Saúde

Ministério da Saúde implementa e amplia o método Wolbachia em cidades de Santa Catarina

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O Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), iniciou nesta quinta-feira (26/08/2025), a liberação de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia para combater as arboviroses como dengue, Zika e chikungunya nos municípios de Joinville, Balneário Camboriú e Blumenau, em Santa Catarina. A cidade de Joinville, que vem sendo beneficiada desde 2024, recebeu os mosquitos, chamados Wolbitos, em 60% do território e agora expande a liberação para novas regiões. 

A escolha dos municípios prioritários é feita pelo Ministério da Saúde com base em indicadores epidemiológicos, ou seja, na ocorrência, em padrões elevados, de casos de dengue nos últimos anos e na presença do Aedes aegypti em infestações capazes de sustentar a transmissão das arboviroses urbanas. A pasta investiu aproximadamente R$ 5,2 milhões na ação nos três municípios. Os mosquitos são produzidos na biofábrica inaugurada em julho de 2025, em Curitiba (PR), que tem capacidade para produzir 100 milhões de ovos por semana. 

Na ação realizada nos municípios de Santa Catarina, as liberações dos mosquitos deverão ocorrer até o início de 2026, totalizando 26 semanas. Ao todo, mais de 400 mil catarinenses serão beneficiados nesta nova fase de expansão do Método Wolbachia. 

“O Ministério da Saúde, junto com as secretarias estaduais e municipais de saúde, tem feito a expansão do método Wolbachia, adequando cada vez mais a sistemática do nosso Sistema Único de Saúde, que exige uma parceria sinérgica entre os entes federativos. O objetivo é reduzir a ocorrência de epidemias dentro do nosso país e evitar o óbito por dengue”, afirma o secretário adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente, Fabiano Pimenta. 

Ele reforça que a ampliação será feita de forma planejada e com base em critérios técnicos: “O Brasil será beneficiado de maneira gradual, levando em consideração critérios epidemiológicos e cidades estratégicas, como, por exemplo, aquelas que têm uma densidade populacional muito grande, com trânsito de pessoas que podem ser mais vulneráveis à introdução da doença com novos sorotipos.” 

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Com a ampliação do método, o Ministério da Saúde complementa as estratégias de enfrentamento às arboviroses urbanas, com base em evidências científicas bem fundamentadas. A população continuará tendo papel fundamental no processo, devendo manter os cuidados tradicionais contra o Aedes aegypti em sinergia com as atividades rotineiras dos Agentes de Combate às Endemias. 

O método é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e já foi adotado em 14 países. No Brasil, passou a fazer parte das políticas públicas de saúde para o controle das arboviroses, a partir de um seminário internacional que analisou uma série de inovações tecnológicas e recomendou, como estratégia para uso em saúde pública, o método Wolbachia. 

Ação em Santa Catarina 

A ampliação da abrangência da estratégia em Santa Catarina representa um ganho para toda a população dos três municípios, que enfrentaram alta transmissão de dengue nos últimos anos. No ano de 2025, foram notificados 27.081 casos prováveis de dengue (336,1 casos por 100.000 habitantes), com 17 óbitos confirmados e outros quatro em investigação. Os dados apresentam uma queda de 92% dos casos no mesmo período de 2024. 

A implementação do Método Wolbachia, como estratégia complementar às atividades desenvolvidas pelo município, concretiza a parceria entre o Ministério da Saúde e a Fiocruz, junto aos governos locais, na consolidação de novas estratégias para redução dos casos de dengue e outras arboviroses. 

Sobre a tecnologia 

O método consiste na produção de mosquitos infectados com Wolbachia, bactéria que é encontrada em centenas de espécies de insetos e não transmite nenhuma doença, e que bloqueia o desenvolvimento dos vírus dentro do Aedes aegypti, diminuindo significativamente sua transmissão. 

Quando os mosquitos com a bactéria são liberados no ambiente, eles se reproduzem com mosquitos selvagens, ajudando a formar uma nova geração com menor capacidade de transmitir essas arboviroses. Com o tempo, a proporção de mosquitos com a Wolbachia aumenta, dispensando novas liberações. 

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Foto: divulgação/MS
Foto: Vitor Vasconcelos/MS

A tecnologia já foi implementada com sucesso em diversas cidades do Brasil e do mundo, sempre com reduções expressivas nos casos de arboviroses. Em Niterói, no Rio de Janeiro, por exemplo, os dados mais recentes apontam redução de até 88,8% nos casos de dengue. 

Enfrentamento à dengue

O Ministério da Saúde tem apoiado e financiado estratégias baseadas em evidências científicas e tecnologias inovadoras com o objetivo principal de contribuir para a redução de casos graves e óbitos por arboviroses, organizadas em seis eixos: 

  • Prevenção; 
  • Vigilância; 
  • Controle vetorial; 
  • Organização da rede assistencial; 
  • Preparação e resposta às emergências; 
  • Comunicação e participação comunitária. 

O Brasil foi o primeiro país a oferecer a vacina contra a dengue no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2024, o Ministério da Saúde garantiu todo o estoque oferecido pelo laboratório produtor. Até o momento, quase 10 milhões de doses foram distribuídas no país, que já aplicou 6,9 milhões de doses do imunizante, sendo 4,6 milhões de primeiras doses e 2,2 milhões de segundas doses. 

O Ministério da Saúde reforça a importância da atualização da caderneta de vacinação. Para ampliar a oferta do imunizante e fortalecer a capacidade produtiva nacional, está prevista para 2026 a produção da vacina pelo Instituto Butantan, com a capacidade anual de 60 milhões de doses. 

A vigilância também segue ativa no país, com participação imprescindível dos estados e municípios, e com a rede nacional de laboratórios públicos mantida e equipada para confirmar casos, identificar os sorotipos do vírus da dengue em circulação e realizar vigilância genômica, com divulgação pública dos resultados para maior transparência e controle da doença. 

Vanessa Aquino 
Ministério da Saúde 

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Parteiras e parteiros indígenas de todo o Brasil se reúnem em encontro nacional

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Entre os dias 08 e 11 de junho, a capital de Rondônia será palco de um movimento histórico: o primeiro Encontro Nacional de Parteiras e Parteiros Indígenas. Organizado pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, o evento não é apenas uma reunião técnica, mas um gesto de reconhecimento ao protagonismo de mulheres e homens que, há gerações, protegem os ciclos da vida e a sobrevivência física e cultural de seus povos.

O encontro responde a um chamado das próprias comunidades e busca reconhecer as “tecnologias da floresta”, à luz do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante três dias, representantes dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), além de especialistas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mergulharão em uma jornada de escuta sensível e troca de experiências.

Reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como figuras cruciais para a saúde materna, as parteiras tradicionais desenvolvem um saber construído na prática e na transmissão oral. Esse conhecimento acumulado será o centro das atenções em Porto Velho. A programação prevê diálogos sobre o preparo do corpo para a gestação, o uso de ervas medicinais e o cuidado com as adolescentes desde a primeira menstruação.

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“Este encontro representa um passo importante no reconhecimento das parteiras e parteiros indígenas como guardiões de conhecimentos ancestrais”, destaca a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé. Segundo ela, a iniciativa visa construir caminhos para que esses saberes sejam respeitados e integrados às políticas públicas de saúde.

Tecendo o futuro da saúde indígena

A metodologia do evento foi desenhada para ser tão profunda quanto os temas tratados. Atividades como a dinâmica “Tecendo Conhecimentos” e a construção da “Árvore do Conhecimento” permitirão que os participantes sistematizem suas práticas de forma coletiva.

O encontro ainda prevê a elaboração de dois documentos orientadores: o Guia de Parteira para Parteira, focado em boas práticas, rituais e o uso de kits de cuidado; e o Guia para Profissionais de Saúde, uma bússola para que as equipes de saúde saibam como acolher e articular as práticas tradicionais com a medicina biomédica de forma culturalmente sensível.

 Ao promover esse diálogo intercultural, o Ministério da Saúde reafirma que a equidade e a integralidade do SUS só são plenamente alcançadas quando a espiritualidade e a autonomia dos povos indígenas são levadas em conta no ato de cuidar. O evento que se inicia em 9 de junho promete ser um marco onde a tradição e a modernidade se encontram para garantir que o nascimento em territórios indígenas continue sendo um ato de celebração da vida.

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Leidiane Souza
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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