Saúde

Ministério da Saúde debate equidade no cuidado oncológico para crianças indígenas em seminário na Opas

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O Ministério da Saúde (MS), por meio do Departamento de Atenção ao Câncer (DECAN), vinculado à Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES), promoveu no dia 16 deste mês, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), um seminário nacional dedicado à equidade no cuidado oncológico pediátrico para crianças indígenas. O encontro reuniu, de modo híbrido, representantes das áreas técnicas do MS, de sociedades especializadas e civil, dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), de hospitais de referência e de organismos internacionais para discutir estratégias de prevenção, diagnóstico precoce, atenção intercultural e ampliação do acesso ao tratamento oncológico infantojuvenil no Sistema Único de Saúde (SUS).

A mesa de abertura contou com a participação do diretor do DECAN/SAES, José Barreto; da diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena da Secretaria de Saúde Indígena (DAPSI/SESAI), Putira Sacuena; da diretora do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (DAENT/SVSA), Leticia Cardoso; Luiz Henrique Costa representando a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE); Luciana Vieira, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS); Rodrigo Lacerda, do Conselho Nacional de Secretarias municipais de Saúde (CONASEMS); e Dr. Jonas Gonseth-Garcia, da OPAS/Brasil.

Durante o discurso inicial, José Barreto destacou o compromisso institucional com a consolidação de uma rede de cuidado que considere as especificidades culturais, territoriais e epidemiológicas das crianças indígenas.

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“Garantir o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado para crianças indígenas é um compromisso ético e estrutural do SUS. Este seminário reforça a importância de uma rede integrada, sensível às diversidades culturais e organizada para oferecer cuidado acolhedor, qualificado e equitativo. Avançar na prevenção, no reconhecimento oportuno dos sinais e na oferta de atenção especializada significa salvar vidas e fortalecer, de maneira concreta, o direito à saúde para todos os povos indígenas. ”, afirmou o diretor.

A programação contou com a apresentação do Plano Nacional de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil destacando diretrizes para vigilância, capacitação e identificação precoce de sinais e sintomas além do papel do letramento em saúde e a importância do respeito às tecnologias tradicionais de cuidado no contexto indígena.

Na sequência, a equipe da SVSA apresentou o panorama epidemiológico do câncer infantojuvenil no Brasil, com ênfase nas diferenças regionais e nas especificidades da mortalidade em crianças indígenas. A SESAI complementou com análises sobre os registros de saúde nos DSEIs e desafios relacionados à cobertura e às barreiras territoriais.

Os painéis também discutiram gargalos no fluxo de referência e contrarreferência no Subsistema de Saúde Indígena (SasiSUS), desafios culturais na identificação precoce do câncer, além de experiências de hospitais de referência das regiões Norte e Sudeste. Temas como acolhimento, humanização, integração com práticas tradicionais, condições nutricionais, comorbidades e toxicidades diferenciadas completaram a agenda.

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No bloco dedicado à interculturalidade, ressalta-se a contribuição da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), que enfatizou a importância da construção de práticas assistenciais respeitosas aos modos de vida e às tecnologias tradicionais dos povos indígenas.

“Realizar este primeiro Seminário Nacional sobre Câncer Infantojuvenil da População Indígena é uma conquista e um marco significativo para a Sesai, pois esta é uma temática que ainda requer muita visibilidade e atenção diferenciada, que considere as especificidades dos nossos povos. Os tratamentos, as reações, também sofrem alterações por conta dos contextos desses pacientes, e trazer luz ao tema, unir profissionais e parcerias especializadas deve não só ampliar, como otimizar os resultados que buscamos”, afirmou Putira Sacuena, diretora do DAPSI/Sesai.

A plenária final reforçou a importância da atuação conjunta entre o SAES, SESAI, SVSA, SAPS, OPAS e demais parceiros na ampliação do acesso, qualificação das redes assistenciais e promoção de um cuidado digno, acolhedor e culturalmente adequado para crianças indígenas em tratamento contra o câncer. O seminário representa um marco importante na agenda interinstitucional de equidade em saúde no país.

Patricia Coelho
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Ministério da Saúde abre audiência pública para criação de teste portátil de diagnóstico de tuberculose

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O Ministério da Saúde publicou no Diário Oficial da União da última segunda-feira (22/06) o chamamento para audiência pública que ouvirá empresas e instituições de todo o país interessadas em construir um dispositivo portátil capaz de diagnosticar a tuberculose, a partir de amostras de saliva. A iniciativa marca a primeira Encomenda Tecnológica (Etec) proposta pela pasta e prioriza o enfrentamento de doenças negligenciadas.

A escuta será realizada virtualmente, às 14h30 do dia 8 de julho, com transmissão pelo canal do DataSUS no Youtube. Os interessados em participar deverão confirmar presença pelo e-mail [email protected] até as 17h do dia 7 de julho, informando nome, CPF e CNPJ da instituição que representam. A mensagem deverá ser enviada com o título “Inscrição na Audiência Pública – Escuta de Mercado”. As contribuições formais serão coletadas por meio de um questionário específico, que será divulgado durante o evento e ficará disponível por 30 dias.

A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, explica que o cenário da doença no Brasil foi considerado para definir o objeto da Etec. Isso porque dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam que, somente em 2025, o Brasil registrou mais de 85,6 mil casos de tuberculose.

Embora o Brasil tenha avançado significativamente no diagnóstico da tuberculose, os métodos atuais ainda enfrentam algumas limitações. A baciloscopia, exame laboratorial para detecção de bactérias, por exemplo, é amplamente ofertada no SUS, mas apresenta sensibilidade limitada, especialmente em crianças e pessoas com HIV. O método também não permite a identificação da resistência aos medicamentos.

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A cultura para micobactérias, tecnologia de referência para confirmação da doença, por sua vez, exige infraestrutura laboratorial e tempo prolongado para obtenção dos resultados. Já o teste molecular (TRM-TB), que detecta a enfermidade em poucas horas, está disponível em polos urbanos com maior alcance para populações em situação de vulnerabilidade, uma vez que necessita de instalações laboratoriais.

Nesse cenário, Fernanda De Negri ressalta que a Etec terá como foco o desenvolvimento de um dispositivo que deverá atender critérios como o baixo custo de operação, a dispensa de infraestrutura laboratorial complexa e a capacidade de identificar se a doença é resistente aos dois principais medicamentos do tratamento atual, a rifampicina e a isoniazida.

A proposta, pontua, é viabilizar que moradores de regiões isoladas tenham o mesmo nível de atendimento daqueles que vivem em centros urbanos, reduzindo o tempo de espera pelo diagnóstico laboratorial.

“A tuberculose ainda afeta de forma desproporcional as populações mais vulneráveis. Por isso, um dispositivo portátil, que pode ser transportado facilmente e sem infraestrutura complexa, vai nos permitir ampliar significativamente a busca ativa de casos, garantindo uma resposta rápida e eficiente para as pessoas que mais precisam”, afirmou a secretária. 

Outra exigência fundamental é que o aparelho seja desenvolvido em território nacional. “É uma decisão estratégica para fomentar o desenvolvimento tecnológico no país”, ponderou Fernanda De Negri.

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Diferentemente das licitações tradicionais, que servem para comprar bens e serviços já disponíveis nas prateleiras do mercado, a Etec é usada quando há uma barreira real que precisa ser superada a partir de uma inovação que ainda não existe. Nesse caso, o governo apresenta o desafio e financia a pesquisa e o desenvolvimento do produto necessário para abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS).

Parceria com a ABDI

A Etec em saúde foi anunciada pelo Governo do Brasil em março deste ano, e é elaborada em cooperação com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). A parceria prevê apoio técnico da entidade em etapas como definição de demandas, escuta de mercado, avaliação de riscos tecnológicos e seleção de instituições participantes. Já o Ministério da Saúde será responsável pelas decisões, diretrizes estratégicas e implementação do instrumento.

Cronograma

O edital de chamamento da iniciativa será divulgado até 1º de setembro. As propostas das instituições que desejam participar da iniciativa deverão ser encaminhadas no período de 1º a 30 de setembro. A seleção, análise de recursos e divulgação do resultado ocorrerão de 1º de outubro a 30 de novembro. Já a celebração do contrato deverá ser realizada até 15 de dezembro.

Confira o aviso e o caderno da audiência pública

Mais informações poderão ser obtidas pelo e-mail eletrônico [email protected]

Roberta Paola
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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