Saúde

Ministério da Saúde vai formar 760 especialistas em enfermagem obstétrica no país

Publicado

Com investimento de R$ 17 milhões, o Ministério da Saúde vai reforçar o Sistema Único de Saúde (SUS) com 760 profissionais que estão em formação no curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica – Rede Alyne. A ação tem por objetivo formar mais especialistas para fortalecer a atenção obstétrica e neonatal no SUS. 

A especialização lato sensu iniciou em novembro de 2025 na modalidade presencial para enfermeiros e enfermeiras obstétricas, distribuídas em 38 sedes, vinculadas às Instituições de Ensino Superior (IES) e Escolas de Saúde Pública (ESP) do país para profissionais com pelo menos um ano de experiência na atenção à saúde das mulheres no SUS. 

As mulheres lideraram a seleção com 94% das aprovações. Um dos destaques do edital foi a priorização de candidaturas que estejam atuando em territórios interiorizados, fortalecendo o compromisso com a equidade e a ampliação do acesso à formação especializada. 

O processo seletivo recebeu 3.945 inscrições, com aprovação final de 760 candidatos em todas as regiões do país, cuja maior concentração de aprovados esteve no Nordeste 264 (35%), seguido do Sudeste 150 (20%), Norte 133 (18%), Sul 117 (15%) e Centro-Oeste 96 (13%). Os aprovados estão em 368 municípios, distribuídas nas regiões Nordeste (132 municípios), Sudeste (75), Sul (65), Norte (59), e Centro-oeste (37). Além da presença nos nove estados da Amazônia legal, em 11 Instituições de Ensino Superior (IES), com total de 194 vagas disponibilizadas. 

Leia mais:  Príncipe William confirma participação na COP30 em evento com ministro Padilha

A distribuição das vagas reforça o compromisso da gestão em regionalizar e interiorizar a atenção obstétrica e neonatal, contribuindo para a reestruturação do modelo de atenção à saúde da mulher e do recém-nascido. “Essa formação é mais uma ação do Ministério da Saúde para levar mais especialistas para áreas com carência de profissionais. Ao mesmo tempo, também contribui para o fortalecimento da Rede Alyne e da reestruturação do modelo de atenção à saúde da mulher e do recém-nascido no país”, destaca o secretário da SGTES, Felipe Proenço. 

A formação é coordenada pela  Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria de 38 instituições, além do apoio da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo). 

Carência profissional 

No Brasil, existem cerca de 13 mil enfermeiros obstétricos registrados no sistema do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Dessas, apenas 46% (6.247) possui vínculo com algum estabelecimento de saúde registrado no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o que evidencia insuficiência de profissionais para atender à demanda nacional. 

Leia mais:  Ministério da Saúde destaca importância da realização da pesquisa clínica no país

Em comparação, países com modelos de atenção centrados na enfermagem obstétrica apresentam uma densidade muito maior de profissionais, variando entre 25 e 68 por mil nascidos vivos, em contraste com os 5 por mil nascidos vivos no Brasil, segundo dados da Abenfo, de 2023. 

Especialização em enfermagem obstétrica – Rede Alyne 

Os profissionais selecionados no curso terão aulas em unidades vinculadas às Instituições de Ensino Superior (IES) e Escolas de Saúde Pública (ESP) do país e têm pelo menos um ano de experiência na Atenção à Saúde das Mulheres no SUS. Do total de aprovados, 58,9% estão vinculados a Atenção Primária da Saúde, incluindo territórios tradicionais; 34,5% a maternidades e Centros de Parto Normal; 4,1% a hospitais da rede Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e 2,5% a Escolas de Saúde Pública e Instituições de Ensino superior ligadas a CEEO. 

A especialização tem carga horária de 720 horas, com a duração estimada de 16 meses e turmas presenciais em todos os estados brasileiros.  

Nádia Conceição
Ministério da Saúde 

Fonte: Ministério da Saúde

publicidade

Saúde

Ministério da Saúde leva à ONU experiências do SUS sobre menopausa e doenças raras

Publicado

O Ministério da Saúde apresentou, nesta quarta-feira (23), em Nova York, nos Estados Unidos, experiências do Sistema Único de Saúde (SUS) na integração do cuidado à menopausa à Atenção Primária à Saúde (APS) e na organização da atenção às pessoas com doenças raras, com ações que incluem rede especializada, triagem neonatal e sequenciamento genético para ampliar o diagnóstico. As iniciativas foram apresentadas pelo secretário-executivo da pasta, Adriano Massuda, em dois eventos paralelos à Semana de Alto Nível da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Na primeira agenda, intitulada “Do Local ao Global: Acelerando a Pesquisa, as Políticas e o Cuidado na Menopausa”, o debate abordou caminhos para integrar de forma permanente a atenção à menopausa aos sistemas de saúde, com foco na Atenção Primária à Saúde (APS), além da necessidade de ampliar pesquisas, qualificar profissionais e fortalecer políticas públicas sobre o tema.

Massuda destacou o papel estratégico da Atenção Primária à Saúde (APS) na incorporação desse cuidado ao SUS. Por ser a principal porta de entrada do sistema, a APS permite acompanhar as mulheres de forma contínua nos territórios, articulando promoção da saúde, prevenção, identificação de necessidades, atenção clínica e encaminhamento para outros serviços da rede, quando necessário.

“O cuidado equitativo exige reconhecer as diferentes realidades vivenciadas pelas mulheres e responder às suas necessidades de forma integral e centrada na pessoa. Isso significa também superar a histórica invisibilidade dessas necessidades sem transformar um processo fisiológico em doença”, afirmou Massuda.

Segundo o secretário-executivo, ampliar esse cuidado também significa reconhecer que as mulheres vivenciam a menopausa de maneiras diferentes e que as respostas do sistema de saúde precisam considerar essas particularidades. A atenção deve integrar orientação sobre hábitos de vida saudáveis, saúde mental, autocuidado e tratamentos adequados, quando indicados, sem transformar um processo fisiológico em doença.

Entre as iniciativas em desenvolvimento no Brasil, Massuda destacou ações de formação de profissionais, a elaboração de orientações nacionais para o cuidado durante a transição menopausal e a menopausa e iniciativas de disseminação de boas práticas no SUS. O objetivo é fortalecer a capacidade da rede de oferecer informação, acolhimento e cuidado adequado às necessidades das mulheres.

Leia mais:  Ministério da Saúde fortalece atuação e valorização dos agentes comunitários e de combate às endemias

O secretário-executivo também ressaltou que o avanço dessa agenda depende da atuação conjunta do Ministério da Saúde, estados e municípios, gestores e trabalhadores do SUS, instituições de ensino e pesquisa, sociedades científicas e das próprias mulheres. Para Massuda, informação qualificada, autonomia e participação nas decisões sobre o próprio cuidado são elementos essenciais para uma atenção integral e equitativa.

Doenças raras e cobertura universal

Na sequência da programação, Massuda participou do evento “Da Política ao Impacto: Avançando na Cobertura Universal de Saúde por meio de Ações em Doenças Raras”, organizado pela Rare Diseases International (RDI). O encontro reuniu representantes de governos, organizações da sociedade civil, pessoas que vivem com doenças raras e outros atores da saúde global para discutir como transformar compromissos internacionais em ações concretas de diagnóstico, cuidado e acesso a tratamentos.

Durante o encontro, o secretário-executivo defendeu que as pessoas com doenças raras estejam plenamente incluídas nas estratégias de cobertura universal de saúde. Para o Brasil, essa inclusão exige sistemas capazes de garantir diagnóstico oportuno, cuidado contínuo e acesso equitativo às tecnologias e aos tratamentos disponíveis.

“Para o Brasil, as doenças raras são parte integrante da cobertura universal de saúde. Nossa experiência mostra que torná-las uma prioridade global deve caminhar junto com sistemas de saúde capazes de oferecer diagnóstico oportuno, cuidado contínuo e acesso equitativo ao tratamento”, afirmou Massuda.

O Brasil conta, desde 2014, com uma Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras no SUS. Atualmente, a rede especializada reúne 60 serviços habilitados, que atuam na atenção e no acompanhamento de pessoas com diferentes condições raras.

Massuda também destacou os investimentos brasileiros em diagnóstico precoce e de precisão, incluindo o Programa Nacional de Triagem Neonatal e a implementação do Sequenciamento Completo do Exoma na rede pública. O exame permite investigar alterações genéticas associadas a diferentes doenças e pode contribuir para reduzir a chamada jornada diagnóstica enfrentada por pacientes e famílias.

Leia mais:  Príncipe William confirma participação na COP30 em evento com ministro Padilha

Outro eixo abordado foi o acesso às terapias inovadoras e o desafio de conciliar a incorporação de novas tecnologias com a sustentabilidade dos sistemas universais de saúde. Entre as estratégias adotadas pelo Brasil estão mecanismos de compartilhamento de risco para o acesso ao Zolgensma, utilizado no tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), além de iniciativas de desenvolvimento clínico, transferência de tecnologia e fortalecimento da produção nacional.

No cenário internacional, Massuda reafirmou a disposição do Brasil de compartilhar experiências e ampliar a cooperação, inclusive por meio da cooperação Sul-Sul, em áreas como triagem neonatal, organização das redes de cuidado e acesso a tecnologias.

A discussão ocorre em um momento de avanço da pauta no cenário global. Em 2025, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou a primeira resolução da Organização Mundial da Saúde dedicada às doenças raras, reconhecendo o tema como uma prioridade de saúde global e determinando a elaboração de um plano de ação global para os próximos dez anos.

HIV/aids

Ainda nesta quarta-feira (23), Massuda também participou do evento “Liderança Africana e Produção Regional de Medicamentos de Ponta para Aids e Outras Pandemias”, promovido pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS). No encontro, o Brasil defendeu a ampliação do acesso a medicamentos, o fortalecimento da produção regional de tecnologias de saúde e compartilhou a experiência brasileira na resposta ao HIV/aids, baseada no SUS, na oferta universal e gratuita de medicamentos e na participação da sociedade civil.

As agendas integram a participação do Ministério da Saúde na Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas. A programação da pasta em Nova York segue até sexta-feira (25), com debates sobre diferentes desafios da saúde global e o fortalecimento da cooperação internacional. 

Thamirys Santos
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

Continue lendo

Mais Lidas da Semana