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Mitos e verdades sobre imunidade e vacinação na suinocultura: guia para produtores

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Importância da imunidade coletiva na suinocultura

A imunidade de rebanho é essencial para a saúde e produtividade na suinocultura. Quando grande parte do plantel está protegida, a propagação de doenças é reduzida, diminuindo mortalidade e perdas na produção, além de garantir rentabilidade e sustentabilidade da granja.

Apesar disso, diversos mitos cercam a vacinação e a resposta imune, causando dúvidas entre produtores e profissionais da cadeia suinícola.

Para esclarecer, a médica-veterinária Amanda Daniel, coordenadora técnica da unidade de Suinocultura da MSD Saúde Animal, detalhou 10 pontos comuns de confusão, explicando quais são mitos e quais refletem a realidade científica.

1. Imunidade materna protege os leitões desde o nascimento

Mito. Os suínos possuem placenta epiteliocorial, sem transferência de anticorpos da mãe para o feto. Ao nascer, os leitões dependem da absorção de colostro nas primeiras horas de vida. Falhas nessa etapa podem aumentar mortalidade neonatal e comprometer respostas vacinais futuras.

2. Estresse não afeta a resposta imunológica

Falso. Eventos estressantes como desmame, transporte e manejo inadequado elevam cortisol, suprimindo o sistema imune e prejudicando a produção de anticorpos. Isso diminui a eficácia das vacinas e aumenta a suscetibilidade a infecções.

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3. Nutrição tem papel secundário na imunidade

Mito. Proteínas, aminoácidos, vitaminas e minerais são fundamentais para o desenvolvimento da resposta imune. Deficiências nutricionais prejudicam a imunocompetência e a eficácia vacinal, enquanto dietas balanceadas fortalecem o sistema de defesa do animal.

4. Vacinas de dose única oferecem resposta imune inferior

Não necessariamente. Tecnologias modernas de adjuvantes de liberação lenta e ajuste de potência de antígenos permitiram que vacinas de dose única produzam respostas eficazes. O cumprimento correto do esquema vacinal, conforme bula, continua sendo essencial.

5. Vacina intramuscular é sempre melhor

Depende do objetivo imunológico. A via intramuscular estimula principalmente resposta humoral, enquanto a intradérmica favorece a resposta celular e a proteção das mucosas, com ativação rápida das células dendríticas da pele.

6. Contenção durante a vacinação não influencia resultados

Falso. Contenção agressiva aumenta estresse e cortisol, prejudicando a resposta imunológica e elevando erros de aplicação. Técnicas suaves e equipamentos adequados melhoram segurança e eficácia vacinal.

7. Aplicar várias vacinas simultaneamente é seguro sempre

Nem sempre. Combinações não testadas podem gerar incompatibilidades ou reduzir a eficácia. Vacinas conjugadas modernas, com antígenos balanceados e adjuvantes avançados, oferecem maior segurança e praticidade.

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8. Vacinas danificadas por calor ou frio ainda podem ser usadas

Em hipótese alguma. O congelamento ou superaquecimento compromete a integridade dos antígenos, tornando a vacina ineficaz. Lotes danificados devem ser descartados.

9. Sucedâneos lácteos substituem o colostro

Mito. Substitutos fornecem calorias e crescimento, mas não replicam a imunidade complexa do colostro, que inclui anticorpos, células imunes e fatores de crescimento essenciais para maturação intestinal e defesa do leitão.

10. Altos títulos de anticorpos maternos são sempre benéficos

Falso. Títulos elevados protegem, mas podem inibir a resposta a vacinas administradas precocemente, exigindo ajuste do calendário vacinal. A eficácia vacinal depende ainda de estado nutricional, manejo, estresse e conservação adequada das vacinas.

Conclusão

Para garantir respostas vacinais eficazes, é fundamental combinar boas práticas de vacinação, manejo adequado, nutrição balanceada e ambiente controlado. Com informações corretas, os produtores podem maximizar a saúde do rebanho e a produtividade da granja.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações do Rio Grande do Sul somam US$ 4,4 bilhões no 1º trimestre de 2026, com destaque para carnes

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As exportações do Rio Grande do Sul totalizaram US$ 4,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Em termos nominais, o resultado representa o quarto maior valor da série histórica iniciada em 1997, evidenciando a relevância do estado no comércio exterior brasileiro.

Carnes impulsionam desempenho da pauta exportadora

Entre os principais produtos exportados, o destaque ficou para o segmento de proteínas animais e animais vivos.

As exportações de carne suína registraram crescimento expressivo de 49,6%, com incremento de US$ 75,8 milhões. Também apresentaram avanço:

  • Vendas de bovinos e bubalinos vivos: alta de US$ 57,2 milhões;
  • Carne bovina: aumento de US$ 33,7 milhões.

O desempenho positivo desses produtos contribuiu para amenizar as perdas em outros segmentos relevantes da pauta exportadora.

Exportações caem em relação a 2025

Na comparação com o mesmo período de 2025, o valor total exportado pelo estado apresentou retração de 7,5%, o equivalente a uma queda de US$ 357,4 milhões.

O recuo foi influenciado principalmente pela redução nas vendas de produtos estratégicos:

  • Soja em grão: queda de 77,0% (-US$ 188,3 milhões);
  • Fumo não manufaturado: retração de US$ 172,9 milhões;
  • Celulose: recuo de US$ 68,1 milhões;
  • Polímeros de etileno: diminuição de US$ 45,5 milhões.
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Estado mantém posição no ranking nacional

Apesar da retração no valor exportado, o Rio Grande do Sul manteve a sétima colocação entre os principais estados exportadores do país.

O estado ficou atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará e Paraná. No entanto, houve redução na participação relativa, que passou de 6,2% para 5,3% no período analisado.

Diversificação de destinos marca exportações gaúchas

No primeiro trimestre de 2026, o Rio Grande do Sul exportou para 169 destinos, reforçando a diversificação de mercados.

Os principais compradores foram:

  • União Europeia: 12,2% das exportações;
  • China: 9,2%;
  • Estados Unidos: 7,3%.

Entre os parceiros comerciais, a China apresentou a maior queda em termos absolutos, com retração de US$ 301,6 milhões, impactada pela redução nas compras de soja e fumo.

Os Estados Unidos também registraram recuo relevante (-US$ 148,7 milhões), influenciado principalmente pelos setores florestal e de armas e munições.

Egito e Filipinas ganham destaque nas compras

Em contrapartida, alguns mercados ampliaram significativamente suas importações de produtos gaúchos.

Destacam-se:

  • Egito: aumento de US$ 105,1 milhões;
  • Filipinas: alta de US$ 104,5 milhões.
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O crescimento foi impulsionado principalmente pelas vendas de cereais e carnes.

Cenário internacional pressiona comércio exterior

O desempenho das exportações do estado ocorre em meio a um ambiente global de incertezas.

As vendas para o Irã, que representaram 1,8% do total exportado, recuaram 5,5% no período, refletindo impactos de sanções econômicas e restrições financeiras que historicamente afetam as relações comerciais com o país.

No caso dos Estados Unidos, a queda de 31,9% nas exportações foi superior à média geral do estado. O resultado está ligado, entre outros fatores, ao desempenho do setor de armas e munições, sensível a mudanças regulatórias e tarifárias.

Perspectivas indicam cenário desafiador

Apesar do bom desempenho de segmentos como o de carnes, a retração em produtos-chave como soja e celulose evidencia os desafios enfrentados pelo estado no comércio internacional.

O cenário para os próximos meses seguirá condicionado à demanda global, às condições de mercado e ao ambiente geopolítico, fatores que devem continuar influenciando o desempenho das exportações gaúchas ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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