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MPMT promove diálogo sobre Família Acolhedora, cuidado e afeto

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O segundo dia do projeto “Diálogos com a Sociedade”, edição Sinop, promovido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), abordou os desafios e conquistas do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora (SFA), da Entrega Legal e da Adoção. A entrevista realizada nesta terça-feira (22), no estúdio de vidro montado na praça de alimentação do Shopping Sinop, evidenciou que acolher uma criança ou adolescente em situação de vulnerabilidade é um ato de amor.Participaram da entrevista o promotor de Justiça Nilton Cesar Padovan, coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude do MPMT (CAOIJ, a secretária municipal de Assistência Social de Sinop, Sineia Abreu e a coordenadora do SFA no município, Quetti Caciana Schulz Nunes. A mediação foi feita pelo jornalista Alessandro Gomes, do SBT Notícias Sinop.Conforme explicou o promotor de Justiça, o acolhimento familiar é temporário, não gera vínculo definitivo e não prevê adoção. “Família acolhedora não adota, e quem adota não pode ser família acolhedora”, frisou. Atualmente, em Sinop, sete famílias estão habilitadas ao acolhimento e três estão em fase final de capacitação. Nove crianças já vivem essa experiência de cuidado temporário.Para além da preservação da garantia dos direitos da criança e do adolescente, Nilton Padovan destacou o poder transformador do acolhimento familiar: “Acolher é um ato de cuidado e transformação. É um derrame de amor. A convivência em um ambiente familiar favorece o desenvolvimento físico e emocional da criança.”A secretária Sineia Abreu reforçou que o município trabalha continuamente na sensibilização da população. “Estamos alinhados com a meta nacional, que prevê alcançar 25% dos acolhimentos em formato familiar no município até 2027.”A coordenadora Quetti Caciana enfatizou os desafios para encontrar famílias dispostas a participar do SFA. “Nosso papel é buscar famílias que saibam amar, mas que também estejam preparadas para lidar com as dores e os desafios da convivência diária. Não basta vontade. É preciso preparo e compromisso social. As famílias passam por capacitação e são acompanhadas diariamente por nossa equipe técnica.”Entrega Legal – Ainda durante o programa, também foi discutido o tema da Entrega Legal, uma opção prevista em lei que permite à mãe entregar voluntariamente o bebê para adoção. “Esse é um direito garantido por lei, mas há muito preconceito e discriminação. Nosso papel é orientar e garantir que esse processo ocorra com respeito, segurança e dignidade”, destacou o promotor Nilton Padovan.Ele explicou as etapas da Entrega Legal, que envolvem a manifestação da mãe em vara especializada, audiência e confirmação do desejo de entrega. “O foco é no melhor interesse da criança. Ainda há muito preconceito com a mãe que deseja realizar a Entrega Legal”, lembrou.A entrevista foi transmitida ao vivo pelo programa SBT Notícias Sinop, no canal 4.1, com exibição simultânea na plataforma MT Play e no canal oficial do MPMT no YouTube. Sinop é o primeiro município do interior do estado a receber o projeto do Ministério Público, lançado no ano passado com o propósito de estreitar e fortalecer o diálogo entre a instituição e a sociedade, incentivando debates sobre temas de interesse coletivo e relevância pública.A realização do projeto conta com o apoio de parceiros institucionais, como Aprosoja, Energisa, Águas Cuiabá, Oncomed, Ampa, Unimed Mato Grosso, Imad, Nova Rota do Oeste, Bom Futuro, Amaggi, Águas de Sinop e Aliança do Setor Produtivo.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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FloreSer alcança 1.286 alunos e muda percepção de jovens sobre violência

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O projeto FloreSer finalizou, na última semana, as rodas de conversa na Escola Estadual Professor Welson Mesquita, localizada no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá. Entre março e abril, 284 estudantes participaram das atividades, que abordaram temas relacionados à violência doméstica e familiar, incluindo machismo, misoginia, abuso nas relações e suas consequências, que podem culminar em diferentes formas de violência contra mulheres e meninas, inclusive o feminicídio.No mesmo período, o projeto contemplou 1.286 estudantes de escolas públicas e privadas da capital. Entre os resultados observados, destaca-se o fato de que os alunos passaram a reconhecer sinais de abuso, manipulação, controle e ciúme em seus relacionamentos, antes frequentemente naturalizados.Também foram realizados atendimentos e esclarecimentos individuais, além de relatos de alunas que, após as discussões, compartilharam situações vivenciadas por elas ou por familiares, recebendo orientações sobre as medidas cabíveis. Houve, ainda, intervenção direta junto a professoras em situação de violência doméstica, com os devidos encaminhamentos e suporte. As rodas de conversa foram realizadas simultaneamente em turmas com cerca de 25 estudantes por sala.A temática “Violência nas relações afetivas adolescentes: como reconhecer e enfrentar” é trabalhada por profissionais do Núcleo de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar – Espaço Caliandra, do Ministério Público, inserida no eixo da prevenção primária. A iniciativa busca conscientizar os jovens sobre os diversos tipos de violência, evitando sua reprodução nas relações afetivas, além de promover mudanças comportamentais e fomentar uma cultura de respeito às mulheres.Estudante da Escola Welson Mesquita, João Paulo Gonçalves Nascimento, de 16 anos, participou pela primeira vez de uma roda de conversa sobre violência contra mulheres e meninas e avaliou positivamente a experiência. “Isso ajuda a evitar conflitos e problemas no futuro. Já tive um relacionamento que não deu certo. Se eu soubesse dessas coisas antes, talvez tivesse sido diferente”, relatou.Para ele, compreender as relações envolve respeitar a parceira, seus espaços, limites e escolhas. “Mesmo que você não goste de uma pessoa, é preciso respeitar”, afirmou.A colega de classe, Valquíria Bernardes, também de 16 anos, estudante do 2º ano C, compartilhou uma experiência pessoal, destacando como o ciúme afetou seu relacionamento. “Eu proibia ele de falar com algumas amigas antigas. Antes, eu pensava que amiga de homem era só mãe e namorada. Com o tempo, percebi que tanto mulheres quanto homens têm o direito de manter amizades”, refletiu.Segundo ela, discutir sinais de abuso nas relações ajuda os adolescentes a reconhecer comportamentos inadequados e contribui para a construção de relações mais saudáveis no futuro.A coordenadora pedagógica da escola, Maria Osvaldita da Silva, afirmou que o projeto possibilitou aos alunos uma compreensão mais ampla da violência contra a mulher, para além da forma física, incluindo também as dimensões psicológica, verbal e emocional. “Alguns estudantes relataram situações vivenciadas ou presenciadas, o que demonstra que o tema faz parte da realidade de muitos. Por isso, precisa ser tratado com responsabilidade e acolhimento no ambiente escolar”, avaliou.Ela também destacou mudanças percebidas após as rodas de conversa. “Muitos alunos relataram que não tinham clareza sobre o que caracteriza a violência e que, agora, conseguem identificar situações que antes consideravam ‘normais’. Outros ressaltaram a importância de ter um espaço seguro para dialogar sobre esses temas”, concluiu.A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, coordenadora do projeto, destacou que o FloreSer foi pensado para as novas gerações. “Precisamos investir na educação, que é um pilar essencial para a mudança. A violência contra a mulher não é uma criminalidade comum, tampouco simples de ser enfrentada. Não depende apenas de leis ou punições, mas de uma integração entre todas as instituições. É fundamental que toda a sociedade atue de forma conjunta, tanto por meio de investimentos em segurança pública quanto em educação”, afirmou.Ainda nessa perspectiva, a promotora ressaltou que o Ministério Público atua em diferentes frentes de prevenção. “Buscamos a responsabilização dos agressores, mas também desenvolvemos projetos preventivos, especialmente nas escolas, com crianças e adolescentes. Além disso, é fundamental envolver os homens nesse debate. Não basta discutir apenas com as mulheres; é preciso que os homens compreendam sua responsabilidade, não apenas como possíveis agressores, mas como parceiros na promoção da prevenção e da conscientização. Eles também devem contribuir para disseminar a cultura da não violência e combater práticas sociais de misoginia que incentivam novas agressões”, completou.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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