Agro News

MMA atualiza lista nacional de espécies da fauna ameaçadas de extinção

Publicado

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) atualizou, nesta quinta-feira (18/6), a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção. Publicada no Diário Oficial da União (DOU), é um dos principais instrumentos para a proteção da biodiversidade brasileira ao identificar os animais que correm risco de desaparecimento e estabelecer diretrizes para garantir a recuperação de suas populações. 

A medida contempla os grupos de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres. Os peixes e invertebrados aquáticos são tratados em norma específica publicada pelo MMA em abril. 

A atualização integra um conjunto de iniciativas do ministério voltadas ao fortalecimento da conservação da biodiversidade. Também foi publicada, neste ano, a primeira Lista Nacional Oficial de Espécies da Funga Ameaçadas de Extinção, que reúne 24 espécies classificadas nas categorias Vulnerável (VU) e Em Perigo (EN). Esse é um marco inédito para o reconhecimento e a proteção dos fungos no país.

A nova versão substitui a lista anterior, de 2022, e incorpora os resultados das avaliações do estado de conservação das espécies da fauna brasileira conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com a participação de especialistas, instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil. A portaria reúne dois anexos: a Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, com 788 espécies ou subespécies, e a Lista Nacional Oficial de Espécies de Fauna Extintas, que permanece com nove espécies reconhecidas como extintas no país. 

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destaca que a atualização da lista representa um dos mais importantes esforços de avaliação da biodiversidade realizados pelo país e reforça o compromisso do Brasil com a conservação da fauna. “Isso é um compromisso do país com as futuras gerações. Publicar essa lista com toda a segurança técnica é uma forma de honrar a nossa comunidade científica, da qual faz parte o ICMBio”, afirma. 

“É fantástico que o Brasil tenha esse conhecimento sobre a sua fauna e que possamos transformá-lo em política pública. A lista reconhece, perante a nossa sociedade e o mundo, a situação das espécies brasileiras e também abre caminho para a construção de planos de recuperação e de conservação”, conclui. 

“Poucos países no mundo têm a capacidade de avaliar sua biodiversidade na escala que o Brasil faz hoje. E esse conhecimento, produzido de forma contínua pelo ICMBio, em parceria com a comunidade científica, constitui uma base essencial para que o país tome decisões qualificadas sobre conservação, desenvolvimento e uso sustentável dos recursos naturais. Conhecer o estado de conservação das espécies é uma condição indispensável à nossa missão”, enfatiza o presidente do ICMBio, Mauro Pires. 

Leia mais:  MPA marca presença no lançamento do 10º Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR

Entre as espécies ameaçadas, 168 estão classificadas como Criticamente em Perigo (CR), das quais 25 são consideradas Possivelmente Extintas (CR-PE). Outras 285 encontram-se na categoria Em Perigo (EN) e 336 são classificadas como Vulneráveis (VU). Apenas uma espécie, o mutum-do-nordeste (Pauxi mitu), permanece na categoria Extinta na Natureza (EW), com exemplares mantidos apenas em cativeiro. 

Os invertebrados terrestres representam o maior grupo da lista, com 264 espécies ou subespécies ameaçadas de extinção. Em seguida aparecem as aves, com 242 registros, os répteis, com 123, os mamíferos, com 102, e os anfíbios, com 59 espécies ou subespécies.

O balanço técnico resultou na inclusão de aproximadamente 180 espécies ou subespécies na lista de ameaçadas. O grupo reúne espécies que apresentaram agravamento em seu estado de conservação, espécies avaliadas pela primeira vez e novos registros descritos recentemente pela ciência. Entre as espécies que passaram a integrar a lista estão a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), reclassificada como Vulnerável (VU), além do bugio-preto (Alouatta caraya) e do tamanduaí (Cyclopes rufus).

Por outro lado, cerca de 150 espécies deixaram a lista de ameaçadas. A mudança reflete diferentes fatores, como o avanço do conhecimento científico sobre as espécies, revisões taxonômicas e melhorias no estado de conservação de algumas populações. Também houve alterações relacionadas a revisões taxonômicas e à reclassificação de espécies para categorias não ameaçadas, como Menos Preocupante (LC), Quase Ameaçada (NT) ou Dados Insuficientes (DD). 

Espécies Extintas 

A Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Extintas permaneceu estável em relação ao levantamento de 2022, contabilizando nove espécies – duas de anfíbios, seis de aves e uma de mamífero.

Entre as espécies da categoria Extinta (EX) está a perereca-gladiadora-de-sino (Boana cymbalum). Endêmica das porções altas da Serra do Mar, em São Paulo, a espécie não é registrada desde 1962, apesar de décadas de buscas em seu habitat histórico. Estudos apontam que fatores como expansão urbana, poluição industrial e doenças contribuíram para seu desaparecimento.

Maior avaliação da biodiversidade do mundo

Leia mais:  Regulação dos bioinsumos entra em fase decisiva e pode definir liderança global do Brasil

A atualização da lista é resultado de um dos maiores processos de avaliação da biodiversidade já realizados no país. Enquanto a primeira lista nacional, publicada em 2003, foi elaborada com base na análise de cerca de 1.800 espécies, atualmente mais de 15 mil espécies da fauna brasileira são monitoradas e avaliadas pelo ICMBio.

A versão mais recente da lista foi construída ao longo de 15 oficinas técnicas, que reuniram mais de 200 especialistas de diferentes instituições de pesquisa e conservação.

A saída de espécies da lista reflete diferentes fatores, como avanços no conhecimento científico, novos registros de ocorrência, revisões taxonômicas e melhorias efetivas no estado de conservação das populações. Esses resultados demonstram a importância dos investimentos contínuos em pesquisa, monitoramento e ações de conservação para reduzir o risco de extinção e ampliar a proteção da biodiversidade brasileira.

Instrumento estratégico para a conservação

As listas oficiais são instrumentos previstos na Política Nacional da Biodiversidade e servem de referência para o planejamento de ações de conservação, elaboração de planos de recuperação, definição de prioridades para pesquisa e monitoramento, além de subsidiar processos de licenciamento ambiental e outras políticas públicas voltadas à proteção da fauna brasileira.

A classificação das espécies segue os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), referência global para a avaliação do risco de extinção. Entre os fatores analisados estão a redução populacional, o tamanho das populações, a distribuição geográfica, a perda e fragmentação de habitats e outras pressões que afetam a sobrevivência das espécies.

O Brasil, país com a maior biodiversidade do planeta, conduz uma das mais amplas avaliações de fauna do mundo, abrangendo cerca de 15 mil espécies. Atualmente, mais de 1,2 mil espécies estão classificadas como ameaçadas de extinção.

As informações são periodicamente disponibilizadas no Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (Salve), do ICMBio, e subsidiam a atuação integrada de órgãos governamentais, comunidade científica, setor produtivo e sociedade civil na proteção da biodiversidade brasileira.

 Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected] 
(61) 2028-1227/1051
Acesse o Flickr do MMA

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Carne suína: percepção de oferta confortável pressiona preços e trava mercado no Brasil

Publicado

O mercado brasileiro de carne suína registrou uma semana de comportamento misto entre o quilo vivo e os cortes negociados no atacado. A pressão predominante veio da percepção de que a oferta de animais segue confortável, fator que limita reajustes e mantém o setor em ritmo lento de negociações.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, a indústria adotou uma postura mais reticente nas compras do suíno vivo em Minas Gerais ao longo da semana. O movimento reflete a percepção de equilíbrio — ou até excesso — na oferta disponível, o que reduz o poder de barganha dos produtores.

Ao mesmo tempo, os frigoríficos monitoram o escoamento da carne suína no mercado interno, que apresenta leve melhora, mas ainda sem força suficiente para sustentar altas mais consistentes nos preços.

Consumo pode ganhar tração na primeira quinzena de julho

De acordo com Maia, as expectativas do setor se concentram na primeira metade de julho, período tradicionalmente associado ao aumento da circulação de renda com o pagamento de salários.

Além disso, o avanço do inverno em diversas regiões do país tende a favorecer o consumo de proteínas, especialmente carnes de preparo doméstico. Outro fator de atenção é a competitividade da carne suína frente à bovina, o que pode ampliar a demanda no varejo.

Leia mais:  ABIOVE eleva projeções e Brasil deve bater recorde histórico no esmagamento de soja em 2026

No cenário externo, as exportações seguem como principal variável positiva para o setor em 2026, funcionando como importante amortecedor para o mercado interno.

Preços do suíno vivo recuam na média nacional

Levantamento da Safras & Mercado apontou que a média do quilo do suíno vivo no Brasil recuou de R$ 5,34 para R$ 5,28 ao longo da semana.

No atacado, a média dos cortes de carcaça ficou em R$ 8,89, enquanto o pernil foi negociado a R$ 11,18.

Cotações variam entre estabilidade e ajustes regionais

No mercado paulista, a arroba suína subiu de R$ 101,00 para R$ 102,00, indicando leve reação pontual.

Em outras regiões, o comportamento foi mais heterogêneo:

  • No Rio Grande do Sul, o quilo vivo na integração caiu de R$ 5,55 para R$ 5,15, enquanto no interior avançou de R$ 5,10 para R$ 5,15
  • Em Santa Catarina, a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15, enquanto o interior subiu de R$ 5,05 para R$ 5,10
  • No Paraná, o mercado livre avançou de R$ 4,90 para R$ 5,00, e a integração manteve R$ 5,60
  • Em Mato Grosso do Sul, Campo Grande ficou estável em R$ 5,10, enquanto a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15
  • Em Goiás, os preços subiram de R$ 5,40 para R$ 5,50
  • Em Minas Gerais, o interior caiu de R$ 6,00 para R$ 5,90, enquanto o mercado independente ficou estável em R$ 6,10
  • Em Mato Grosso, Rondonópolis manteve R$ 5,50, enquanto a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15
Leia mais:  Exportações de carne de peru do Paraná disparam 34% e atingem recorde histórico no primeiro trimestre

O cenário geral reforça um mercado fragmentado, com variações pontuais e ausência de tendência única.

Exportações seguem em queda no comparativo anual

As exportações brasileiras de carne suína in natura somaram US$ 212,827 milhões em junho, considerando 14 dias úteis, com média diária de US$ 15,202 milhões.

O volume embarcado atingiu 84,663 mil toneladas, com média diária de 6,047 mil toneladas, enquanto o preço médio ficou em US$ 2.513,8 por tonelada.

Na comparação com junho de 2025, houve:

  • queda de 5,2% no valor médio diário
  • recuo de 1% na quantidade média diária
  • redução de 4,3% no preço médio

Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e reforçam um cenário de leve perda de ritmo nas exportações, apesar de o setor seguir relevante para o equilíbrio da cadeia produtiva.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana