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Mudanças climáticas preocupam 86% dos produtores rurais brasileiros, aponta pesquisa da ABMRA

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As mudanças climáticas deixaram de ser uma questão distante para se tornarem uma preocupação real e crescente entre agricultores e pecuaristas brasileiros. É o que mostra a 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural, divulgada pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA).

Segundo o levantamento, 86% dos produtores rurais acreditam que eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, secas prolongadas e aumento das temperaturas, terão algum tipo de impacto direto sobre a produção de suas propriedades nos próximos anos e décadas.

Pesquisa abrange hábitos, tecnologias e percepção ambiental

Considerado o mais completo estudo sobre o comportamento do produtor rural brasileiro, o levantamento da ABMRA traça um panorama amplo sobre o campo. A pesquisa aborda hábitos de consumo de mídia, padrões de compra, conectividade, uso de tecnologias e percepções ambientais, entre outros aspectos essenciais para a formulação de políticas públicas e estratégias de mercado.

Realizada pela S&P Global, um dos maiores grupos de informação do mundo, a pesquisa aplicou 3.100 entrevistas presenciais em 16 estados brasileiros, analisando 15 culturas agrícolas e quatro tipos de rebanhos. Ao todo, foram 280 perguntas voltadas para compreender as transformações no campo e os desafios enfrentados pelo produtor moderno.

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Cresce a conscientização sobre os efeitos do clima

Para o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, o aumento da preocupação dos produtores com o clima é um sinal claro de que o tema entrou definitivamente na pauta do agronegócio.

“O produtor rural brasileiro reconhece os efeitos do clima no seu dia a dia e busca informações e ferramentas que o ajudem a enfrentar esses desafios com segurança”, afirma Nicodemos.

Ele destaca ainda que, quando há apoio técnico e condições adequadas, o produtor tende a adotar práticas mais sustentáveis e eficientes, reduzindo riscos e mantendo a produtividade. “Mais que uma simples percepção, esse dado representa uma oportunidade para as marcas do setor planejarem estratégias mais alinhadas às novas demandas do campo”, completou.

Sustentabilidade e eficiência já fazem parte da rotina no campo

Os dados da pesquisa indicam que 72% dos produtores já adotam práticas voltadas à eficiência no uso de insumos e à redução de impactos ambientais.

Entre esses produtores:

  • 67% afirmam que as mudanças foram motivadas pela busca por maior produtividade;
  • 65% destacam que a decisão foi influenciada por orientação técnica especializada.

Esses resultados mostram que a sustentabilidade já faz parte da rotina operacional de grande parte do agronegócio brasileiro, especialmente quando associada a ganhos econômicos e técnicos.

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Barreiras à adoção de práticas climáticas ainda existem

Apesar dos avanços, 31% dos entrevistados afirmam enfrentar barreiras altas ou muito altas para adotar práticas que reduzam os efeitos das mudanças climáticas.

Dentre eles:

  • 4% mencionam o custo financeiro e a falta de informação como principais entraves;
  • 27% citam dificuldades no acesso a crédito, assistência técnica e confiança nos resultados das novas tecnologias.

Esses obstáculos reforçam a necessidade de políticas públicas mais efetivas e programas de apoio voltados à mitigação dos efeitos climáticos e à ampliação da resiliência no campo.

Caminho para o futuro do agro

A pesquisa da ABMRA reforça que o produtor rural brasileiro está cada vez mais atento aos desafios climáticos e disposto a inovar, mas ainda depende de condições estruturais, suporte técnico e crédito adequado para transformar preocupação em ação.

O estudo também destaca que a sustentabilidade é vista não apenas como responsabilidade ambiental, mas como fator de competitividade e permanência no mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mato Grosso adia para 2035 o fim do uso de biomassa nativa e amplia metas de reflorestamento

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O Governo de Mato Grosso oficializou a prorrogação do prazo para a eliminação do uso de vegetação nativa como fonte de biomassa nas atividades industriais do estado. A mudança foi formalizada por meio de um novo Termo de Compromisso Ambiental (TCA), assinado em 10 de junho entre o Executivo estadual e o Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT).

Pelas novas regras, as indústrias de grande consumo de biomassa, incluindo usinas de etanol de milho, terão até 2035 para concluir a substituição da matéria-prima oriunda de vegetação nativa por fontes provenientes de florestas plantadas ou de áreas autorizadas sob Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS), conforme previsto no Código Florestal Brasileiro.

Prazo é ampliado em relação ao acordo anterior

O novo entendimento modifica o cronograma estabelecido anteriormente em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em junho deste ano. Na versão inicial, o estado havia assumido o compromisso de encerrar o uso de biomassa nativa até 2034.

O acordo anterior previa uma redução gradual da participação da vegetação nativa na matriz de biomassa industrial, com limite de 50% em 2030, 40% em 2031, 30% em 2032 e 10% em 2033.

Com a atualização do compromisso, o cronograma foi flexibilizado. A única meta intermediária estabelecida determina que o uso de biomassa nativa seja reduzido para 40% em 2034, com a eliminação total prevista somente no ano seguinte.

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Governo estabelece metas para expansão florestal

Além da alteração no prazo, o governo estadual definiu novas metas para fortalecer a oferta de matéria-prima renovável destinada ao setor industrial.

Entre os objetivos previstos no termo estão:

  • Implantação de pelo menos 700 mil hectares de florestas plantadas até 2040;
  • Ampliação da área de manejo florestal sustentável para, no mínimo, 6,5 milhões de hectares até 2040;
  • Estímulo à produção de biomassa renovável para atender à crescente demanda da indústria mato-grossense.

A medida busca garantir segurança no abastecimento energético das indústrias e reduzir a pressão sobre os remanescentes de vegetação nativa.

Regras diferenciam indústrias existentes e novos projetos

O acordo estabelece tratamento distinto para empreendimentos já em operação e para novos investimentos.

As indústrias atualmente instaladas no estado seguirão o cronograma de transição definido no TCA. Já os empreendimentos em construção ou em fase de ampliação deverão apresentar planos demonstrando que utilizarão exclusivamente biomassa proveniente de florestas plantadas ou de manejo florestal sustentável.

A exigência pretende assegurar que os novos projetos industriais sejam compatíveis com a política estadual de transição para fontes renováveis de biomassa.

Governo terá prazo para regulamentar medidas

O termo também estabelece uma série de etapas para regulamentação das novas diretrizes.

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De acordo com o documento:

  • O governo estadual deverá publicar decreto regulamentador em até 30 dias;
  • A Secretaria de Estado de Agricultura terá prazo de 60 dias para editar norma complementar;
  • As empresas abrangidas pelas novas regras deverão ser oficialmente notificadas em até 90 dias.

O compromisso é resultado de um inquérito instaurado pelo Ministério Público de Mato Grosso em 2024 para avaliar o cumprimento da legislação ambiental relacionada ao uso de biomassa no estado.

Mato Grosso busca ampliar base de florestas plantadas

Atualmente, Mato Grosso possui menos de 200 mil hectares de florestas plantadas destinadas à produção de biomassa e madeira renovável.

Desse total, pouco mais de 100 mil hectares pertencem à FS, empresa que declara autossuficiência no fornecimento de matéria-prima proveniente de florestas cultivadas. A companhia também utiliza áreas de bambu, que representam pouco mais de 10% de sua base florestal.

A ampliação da área de reflorestamento é considerada estratégica para sustentar o crescimento da indústria de etanol de milho, da produção de energia renovável e de outros segmentos industriais que dependem intensivamente de biomassa em Mato Grosso.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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