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Na inauguração da AgriZone, ministra reforça papel da ciência na redução do desmatamento

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A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou nesta terça-feira (11), em Belém (PA), a participação da pasta e de institutos de pesquisa na redução do desmatamento. Durante a cerimônia de inauguração da AgriZone, espaço da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ministra afirmou que o Brasil chega ao evento com autoridade para os debates sobre a emissão dos gases de efeito estufa.

“Conseguimos enfrentar nos últimos anos o vetor de maior emissão de gases de efeito estufa, que é o desmatamento das nossas florestas. Entramos nessa COP como o país que evitou o desmatamento em 50% da Floresta Amazônica. Por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais [Inpe], do Ministério do Meio Ambiente e dos órgãos ambientais de controle, pudemos alcançar esse feito, que mostra que é possível ter desenvolvimento com sustentabilidade”, pontuou.

Durante a cerimônia, foi lançada a publicação da Embrapa Ciência para o Clima e Soluções da Agricultura Brasileira, que reuniu mais de 40 especialistas da instituição e parceiros. O livro traz um conjunto de soluções, tecnologias, evidências e métricas capazes de apoiar uma transição efetiva para sistemas agroalimentares mais resilientes e de baixa emissão de carbono.

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A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, destacou a qualidade do corpo de pesquisadores e a produção científica da entidade. “Nós temos um grande desafio de como aumentar a produtividade e ao mesmo tempo garantir a preservação dos recursos naturais. A gente trouxe para cá uma mostra de tecnologias, vitrines tecnológicas que mostram diferentes realidades, desde a agricultura familiar, culturas biofortificadas, sistemas agroflorestais e a demonstração do que a gente tem feito na agricultura de baixo carbono”, elencou.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social e Combate à Fome, Wellington Dias, frisou a importância da pesquisa agropecuária para alimentar o País e combater a pobreza. “A missão de tirar o Brasil do Mapa da Fome não seria possível sem o conhecimento da Embrapa, sem a capacidade técnica e produtividade dos pequenos, médios e grandes produtores brasileiros, assim como os avanços em tecnologias e conhecimento nos quais o Brasil se destaca no mundo inteiro”, disse.

A ministra Luciana também convidou os participantes do evento a visitarem a Casa da Ciência, espaço do MCTI no Museu Paraense Emílio Goeldi. Até o final da COP30, o local vai sediar exposições e diferentes debates com especialistas.  “O Museu Goeldi é a casa do MCTI em Belém. São 159 anos de ciências naturais, de pesquisa e desenvolvimento que estavam fechados para o público e que nós abrimos desde 2023”, concluiu.

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A AgriZone está aberta ao público até o dia 21. Com 400 eventos previstos, o espaço é uma vitrine de tecnologias, ciência e cooperação internacional voltada à agricultura sustentável e ao combate à fome. A AgriZone funciona das 10h às 18h, com acesso gratuito mediante inscrição. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos

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Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.

A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.

Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.

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O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.

A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.

Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.

Minerais críticos

“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.

Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.

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Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.

Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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