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MMA participa de painel em comemoração aos 10 anos do Programa Paisagens Sustentáveis da Amazônia

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil (MMA) participou, na última segunda-feira (17/11), do painel do Programa Paisagens Sustentáveis da Amazônia – Programa ASL (Amazon Sustainable Landscapes em sua sigla em inglês) no Pavilhão das Florestas, na Zona Azul, durante a COP30, em Belém (PA). O encontro, que reuniu representantes de governos amazônicos, lideranças indígenas e especialistas, marcou os 10 anos do Programa e reforçou o compromisso dos países amazônicos com ações integradas de conservação, restauração, sociobioeconomia e governança territorial. 

A secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita, destacou o papel do Projeto ASL Brasil na consolidação de políticas públicas estratégicas, como o Programa Arpa (Áreas Protegidas da Amazônia), a regularização ambiental dos estados amazônicos e a implementação do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).

“O ASL ajudou a enraizar políticas públicas decisivas, da expansão das áreas protegidas à regularização ambiental e à restauração produtiva na Amazônia. Ele criou espaços de governança integrada, fortaleceu estados e comunidades e aproximou a sociedade dessa agenda. Esse legado de integração entre paisagens, territórios e pessoas precisa continuar.”

Rita lembrou que a maior parte da meta brasileira de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa depende da regularização ambiental das propriedades rurais. Ela ressaltou também a importância da cooperação regional na escala da bacia amazônica e da comunicação acessível para ampliar o engajamento da sociedade, especialmente de jovens e comunidades locais.

Coordenado pelo Banco Mundial e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), o ASL reúne oito países da Pan-Amazônia em iniciativas nacionais e regionais para conectar paisagens, fortalecer áreas protegidas, apoiar comunidades e ampliar cadeias produtivas sustentáveis.

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O gerente de Operações Ambientais e Sociais para a América Latina e o Caribe, do Grupo Banco Mundial, Erwin De Nys, destacou que “[…] os serviços ecossistêmicos da Amazônia geram US$ 317 bilhões por ano para o Brasil, ao mesmo tempo em que 40% da população amazônica vive abaixo da linha da pobreza”. Para ele, “os resultados nacionais do ASL mostram a importância de integrar conservação e desenvolvimento”.

Entre 2017 e 2024, o programa contribuiu para 70 milhões de hectares com gestão aprimorada, 8 milhões de hectares de áreas protegidas criadas ou expandidas e 2 milhões de hectares com práticas produtivas sustentáveis. Erwin informou que o Banco Mundial ampliará sua atuação com a iniciativa Amazônia Viva, que pretende mobilizar até US$ 5 bilhões para ações multissetoriais no bioma.

O diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Garo Batmanian, afirmou que políticas eficazes para a Amazônia precisam considerar a diversidade de ecossistemas, povos e culturas que compõem o bioma. Ele destacou o potencial de cadeias produtivas integradas entre países — como buriti no Brasil e aguaje no Peru — que podem ganhar escala para comercialização e proporcionar aprendizados de boas práticas de manejo.

Garo reforçou ainda a importância de corredores ecológicos e de ações transfronteiriças, com protagonismo de povos indígenas, mulheres e jovens, como diretriz central da agenda regional.

A coordenadora do Projeto ASL 2 no Peru, Cristina Portocarrero, apresentou resultados em três regiões amazônicas peruanas, com foco em governança colaborativa, conectividade de paisagens, cadeias produtivas e fortalecimento de áreas estratégicas. O país já avança na criação de 12 novas áreas de conservação e na gestão do maior sítio Ramsar do Peru, o Abanico del Pastaza, com quase 3 milhões de hectares.

O projeto também apoia comunidades indígenas por meio dos planos de vida, promovendo autodeterminação, proteção territorial e transição para práticas produtivas sustentáveis. Cristina destacou ainda que o Peru estima mitigar 3,4 milhões de toneladas de CO₂ até 2030 com ações do ASL.

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A liderança indígena Soraya Tangoy, do povo Siekopai, ressaltou que proteger a floresta “não é um projeto, é uma forma de vida”. Ela destacou o papel das mulheres, jovens e anciãos na transmissão de conhecimentos tradicionais, no uso de plantas medicinais e na vigilância do território. Para Soraya, “o ASL fortalece a governança indígena ao apoiar instrumentos comunitários de monitoramento, gestão e participação”.

Integração regional como caminho para uma Amazônia viva e sustentável

O painel reforçou três diretrizes centrais para a próxima década do ASL: a cooperação entre países amazônicos, integrando políticas para conservação, restauração e desenvolvimento sustentável; a valorização de comunidades tradicionais, indígenas e da agricultura familiar, mulheres e jovens, reconhecendo seus conhecimentos e protagonismo na gestão territorial; e a ampliação de escala das ações do ASL, articulando governos, comunidades e entidades internacionais para manter a Amazônia viva, próspera e habitável.

O evento encerrou com o compromisso conjunto de fortalecer parcerias e acelerar ações integradas para enfrentar a crise climática e garantir um futuro sustentável para o maior bioma tropical do planeta.

O ASL

Os dados, histórias e o legado de uma década de atuação na Pan-Amazônia estão consolidados no novo Relatório “10 Anos do ASL: Uma Década de Conexões:  Pessoas, Instituições e Paisagens na Amazônia 2015-2025”.  Acesse o relatório completo aqui.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Brasil importa 73% das vacinas contra doença fatal no gado

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O Brasil colocou no mercado 9,98 milhões de doses de vacinas contra clostridioses em agosto, mas quase três em cada quatro vieram do exterior. Os dados mostram que a oferta mensal se manteve próxima de 10 milhões de doses, enquanto a produção nacional perdeu participação e aumentou a dependência das importações para proteger os rebanhos.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), 7,30 milhões de doses disponibilizadas no mês passado foram importadas, o equivalente a 73,16% do total. As fábricas brasileiras forneceram 2,68 milhões de doses, ou 26,84%.

Em julho, haviam sido colocadas no mercado 10,16 milhões de doses, das quais 60,31% eram importadas. Na passagem de um mês para o outro, a oferta total diminuiu 1,7%, mas a produção nacional caiu aproximadamente 34%. As importações cresceram 19% e sustentaram o abastecimento.

O balanço não significa necessariamente que as vacinas chegaram de forma regular a todas as regiões. O número divulgado pelo governo corresponde às doses liberadas para comercialização, e não à quantidade efetivamente vendida, distribuída em cada Estado ou aplicada nos animais.

O acompanhamento mensal começou depois de uma escassez registrada no início do ano. Fabricantes interromperam a produção e a comercialização de imunizantes entre o fim de 2025 e janeiro de 2026, reduzindo a oferta em um mercado já concentrado. Desde então, o governo passou a acelerar a análise de lotes importados e a negociar com as empresas a ampliação da produção.

As clostridioses não são uma única doença. O nome reúne diferentes enfermidades provocadas por bactérias do gênero Clostridium e, principalmente, pelas toxinas produzidas por esses microrganismos. Entre as mais conhecidas estão o botulismo, o carbúnculo sintomático, chamado no campo de manqueira, a gangrena gasosa, a enterotoxemia e o tétano.

Essas bactérias conseguem formar esporos resistentes, que permanecem por longos períodos no solo, na água, em restos de animais e no ambiente das propriedades. Em determinadas condições, os microrganismos se multiplicam ou produzem toxinas que atingem o sistema nervoso, os músculos ou o aparelho digestivo dos animais.

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No botulismo, a toxina provoca paralisia progressiva, dificuldade para caminhar e engolir e, nos casos graves, parada respiratória. A contaminação pode ocorrer pelo consumo de água ou alimento impróprio e pelo contato com restos de animais em pastagens, silagens ou suplementos.

O carbúnculo sintomático atinge principalmente bovinos jovens e bem alimentados. A doença provoca febre, dificuldade de locomoção e inchaço dos músculos. A evolução é muito rápida e a mortalidade pode se aproximar de 100%. Em muitas ocorrências, o animal é encontrado morto antes que o produtor perceba sinais claros.

A enterotoxemia está associada à produção de toxinas no intestino e pode surgir após mudanças bruscas na alimentação, especialmente em sistemas intensivos. O tétano e a gangrena gasosa estão relacionados à contaminação de ferimentos, inclusive aqueles provocados por procedimentos de manejo.

As clostridioses geralmente não se espalham entre os animais da mesma forma que uma virose altamente contagiosa. O risco está na presença dos agentes no ambiente e na dificuldade de tratamento. Como a evolução costuma ser rápida, a vacinação preventiva é considerada a principal forma de controle.

O prejuízo começa com a morte do animal, mas não termina nela. O produtor perde o valor investido em genética, alimentação, medicamentos, mão de obra e tempo de criação. Também pode ter gastos com diagnóstico, descarte da carcaça, atendimento veterinário e revisão do manejo sanitário e nutricional.

Pelos preços atuais, um bezerro vale cerca de R$ 3,4 mil. Um bovino terminado com 18 arrobas pode superar R$ 6,2 mil, considerando a cotação do boi gordo próxima de R$ 347 por arroba. Em confinamentos, a perda inclui ainda toda a alimentação consumida até o momento da morte, o que torna o prejuízo maior conforme o animal se aproxima do abate.

Levantamentos realizados em confinamentos colocam as clostridioses entre as principais causas sanitárias de mortalidade. Em propriedades sem vacinação adequada, surtos de botulismo ou manqueira podem atingir vários animais em poucos dias e comprometer o resultado de um lote inteiro.

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Não existe uma estimativa oficial consolidada do prejuízo anual provocado por essas doenças em todo o País. O impacto nacional ocorre pela soma das mortes nas propriedades, da menor produção de carne e leite e do aumento das despesas sanitárias. Diferentemente da febre aftosa, as clostridioses não costumam provocar o fechamento generalizado de mercados internacionais, mas reduzem a eficiência econômica da pecuária.

Com um rebanho de aproximadamente 238 milhões de bovinos, além de milhões de ovinos e caprinos que também podem ser imunizados, o Brasil precisa de oferta contínua. Uma única aplicação nem sempre completa a proteção. Animais vacinados pela primeira vez geralmente precisam de dose inicial e reforço, conforme a idade, o produto utilizado e a orientação do médico-veterinário.

Por isso, não é possível comparar diretamente as quase 10 milhões de doses liberadas em agosto com o tamanho total do rebanho e concluir que o volume é suficiente ou insuficiente. A necessidade varia ao longo do ano e depende do histórico de vacinação, da categoria animal e dos riscos presentes em cada propriedade.

A retomada das importações reduziu o risco imediato de falta, mas a queda da produção nacional mantém o setor exposto a atrasos logísticos, oscilações cambiais e problemas nos países fornecedores. O desafio agora é garantir que a oferta permaneça regular e chegue às regiões pecuárias antes de ocorrerem falhas nos calendários de imunização.

O Mapa informou que trabalha com a indústria para ampliar a fabricação no País, viabilizar as importações e acelerar a fiscalização e a liberação dos produtos. Para o produtor, a orientação é não substituir ou adiar o protocolo por conta própria e procurar o médico-veterinário responsável para definir a vacina e o calendário adequados ao rebanho.

Fonte: Pensar Agro

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