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Mercado global de carne bovina enfrenta alta de preços e impactos de tarifas sobre exportações brasileiras

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Segundo o relatório Global Beef Quarterly Q3 2025, da RaboResearch, os preços do gado continuam em trajetória de valorização em diversas regiões do mundo. Países do Hemisfério Norte ainda registram cotações recordes, embora Estados Unidos e Canadá tenham apresentado leve desaceleração nas últimas semanas.

No Hemisfério Sul, a demanda por carne bovina cresce diante da menor oferta norte-americana e de sinais de recuperação no mercado chinês, o que pressiona os preços para cima em países exportadores, como Brasil e Austrália.

Produção global em retração

A produção mundial de carne bovina recuou no primeiro semestre de 2025, com destaque para quedas na Europa (-5%), Nova Zelândia (-17%) e Estados Unidos (-5%). No mesmo período, Austrália (+11%) e China (+7%) registraram aumento de produção, mas não foram suficientes para compensar a retração global, estimada em -2% para o ano.

EUA impõem tarifas mais altas à carne brasileira

O relatório aponta que os Estados Unidos elevaram as tarifas sobre a carne bovina brasileira para até 76,4%, somando os impostos anteriores às novas sobretaxas. O Brasil havia exportado volume recorde de 336 mil toneladas no primeiro semestre, e a expectativa é de que os embarques ao mercado norte-americano sejam impactados no segundo semestre.

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Ainda há incertezas se os volumes já importados pelos EUA foram estocados e seguirão entrando no mercado interno, ou se haverá escassez que aumentará a demanda de outros fornecedores globais.

Exportações brasileiras seguem firmes apesar das barreiras

Mesmo com as tarifas, as exportações brasileiras atingiram recorde histórico em julho de 2025, superando a marca de 300 mil toneladas em um único mês. A receita saltou 46% na comparação anual, alcançando US$ 1,7 bilhão.

China e Estados Unidos responderam juntos por 56% do volume exportado e 59% da receita. A demanda chinesa segue aquecida, e a postergação de uma decisão regulatória de Pequim sobre importações trouxe alívio temporário aos exportadores brasileiros.

Oferta restrita pressiona mercado interno

A forte demanda internacional reduziu em 2,2% a disponibilidade de carne bovina no mercado doméstico brasileiro no primeiro semestre, o que vem elevando preços ao consumidor. Além disso, a queda no número de machos prontos para abate e a retração histórica na produção de bezerros em Mato Grosso indicam que a oferta seguirá limitada até o final de 2025.

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Os custos de alimentação caíram 14% em relação ao ano anterior, o que melhora as margens de confinamento, mas a expectativa é de que os preços do boi gordo sigam firmes devido ao desequilíbrio entre oferta e demanda.

Perspectivas globais: desafios e oportunidades
  • Austrália: produção recorde e exportações em alta para EUA e China.
  • Nova Zelândia: queda de produção, mas recorde em valor médio das exportações.
  • China: preços internos em recuperação, importações devem crescer no segundo semestre.
  • Europa: mercado apertado, com doenças animais registradas na Itália e França.
  • EUA: produção em queda, aumento das importações e margens de produtores em alta.
  • México: exportações ganham força, com Brasil ampliando participação no mercado local.
  • Japão: consumo interno segue em queda, com perspectivas negativas para importações.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agronegócio lidera crescimento da economia com alta de 2,8% no segundo trimestre

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A agropecuária voltou a ocupar o centro do crescimento da economia brasileira no segundo trimestre de 2026. Dados divulgados nesta terça-feira (1º.09) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o setor avançou 2,8% entre abril e junho, mais de cinco vezes a alta de 0,5% registrada pelo Produto Interno Bruto (PIB) do País no mesmo período.

O desempenho foi o melhor entre os três grandes setores da economia. Enquanto a agropecuária cresceu 2,8% em relação aos três primeiros meses do ano, os serviços avançaram 0,2% e a indústria ficou praticamente estável, com alta de 0,1%. Em valores correntes, o PIB brasileiro alcançou R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre.

A diferença também aparece na comparação com o mesmo período do ano passado. A economia brasileira cresceu 2% frente ao segundo trimestre de 2025, enquanto a agropecuária avançou 6,8%. Indústria e serviços cresceram 1,5% cada.

Segundo o IBGE, o resultado do campo foi favorecido pelo desempenho da pecuária e por culturas que registraram aumento da produção e ganhos de produtividade. Entre os produtos agrícolas com peso relevante no período, a estimativa para a soja aumentou 5,3% em relação a 2025 e a do café avançou 15,1%.

Nem todas as culturas acompanharam o movimento. A produção de arroz apresentou queda de 11,3% e a de algodão recuou 6,7%, enquanto o milho permaneceu praticamente estável.

Essas variações das lavouras, porém, não podem ser comparadas diretamente com os 2,8% de crescimento trimestral da agropecuária. O IBGE explica que não dispõe de séries com ajuste sazonal para cada cultura, o que impede determinar exatamente quanto soja, café ou qualquer outro produto contribuiu para o avanço entre o primeiro e o segundo trimestre.

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O resultado divulgado nesta terça-feira ganha relevância também pelo comportamento do restante da economia. O crescimento do PIB perdeu velocidade em relação aos primeiros três meses do ano, quando havia avançado 1,1%. No segundo trimestre, indústria e serviços praticamente ficaram de lado, enquanto o consumo das famílias recuou.

Na indústria, a alta de apenas 0,1% foi garantida principalmente pelas atividades extrativas, que cresceram 3,4%, favorecidas pelo aumento da produção de petróleo e gás. A indústria de transformação caiu 0,4%, mesma retração registrada pela construção. Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos recuaram 1,1%.

Os serviços, responsáveis pela maior parcela da economia brasileira, avançaram 0,2%. Informação e comunicação cresceu 2,1% e transporte, armazenagem e correio, atividade diretamente ligada ao escoamento da produção agropecuária, aumentou 1,1%. As atividades imobiliárias avançaram 0,2%, enquanto comércio e outras atividades de serviços ficaram estáveis.

Pelo lado da demanda, também houve sinais de perda de força da economia. O consumo das famílias caiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre, apesar do aumento da massa salarial real e da disponibilidade de crédito. O consumo do governo avançou 0,4%.

Os investimentos apresentaram resultado melhor, com crescimento de 1,2%. Já no comércio exterior, as exportações de bens e serviços recuaram 0,8% no trimestre, enquanto as importações aumentaram 1,8%.

O desempenho da agropecuária também aparece nos números acumulados do ano. No primeiro semestre, o PIB brasileiro cresceu 1,9% em relação aos seis primeiros meses de 2025. O campo avançou 3,6%, praticamente o dobro da economia como um todo e acima dos serviços, com alta de 1,8%, e da indústria, com 1,6%.

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A comparação com 2025 mostra ainda uma mudança importante na dinâmica trimestral do setor. No segundo trimestre do ano passado, a agropecuária havia recuado 0,1% frente aos três primeiros meses. Agora, no mesmo tipo de comparação, registra expansão de 2,8%.

O crescimento ocorre depois de um 2025 excepcional para o campo. No ano passado, a agropecuária avançou 11,7%, resultado que teve peso importante para o crescimento de 2,3% do PIB brasileiro. A base elevada torna o avanço de 6,8% registrado no segundo trimestre deste ano ainda mais relevante.

Nos quatro trimestres encerrados em junho, a agropecuária acumula crescimento de 6,2%. É novamente o melhor resultado entre os grandes setores: os serviços avançam 1,7% e a indústria, 1,4%. A economia brasileira acumula alta de 1,9% nesse intervalo.

Os números divulgados pelo IBGE reforçam também uma diferença importante entre o desempenho da produção e o ambiente financeiro enfrentado pelo produtor. O crescimento ocorre em um período ainda marcado por juros elevados, crédito mais caro e pressão sobre as margens de algumas atividades.

Mesmo nesse cenário, o campo inicia a segunda metade de 2026 crescendo acima do restante da economia. O PIB perdeu velocidade entre o primeiro e o segundo trimestre, mas a agropecuária seguiu na direção contrária e apresentou a maior expansão entre os principais setores produtivos do País.

Fonte: Pensar Agro

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