26 um superávit de 287 mil toneladas, reflexo de demanda mais moderada e recuperação parcial da produção africana.

Se esse cenário se confirmar, a relação estoque-consumo pode voltar a níveis próximos aos históricos, sinalizando normalização gradual do balanço global ao longo de 2026.

Investidores ajustam posições e curva de preços se estabiliza

No campo financeiro, o comportamento dos contratos futuros de cacau aponta uma mudança de fase no mercado. Após dois anos marcados por forte backwardation — quando os preços de curto prazo são superiores aos de longo prazo —, a curva se achatou, indicando menor percepção de escassez imediata e expectativa de equilíbrio nos próximos ciclos.

O analista da StoneX destaca que o aumento das posições vendidas por investidores especulativos sugere um sentimento de curto prazo mais baixista, embora o mercado continue sujeito a episódios de volatilidade em caso de surpresas na oferta ou na demanda.

Além disso, a inclusão do cacau no Bloomberg Commodity Index, em janeiro, tende a gerar novo fluxo comprador e influenciar o comportamento das cotações ao longo dos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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MRS Logística e DP World ampliam solução multimodal e conectam agronegócio do Centro-Oeste ao Porto de Santos

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Logística multimodal ganha força no escoamento do agronegócio brasileiro

A logística ferroviária para transporte de cargas conteinerizadas vem ampliando sua participação no escoamento da produção agrícola no Brasil. A MRS Logística identificou, nos últimos meses, aumento da demanda de produtores do Centro-Oeste por soluções integradas voltadas à exportação via portos.

Nesse cenário, ganha destaque uma parceria estratégica com a DP World, empresa global de soluções logísticas e supply chain, voltada ao transporte de commodities como algodão, feijão, gergelim e açúcar.

Parceria busca reduzir gargalos no Porto de Santos

O principal objetivo da iniciativa é enfrentar os desafios logísticos relacionados ao Porto de Santos, o maior do país. O terminal enfrenta congestionamentos frequentes, o que impacta prazos de embarque e eleva custos para exportadores.

A solução multimodal busca justamente mitigar esses gargalos, integrando diferentes modais e ampliando a eficiência do fluxo logístico.

Integração entre rodovia, ferrovia e porto

O modelo operacional funciona em etapas integradas:

  • Transporte rodoviário das fazendas do Centro-Oeste até terminais parceiros
  • Conteinerização das cargas em unidades localizadas em Suzano, Jundiaí e Paulínia
  • Transporte ferroviário até o Porto de Santos
  • Embarque para exportação internacional
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Esse fluxo garante maior previsibilidade e redução de interferências no processo logístico.

Solução amplia competitividade e reduz custos

Segundo a MRS Logística, a estrutura integrada proporciona ganhos importantes para o agronegócio, incluindo:

  • Redução de custos logísticos
  • Maior escala operacional (até 84 TEUs por viagem)
  • Melhor aproveitamento de infraestrutura portuária
  • Possibilidade de armazenamento nos terminais parceiros
  • Garantia de recebimento no porto

A combinação entre ferrovia e infraestrutura portuária busca aumentar a competitividade das exportações brasileiras no mercado global.

Sustentabilidade e eficiência ganham destaque

Além dos ganhos econômicos, a solução também contribui para a redução da pegada ambiental do transporte de cargas, ao ampliar o uso do modal ferroviário, considerado mais eficiente em termos de emissões por tonelada transportada.

MRS destaca integração como solução do campo ao porto

O gerente comercial da MRS Logística, Marco Dornelas, destaca que a integração entre os modais é um diferencial estratégico para o agronegócio brasileiro.

“Nossa expertise ferroviária, combinada com a infraestrutura portuária de ponta da DP World, permite que os produtores brasileiros alcancem mercados globais de forma mais rápida, econômica e ambientalmente responsável”, afirma.

Solução reforça papel da ferrovia no agronegócio

De acordo com Dornelas, o modelo oferece uma solução completa de transporte, desde a origem no campo até o embarque no navio.

“A solução reforça o papel estratégico da ferrovia no desenvolvimento do agronegócio nacional e atende à necessidade urgente de escoamento de commodities aos portos”, complementa.

Tendência é expansão de soluções integradas no Brasil

A crescente demanda por eficiência logística no agronegócio deve impulsionar novas iniciativas de integração entre modais no país. A combinação entre rodovias, ferrovias e portos tende a se consolidar como alternativa para reduzir gargalos estruturais e ampliar a competitividade das exportações brasileiras no mercado internacional.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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