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Nova edição do mutirão Interligue Já prevê 550 audiências em Cuiabá

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O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), em parceria com o Poder Judiciário, a Concessionária Águas Cuiabá e a Agência de Fiscalização e Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Município (Cuiabá Regula), realiza de 9 a 13 de março a 5ª edição do Mutirão de Conciliação ‘Interligue Já’, que prevê a realização de cerca de 550 audiências. As sessões ocorrem presencialmente, das 13h às 18h, no Complexo dos Juizados Especiais Desembargador José Silvério Gomes, em Cuiabá, com sete salas de audiência operando simultaneamente. Para esta edição, foram convocados proprietários de imóveis (residenciais e comerciais) dos bairros Jardim das Américas, Boa Esperança, Quilombo e Santa Rosa, onde a rede pública de esgotamento sanitário já está disponível. A iniciativa tem como objetivo acelerar a conexão desses imóveis à rede, assegurando o tratamento adequado dos efluentes, a proteção dos rios urbanos e o fortalecimento da saúde públicaDurante as audiências, são apresentadas propostas de conciliação para a conexão correta à rede, com orientações técnicas e a indicação de vistoria, a fim de evitar problemas como mau cheiro, refluxo e contaminação ambiental. Após os acordos, os compromissários têm prazo para executar a interligação e desativar sistemas alternativos de descarte (como fossas sépticas ou lançamentos em galerias pluviais).Na abertura dos trabalhos, a promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa, que atua na 17ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa da Ordem Urbanística e do Patrimônio Cultural de Cuiabá, destacou o esforço conjunto das instituições, o engajamento de conciliadores e mediadores e a participação cidadã dos convocados. “Esta edição é fruto de muitas mãos e muitos corações. É lindo ver a população chegar e compreender que é parte da solução. Quando sonhamos juntos, fazemos a diferença: cuidamos da nossa casa, da nossa cidade e dos nossos rios”, afirmou, ao agradecer o trabalho do Judiciário, da Águas Cuiabá, da Cuiabá Regula e das equipes do Ministério Público.A promotora também ressaltou que os mutirões presenciais cumprem papel essencial de orientação e convencimento. Para ela, é um espaço em que a população recebe atenção qualificada para entender por que a interligação melhora a qualidade ambiental e a saúde pública. Ela enfatizou que o objetivo é conscientizar, e que a responsabilidade é compartilhada: todos podem contribuir para rios mais limpos e uma Cuiabá sustentável. Em situações de descumprimento, lembrou que a legislação prevê responsabilização civil, penal e administrativa, mas reforçou que o foco é a solução consensual da demanda. A representante da instituição Seara Espírita de Luz, Elione Fátima de Almeida Santos, firmou acordo para interligar o imóvel no Boa Esperança e levou para a instituição uma muda de ipê branco, do projeto Verde Novo do TJMT. “Nós temos que pensar na preservação do meio ambiente e vamos fazer as adequações necessárias. Temos projetos de arborização e horta na nossa casa espírita e convidamos a comunidade para conhecer. Essa plantinha já tem lugar certo, vai para a instituição”, disse.O consultor comercial Serafim dos Santos Marchi, morador do Boa Esperança, esteve na sede dos juizados para informar que o imóvel dele está interligado e solicitar a vistoria. “É importante fazer do jeito certo. Eu já tinha instalado há cerca de dois anos e meio. Vim porque a união faz a força e aproveitei para pegar uma muda para plantar na frente de casa”, relatou.O gestor-geral do Nupemec, Sebastião José de Queiroz Júnior, defendeu como a conciliação pode ser instrumento de transformação social. “É mais do que resolver pendências de saneamento. Aqui promovemos saúde pública, proteção ambiental e cidadania. Cada acordo é um passo para ampliar a cobertura de esgoto e reduzir impactos ambientais, beneficiando toda a sociedade”, afirmou. Já o coordenador Jurídico Regulatório da Águas Cuiabá, Denis Canavarros, destacou os resultados do ciclo anterior e as metas para 2026. “No ano passado, instauramos cerca de 1.600 procedimentos, realizamos aproximadamente 1.000 audiências e firmamos 920 acordos, o que representa um índice de 91% de acordo, acima do esperado. Neste ano, manteremos quatro edições presenciais para alcançar novos bairros”, apontou.O mutirão conta com a parceria do Centro de Apoio Operacional do Patrimônio Histórico e Cultural, do Meio Ambiente Urbano e de Assuntos Fundiários (CAO Urbe) do MPMT.Clique aqui para acessar o passo a passo elaborado pela Águas Cuiabá e saber como fazer a conexão correta do imóvel à rede de esgoto.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Promotor afirma que Instagram de políticos é laboratório eleitoral

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“O maior laboratório de Direito Eleitoral é o Instagram dos políticos.” A afirmação foi feita pelo promotor de Justiça do Ministério Público do Ceará (MPCE) Igor Pereira Pinheiro durante a capacitação “Integridade em Foco: Intersecções entre Direito Eleitoral, Probidade Administrativa e Responsabilização Criminal”, na tarde desta quinta-feira (18). No painel “Ilícitos Penais e a Improbidade Administrativa: repercussão política e eleitoral”, o palestrante defendeu uma atuação mais estratégica, preventiva e proativa do Ministério Público no acompanhamento das eleições.Ao abordar a atuação ministerial em anos eleitorais, Igor Pereira Pinheiro alertou para a necessidade de os integrantes do Sistema de Justiça ampliarem o conhecimento sobre os tipos penais eleitorais. Segundo ele, o desconhecimento da legislação criminal eleitoral ainda representa um obstáculo para a identificação, investigação e responsabilização de condutas ilícitas durante o processo eleitoral.Na sequência, o promotor destacou que, entre os diversos crimes previstos na legislação, dois merecem atenção prioritária por terem como consequência a cassação do registro, diploma ou mandato. Um deles é o uso indevido de veículos oficiais nos 90 dias que antecedem a eleição. O outro é a distribuição de bens, prêmios, sorteios ou benefícios com a finalidade de promover candidaturas ou influenciar eleitores. Para ele, são práticas recorrentes, presentes em diferentes realidades municipais e que exigem atuação firme dos órgãos de controle.Sobre o tema, enfatizou que essas condutas muitas vezes passam despercebidas, apesar dos seus impactos sobre a lisura do pleito. “Quando a gente fala em crimes eleitorais que cassam diploma ou mandato, evidentemente que estamos diante de situações que deveriam ser prioritárias na nossa atuação fiscalizatória. São condutas que acontecem em todas as comarcas e que muitas vezes passam despercebidas”, afirmou.O palestrante também defendeu uma atuação preventiva, com o acompanhamento das movimentações políticas antes do início oficial da campanha eleitoral. Para ele, a fiscalização não deve se limitar ao período eleitoral, mas começar já na pré-campanha, quando surgem os primeiros sinais de promoção política e possíveis irregularidades. “A pré-campanha é um conceito fluido que depende muito mais do comportamento do pré-candidato do que da norma em si. A partir do momento em que alguém se apresenta como pré-candidato, passa a fazer reuniões, participar de eventos e buscar visibilidade política, ele atrai para si não apenas direitos, mas também todas as restrições e mecanismos de fiscalização previstos na legislação eleitoral”, argumentou.Dentro dessa perspectiva, o promotor de Justiça chamou atenção para a importância do monitoramento de redes sociais, eventos políticos e atos administrativos. Segundo ele, as plataformas digitais se transformaram em importantes ferramentas de investigação, permitindo identificar comportamentos, reunir provas e acompanhar a movimentação de agentes políticos de forma contínua. “O político e o pré-candidato precisam de exposição, precisam divulgar os atos que praticam. Se você tem uma rotina mínima de acompanhamento, consegue identificar comportamentos, registrar provas e perceber situações que muitas vezes ocorrem de forma totalmente aberta, porque já foram naturalizadas”, observou.Ao incentivar os membros do Ministério Público a adotarem uma postura mais ativa e investigativa, Igor Pinheiro defendeu que a atuação eficiente exige curiosidade, iniciativa e disposição para identificar irregularidades antes que produzam efeitos mais graves sobre o processo eleitoral. “Nós somos pagos para duvidar. Nós temos que desconfiar de tudo e de todos, porque só o curioso é que vai descobrir”, afirmou.O promotor ressaltou ainda que os resultados mais efetivos costumam surgir quando o acompanhamento das condutas começa ainda no período pré-eleitoral, permitindo a construção de um histórico de comportamentos capaz de demonstrar eventual abuso de poder. “Os dados mostram que os casos de maior sucesso são justamente aqueles que começam a ser acompanhados ainda no ano pré-eleitoral, permitindo demonstrar uma sequência de condutas e um padrão de comportamento”, reforçou.Ao tratar do uso da máquina pública para promoção política, Igor Pinheiro chamou atenção para o aumento da exposição de possíveis candidatos e para a utilização de perfis pessoais em redes sociais para divulgar ações institucionais. Na avaliação dele, muitas vezes os indícios de uma candidatura se manifestam antes mesmo de qualquer anúncio formal, exigindo atenção dos órgãos de fiscalização.“Na política, muitas vezes o não dito é um sim. Quando começam a apontar alguém como pré-candidato, quando essa pessoa passa a ter uma exposição que antes não tinha e quando há sinais concretos de movimentação política, cabe ao Ministério Público investigar, acompanhar e reunir elementos objetivos. Não podemos esperar que tudo esteja declarado formalmente para começar a fiscalizar”, destacou.O promotor também ressaltou que a fiscalização deve alcançar todos os atores políticos, independentemente de posicionamentos ideológicos ou partidários. Segundo ele, a atuação isonômica é fundamental para preservar a credibilidade institucional e afastar questionamentos sobre eventual perseguição ou seletividade. “A maior estratégia contra qualquer alegação de perseguição ou assédio processual é agir de forma igual contra todos. Se a conduta é irregular, ela deve ser investigada independentemente de quem a pratique. O Ministério Público não pode ter lado político; o lado do Ministério Público é o lado da legalidade”, enfatizou.Ao abordar a corrupção eleitoral, o painelista criticou a realização de acordos penais e defendeu uma postura mais rigorosa na responsabilização dos envolvidos. Para ele, o Ministério Público deve exercer protagonismo na proteção da integridade do processo eleitoral e atuar de forma efetiva na prevenção e repressão dessas práticas. Na avaliação do promotor, a baixa efetividade da repressão aos crimes eleitorais exige uma reflexão sobre as respostas adotadas pelo Sistema de Justiça. “Em um país que registra historicamente altos índices de corrupção eleitoral, o Ministério Público precisa refletir sobre a efetividade das suas respostas. Se o sistema já puniu pouco, se são raríssimos os casos de prisão e condenação efetiva, precisamos avaliar com muito cuidado até que ponto determinados acordos contribuem para a prevenção e para a credibilidade do processo democrático”, apontou.Por fim, o palestrante reiterou a defesa de uma atuação mais firme do Ministério Público diante dos crimes eleitorais e da corrupção política. “O MP tem que ser demandista sim, em algumas hipóteses graves. E nós estamos falando de corrupção eleitoral, de algo gravíssimo. Nós temos um déficit punitivo alarmante. Como é que você, num país que tem mais de cinco mil municípios, em que a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 40 milhões só na última eleição por corrupção eleitoral, não tem um indivíduo condenado e preso? É um sistema totalmente sem efetividade”, finalizou.

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Fotos: Chico Ferreira.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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