Política Nacional

Movimentos socioambientais pedem cautela na análise de projetos sobre extração de minerais críticos

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Movimentos socioambientais pediram cautela na análise de projetos de lei sobre minerais críticos e estratégicos (como nióbio, lítio e terras raras). O pedido ocorreu nesta quarta-feira (29), em debate com deputados e representantes do governo federal na Comissão de Integração Nacional.

A Câmara dos Deputados analisa nove propostas sobre o tema (PL 2780/24 e apensados) em regime de urgência. Os textos estão prontos para votação no Plenário, sob relatoria do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP).

A extração desses minerais é considerada fundamental para a transição energética e o enfrentamento da crise climática. No entanto, ela também gera impacto ambiental e envolve interesses geopolíticos de potências como Estados Unidos e China.

Assessor do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Rárisson Sampaio criticou o que chamou de “lobby da mineração”. Ele questionou propostas que preveem aumento de subsídios e incentivos fiscais para um setor, segundo ele, historicamente beneficiado no Brasil.

“Não se justifica toda a aceleração que temos nesse debate nos últimos dias. O interesse internacional, e até mesmo o interesse de empresas, não concorrem com a presença dos minérios no território brasileiro. Nós não estamos em uma corrida mineral”, disse Sampaio.

Raiara Pires, do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração, criticou a baixa participação das comunidades na discussão. Ela apresentou um relatório do comitê sobre o tema, intitulado “Cada qual no seu lugar”, que mapeia os possíveis impactos sobre territórios.

“No cenário atual, somado aos pedidos para terras raras, lítio e outros minerais da lista, 3.318 assentamentos seriam impactados”, alertou.

Segundo o estudo, seriam afetados:

  • 3.318 assentamentos;
  • 1.138 unidades de conservação;
  • 254 terras indígenas; e
  • 145 territórios quilombolas.
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“A gente tem uma dimensão conflitiva colocada na ordem do dia”, completou.

Adriana Pinheiro, do Observatório do Clima, alertou sobre os riscos do uso do Licenciamento Ambiental Especial (LAE) nesses empreendimentos.

“Esse licenciamento acelerado atropela o devido processo técnico e abre brechas para pressão política e a captura política dos instrumentos técnicos”, afirmou.

Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e Terras Raras.
Tólio Ribeiro: Brasil não quer ser apenas fornecedor de matéria-prima

Posição do governo
Representante do Ministério de Minas e Energia, o coordenador de transformação e tecnologia mineral, Miguel Leite, garantiu que o governo defende uma “mineração segura e sustentável” que beneficie a comunidade local.

“Governo é equilibrar interesses tanto de um lado quanto do outro. Posso garantir a vocês que a orientação que a gente tem é que o interesse maior tem de ser o benefício da população brasileira”, declarou.

Leite informou que o governo tem priorizado ações para o setor, como:

  • outorgas de pesquisa e lavra;
  • oferta de crédito por bancos oficiais;
  • busca de parcerias internacionais;
  • desenvolvimento de infraestrutura; e
  • formação de mão de obra especializada.

Ele acrescentou que há um esforço para superar o “gargalo” de apenas 27% do território brasileiro estar geologicamente mapeado.

Tólio Ribeiro, coordenador no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), afirmou que o Brasil busca agregar valor aos minérios, em vez de ser apenas fornecedor de matéria-prima.

“A gente não quer exportar o mineral, a gente quer construir no Brasil essas cadeias produtivas para fornecer os ímãs permanentes de terras raras e as baterias para veículos elétricos”, disse Ribeiro.

Já a coordenadora de avaliação de impactos do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Alessandra Toledo, defendeu que a exploração ocorra com base em Zoneamentos Ecológicos Econômicos (ZEE) e com avaliação conjunta dos projetos.

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Visão dos parlamentares
Autor de um dos projetos (PL 3659/25) e organizador da audiência, o deputado João Daniel (PT-SE) defendeu mais debate antes da votação em Plenário.

“Eu acredito no compromisso do governo do presidente Lula para a gente construir uma política nacional com participação da sociedade e que a nossas riquezas estejam a serviço da nossa população”, disse João Daniel.

O deputado Patrus Ananias (PT-MG), autor de outra proposta (PL 3699/25), cobrou a garantia de soberania nacional na exploração.

Dados do setor
Miguel Leite (MME) apresentou dados do setor mineral brasileiro, que:

  • explora mais de 80 minérios (principalmente ferro);
  • gera 231 mil empregos diretos e 832 mil indiretos;
  • responde por 4% do PIB;
  • tem faturamento de R$ 270 bilhões; e
  • arrecada R$ 93 bilhões, incluindo a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

Tólio Ribeiro (MDIC) citou projeções do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) de US$ 68 bilhões em investimentos no setor até 2029. Desse total, US$ 18 bilhões (27%) seriam para minerais críticos. Ele mencionou ainda que a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê um aumento de 80% na demanda por esses produtos até 2040.

“A exploração está de acordo com os eixos da Nova Indústria Brasil, sobretudo os de descarbonização, de transição e segurança energética e transformação digital, no que diz respeito a semicondutores, conectividade e manufatura avançada”, avaliou Ribeiro.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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Política Nacional

Deputados aprovam regime de urgência para 14 projetos

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A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (9) o regime de urgência para 14 propostas. Os projetos com urgência podem ser votados diretamente no Plenário, sem passar antes pelas comissões da Câmara.

Confira as propostas que passam a tramitar com urgência:

  • Projeto de Lei 4503/19, do deputado Mário Heringer (PDT-MG), que acrescenta a proibição de acesso à internet entre as penas de interdição temporária de direitos aplicadas a crimes cibernéticos;
  • PL 5815/25, da deputada Rosângela Reis (PL-MG), que institui programa de acompanhamento anual médico e psicossocial da infância e adolescência;
  • PL 5478/25, do deputado Pedro Westphalen (PP-RS), que institui a Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL) e estabelece diretrizes para sua implementação no Sistema Único de Saúde (SUS);
  • PL 1446/25, da deputada Renilce Nicodemos (MDB-PA), que altera o Código Eleitoral para incluir o período de pré-candidatura na proteção contra o crime de violência política de gênero;
  • PL 1893/26, do Poder Executivo, que regulamenta a negociação das relações de trabalho no setor público e a representação sindical de servidores e empregados públicos;
  • PL 5673/23, da deputada Ana Pimentel (PT-MG), que cria a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, com o objetivo de melhorar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde direcionados às mulheres em diversas fases da vida;
  • Projeto de Lei Complementar (PLP) 80/26, do deputado Benes Leocádio (União-RN), que prorroga até 8 de janeiro de 2032 a não incidência do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) nas navegações de cabotagem, interior fluvial e lacustre com origem ou destino em portos localizados nas regiões Norte e Nordeste;
  • PL 2427/26, do deputado Pedro Lucas Fernandes (União-MA), que autoriza os fundos constitucionais de financiamento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) a oferecerem garantias a operações de crédito voltadas à execução de projetos estruturantes de infraestrutura econômica;
  • PL 3099/24, da deputada Juliana Cardoso (PT-SP), que institui protocolo nacional de adaptação, resposta e recuperação para povos indígenas em situações de risco e desastres climáticos, ambientais e sanitários;
  • PL 5961/25, do Senado, que autoriza a criação de um fundo para ampliar o crédito a empresas exportadoras brasileiras, com financiamento para capital de giro, compra de máquinas e investimentos produtivos;
  • PL 2119/19, do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que cria o título de Cidade Amiga do Idoso para municípios que se destacarem na adoção de políticas e iniciativas para assegurar tratamento digno e envelhecimento ativo às pessoas idosas;
  • PL 2653/26, do Senado, que destina prêmio de R$ 500 mil a cada jogadora da seleção brasileira de futebol feminino que participou, como titular ou reserva, da Copa do Mundo de 1995;
  • PL 2301/26, do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que inclui no rol dos crimes hediondos as modalidades agravadas de homicídio doloso, latrocínio e extorsão praticadas por integrantes de organização criminosa ultraviolenta, grupo paramilitar ou milícia privada;
  • PL 2520/26, do deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para ampliar o direito à ausência justificada do trabalhador em caso de doação voluntária de sangue de uma para duas vezes por ano.
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Mais informações em instantes

Assista ao vivo

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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