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Monitoramento ambiental na Antártica inclui estudo sobre a presença de microplásticos na água

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A equipe do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) concluiu o segundo trabalho de campo na Estação Antártica Comandante Ferraz, base permanente do Brasil na Ilha do Rei George. O objetivo principal do estudo é compreender de que forma as mudanças climáticas vêm alterando o regime hidrológico do continente ao investigar as relações entre água de degelo, lagos, rios, atmosfera, solo e oceano.  O CDTN é uma unidade de pesquisa da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Os cientistas brasileiros também acompanharam a origem e o destino de poluentes transportados nesses processos para, assim, avaliar os impactos e possíveis consequências em escala global. Uma novidade no projeto foi o monitoramento de microplásticos e substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS). 

A área analisada é estratégica para esse tipo de estudo, por estar inserida nas principais rotas das circulações oceânicas e atmosféricas do planeta. A região funciona como um indicador antecipado de transformações que podem se intensificar no futuro. O continente também se destaca pelo isolamento geográfico. O que, por sua vez, o faz ser o mais afastado das fontes de poluição. Ou seja, se até mesmo esse espaço apresentar contaminação, significa que o resto do planeta está, muito provavelmente, em uma situação ainda mais complexa. 

Monitoramento ambiental na Antártica inclui estudo sobre a presença de microplásticos na água
Foto: Ascom/MCTI

Os microplásticos são partículas de polímeros sintéticos com menos de 5 milímetros, que podem ser produzidas intencionalmente, como em esfoliantes corporais, ou formadas pela degradação de objetos maiores, como garrafas plásticas. Além de poluir ecossistemas, essas partículas podem ser ingeridas por animais e entrar na cadeia alimentar, chegando aos seres humanos por meio de alimentos, água e ar. Ao se acumularem no organismo, podem causar riscos à saúde.   

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Já os PFAS são produtos químicos sintéticos que se degradam. Eles são utilizados em produtos antiaderentes, embalagens de alimentos, cosméticos, roupas impermeáveis e espumas de combate a incêndio, que podem contaminar água, solo e alimentos. Essas substâncias estão associadas a riscos como câncer, problemas reprodutivos e disfunções hormonais.   

Esses poluentes vêm ganhando destaque no debate científico e ambiental pela relação cada vez mais evidente com as mudanças climáticas. Presentes no oceano, no solo e na atmosfera, eles são capazes de influenciar processos fundamentais que interferem no clima do planeta. Os microplásticos, em especial, funcionam como um indicador das ações antrópicas, ou seja, humanas, no meio ambiente. Sua presença em diversos locais reflete padrões de produção, consumo e descarte, permitindo avaliar como as atividades humanas contribuem para a poluição ambiental e a mudança do clima.  

Fizeram parte da expedição à Antártica, de novembro de 2025 a janeiro de 2026, o pesquisador do Serviço de Análise e Meio Ambiente Ricardo Passos e a geóloga e discente do Programa de Pós-Graduação do CDTN/CNEN Ana Clara Ferreira.  

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O trabalho de campo integra as atividades do projeto Interfaces: Transporte e Processos Biogeoquímicos de Substâncias Naturais e Antropogênicas na Interface Terra-Mar Antártica em um Contexto de Mudanças Climáticas. Além do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Instituto Oceanográfico da USP fazem parte do projeto, sob a liderança da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

 

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Foto: Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)

Nova fase 

A segunda viagem ao continente gelado foi marcada pelo reposicionamento de métodos e estratégias adotadas na expedição anterior. Foi necessário ajustar cronogramas devido às condições climáticas extremas na região. Entre as principais mudanças no trabalho, está o método de monitoramento de radônio e a frequência de amostragem.   

A cada expedição, os pesquisadores passam a aprofundar o estudo, incorporando mais informações e utilizando os dados do ano anterior como base de comparação. “A expectativa é expandir as amostragens e testar melhorias metodológicas que nos permitam compreender com maior clareza os processos ambientais que estamos investigando — especialmente transporte de partículas e contaminantes, interação atmosfera, solo e água e os mecanismos que influenciam a dinâmica de contaminantes no contexto das mudanças climáticas”, afirma Ricardo Passos.  

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos

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Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.

A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.

Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.

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O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.

A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.

Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.

Minerais críticos

“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.

Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.

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Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.

Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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