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MMA retoma nesta semana oficina que consolidará proposta de criação do Plano Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais

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Entre os dias 13 e 15 de agosto, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) dará mais um passo fundamental para apoiar o Brasil na instituição de uma política pública que transforme em ações concretas os anseios e demandas dos 28 segmentos de povos e comunidades tradicionais (PCTs) existentes no país. O avanço ocorrerá na segunda oficina de construção do Plano Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais, realizada em Brasília.

Nesse período, representantes de PCTs, do Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) e de diversos órgãos do governo federal validarão as contribuições recebidas na primeira oficina, realizada em junho passado. A consolidação resultará na proposta do plano que, depois de debatida em consulta pública, deverá ser oficializada por meio de decreto presidencial publicado na COP30, em novembro deste ano, na cidade de Belém (PA).

O documento será composto por ações, prazos e princípios que nortearão as iniciativas implementadas pelo governo federal nessa agenda. A secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT) do MMA, Edel Moraes, explica que a marca do plano será a abrangência transversal posta de forma integrada e sensível às diversas realidades sociais, econômicas e ambientais dos PCTs, que estão presentes em todos os biomas.

Para isso, explica a secretária, o MMA lidera uma ampla articulação com outros ministérios e órgãos federais para identificar e, sobretudo, assegurar o endereçamento das demandas consideradas prioritárias pelos próprios PCTs, que envolve a garantia de direitos humanos, o acesso à saúde, educação, infraestrutura, assistência técnica, esporte e lazer, entre outros. “Essa mobilização é necessária para consolidar que o atendimento aos povos e comunidades tradicionais não é de responsabilidade de um órgão. É de responsabilidade de todos”, ressalta.

A convergência dos esforços, completa a secretária, é a chave para ter efetivamente um “plano compromissado dentro da Esplanada”. “Esse processo é uma resposta também do governo federal para o reconhecimento e maior visibilidade das lutas históricas desses segmentos”, pontua.

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A primeira oficina promovida pelo MMA foi realizada em Luziânia (GO). A cidade foi definida por representar um fato histórico: a realização do 1º Encontro Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em 2005. Foi dessa iniciativa que nasceu o CNPCT e a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, constituída pelo Decreto 6.040/2007.

A proposta do plano, avalia Edel Moraes, se soma a esses esforços para implementar oportunidades que compensem esses segmentos pela proteção da biodiversidade realizada há décadas. “O plano vai apontar quem são os povos e comunidades tradicionais, o que querem e como querem, a partir da construção vinda deles próprios”, finaliza Edel Moraes.

Segmentos

Além de indígenas e quilombolas, que possuem direitos estabelecidos pela Constituição Federal, os demais grupos ainda lutam por instrumentos legais de reconhecimentos de seus territórios. Andirobeiros, apanhadores de flores sempre-vivas, benzendeiros, caiçaras, catingueiros, cipozeiros, extrativistas e pescadores artesanais são alguns dos PCTs que existem no país. Confira a relação completa aqui. 

Eixos estruturantes

O Plano Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais será estruturado em cinco eixos, que compreendem: acesso a territórios tradicionais e recursos naturais; infraestrutura; inclusão social; fomento à produção sustentável; e direitos humanos e combate a violações.

O fomento à produção sustentável foi o pilar com mais demandas recebidas. Entre os apontamentos direcionados para esse critério, há destaque para o apoio e ampliação do acesso às linhas de crédito para os segmentos, a promoção do turismo de base comunitária e a elaboração de chamadas específicas de assistência técnica e extensão rural (Ater).

Em seguida, está o eixo de acesso a territórios tradicionais e recursos naturais. Nesse espaço, os segmentos solicitam o reconhecimento dos PCTs como promotores da conservação e sujeitos de direitos em unidades de conservação de proteção integral. Pedem ainda o fortalecimento e a democratização da estrutura dos órgãos de garantia de direitos territoriais, além de incentivo ao reconhecimento dos territórios PCTs como patrimônio material e imaterial.

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Já o pilar de infraestrutura, recebeu, entre as prioridades, a ampliação ao acesso à energia elétrica com qualidade, por meio do Programa Luz para Todos, a destinação de recursos oriundos de multas para apoiar a reconstrução de infraestruturas em caso de eventos climáticos extremos. Há ainda o interesse para criação de programa de pesquisa, desenvolvimento e implementação de tecnologias sociais para adaptação às mudanças do clima nos territórios tradicionais.

Já na inclusão social, a formação especializada sobre PCTs para assistentes sociais e psicólogos dos Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e dos Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) foi destacada, assim como o fortalecimento da vigilância em saúde ambiental pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

No quesito direitos humanos e combate a violações, foram ressaltados o apoio à elaboração de protocolos comunitários para defesa de lideranças e territórios ameaçados, além do mapeamento de mecanismos de proteção de defensores de direitos humanos nos estados e municípios.

Houve ainda propostas direcionadas para ações transversais, que incluem a criação de um programa de formação de agentes e comunicadores PCTs, a realização de cursos virtuais sobre serviços públicos e a instituição de programa de formação continuada com inclusão de gestores públicos e professores.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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