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Na região Oeste de Mato Grosso, ministro Fávaro entrega máquinas e equipamentos para a agricultura familiar

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Neste sábado (13), em São José dos Quatro Marcos (MT), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, realizou uma nova etapa de entrega de máquinas e equipamentos do Programa Estratégico de Fortalecimento Estrutural de Assentamentos Rurais e Sustentabilidade da Agricultura Familiar em Mato Grosso, para comunidades da região Oeste do estado mato-grossense.

O evento foi realizado no Assentamento Chico Mendes e a entrega contemplou três assentamentos rurais dos municípios de Mirassol D’Oeste, São José dos Quatro Marcos e Vila Bela da Santíssima Trindade, além de associações da região. O objetivo é impulsionar a agricultura familiar e alavancar a produtividade em comunidades rurais da região.

No total, foram entregues mais de 160 itens entre máquinas e equipamentos. Entre eles estão tratores, microtratores, caminhão-baú refrigerado, kits de implementos com carreta, roçadeira e encanteirador, entre outros. O investimento total do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foi de R$ 4,9 milhões. Além do maquinário, equipamentos e insumos, os produtores também poderão contar com assistência técnica e capacitação.

“A frase mais linda que eu gosto de dizer nos últimos dias: O governo do Brasil ao lado dos brasileiros. É isso que faz as coisas acontecerem. É isso que faz essas máquinas estarem aqui. Vamos fazer as terras produzirem, os equipamentos estão aqui. É a garantia de produzir e saber que vai vender e que vai chegar na mesa das pessoas, vai chegar na alimentação da agricultura familiar, vai chegar na merenda escolar. São ações que vêm garantir o desenvolvimento e principalmente a igualdade social”, destacou o ministro Carlos Fávaro.

O prefeito de São José dos Quatro Marcos, Jamis Silva, expôs que a entrega das máquinas e equipamentos foi de grande relevância para os trabalhadores rurais. “É o pontapé através desse projeto brilhante para essas pessoas trabalharem mais ainda pelo campo, né? Eles estão aí com força e vontade”, disse.

Foram beneficiadas as famílias assentadas no Assentamento Florestan Fernandes (Araputanga/ São José dos Quatro Marcos), do Assentamento Sílvio Rodrigues (Mirassol D’Oeste), da Associação Mato-grossense das Produtoras da Agricultura Familiar Diversificada (Ampafad), da Associação Mãe Terra, da Cooperativa de Produção Agroecológica da Região Sudoeste do Estado de Mato Grosso (COOPARAS), e da ASSOREG (Vila Bela).

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O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no estado (Fetragri-MT), Divino de Andrade, expressou que a parceria entre o Mapa, o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e a Fetragri objetiva atender às necessidades dos produtores rurais de acordo com a agricultura de cada região e município. “Essa aproximação do governo federal com o pequeno produtor através do ministro Carlos Fávaro é de suma importância”, afirmou.

Já foram realizadas entregas para assentamentos dos municípios de Pedra Preta, São José do Povo, Rondonópolis, Juscimeira, Campo Verde, Poconé, Várzea Grande, Acorizal, Sorriso, Sinop, Cláudia, Itaúba, Tangará da Serra, Nova Olímpia e Nortelândia.

Na ocasião, o ministro Fávaro também realizou a entrega referente ao projeto “Rota da Banana: Sustentabilidade na Bananicultura em Mato Grosso”. Foram disponibilizados 180 kits de irrigação, duas mil caixas plásticas para hortifruti e um caminhão carga seca. A iniciativa busca fortalecer as cadeias produtivas locais, integrando quem produz à agroindústria, ao comércio e ao consumidor final. “A Rota da Banana é o apoio à comercialização. São centenas de kits de irrigação que já estão aqui para descarregar e montar cada kit para cada pequena propriedade contemplada nesse programa, que são os implementos desses microtratores para cuidar da terra”, evidenciou Fávaro.

A coordenadora do projeto, Maria Fernanda Figueiredo, relatou que com menos de seis meses de atuação, a Rota da Banana já atendeu mais de 500 produtores por meio de atendimentos in loco nas produções rurais. “São 24 municípios hoje na rota ativamente, de Cáceres a Comodoro. Só em Quatro Marcos saem 50 caixas de banana por semana, fora a região de Cáceres, que sai mais de 500 caixas de banana por semana vendidas pela Rota da Banana. Então é sobre isso, é mudança de vida. Porque quando você trabalha desde a produção, você leva dignidade para o produtor”, expressou.

Ainda, anunciou que a partir do dia 22 de setembro, o município de Rondolândia receberá o projeto.

A presidente da Associação Mãe Terra, Eliana Lima, expressou a importância deste dia aos produtores rurais, por meio das entregas realizadas pelo ministro Carlos Fávaro. “O objetivo nosso é produzir com qualidade e hoje o nosso sonho está sendo concretizado.” Já o deputado estadual, doutor Arnaldo, destacou que as entregas são reconhecimentos da importância da agricultura familiar para o estado de Mato Grosso.

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Ao final do evento, o ministro Carlos Fávaro anunciou que no mês de outubro começarão as entregas dos equipamentos da linha amarela aos municípios mato-grossenses. “Um dia feliz para encerrar essa fase deste programa. Um dia que a gente pode comemorar que as coisas estão dando certo, mas também de olhar para o futuro. No mês que vem começam as entregas dos equipamentos linha amarela, começamos as entregas de patrola, de caminhão-caçamba, de caminhão-pipa, de motoniveladora, escavadeira hidráulica, retroescavadeira, rolo compactador. Tudo isso para vir fazer a infraestrutura dentro da cidade, mas principalmente na zona rural”, informou o ministro da Agricultura e Pecuária.

PROGRAMA

O Programa Estratégico de Fortalecimento Estrutural de Assentamentos Rurais e Sustentabilidade da Agricultura Familiar em Mato Grosso foi desenvolvido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A proposta é mecanizar o processo de produção agrícola, aumentando a produtividade, melhorando a qualidade dos produtos e impulsionando a atividade para a agricultura familiar, tornando-a mais competitiva no estado.

A iniciativa é desenvolvida em quatro metas: o fortalecimento das cadeias produtivas; capacitação; assistência técnica; e gestão e monitoramento.

AGENDA

Durante o evento ocorreu a apresentação do Programa Solo Vivo, parceria entre o Mapa, IFMT e a Fetragri, que busca a correção do solo por meio de diagnóstico, tecnologias e capacitação gratuita aos produtores de assentamentos rurais. O Programa já está estruturado em 32 assentamentos no estado.

“Esse é um dos programas que considero mais importantes que nós estamos trazendo para a agricultura familiar e tenho certeza de que vai deixar um legado de colocar os pequenos produtores com a mesma tecnologia que os médios e grandes produtores do nosso estado”, evidenciou o ministro Fávaro.

A agenda contou ainda com a visita ao Hospital Municipal Samuel Greve, em Mirassol D’Oeste. O hospital passará por uma reforma de reconstrução por meio de recursos parlamentares de R$ 8 milhões para atender às necessidades na área da saúde em prol da população do município e região.

Informações à imprensa
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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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