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Oferta elevada pressiona preços da soja no Brasil, apesar de aumento nas negociações

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Liquidez ganha força no mercado interno

O mercado brasileiro de soja registrou maior movimentação nos últimos dias, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Cooperativas e cerealistas têm incentivado os produtores a vender o restante da safra anterior, com o objetivo de liberar espaço para a entrada da nova colheita, o que resultou em uma elevação na liquidez do mercado spot.

Pressão sobre os preços continua

Apesar do maior volume de negócios, as cotações domésticas seguem em queda, influenciadas pelas expectativas de uma oferta elevada no curto prazo. A ampla disponibilidade do grão no mercado interno tem mantido os preços sob pressão, limitando a valorização mesmo diante do avanço das negociações.

Estoques e produção recorde ampliam cenário de oferta

Em relatório divulgado em 15 de janeiro, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) revisou para cima o estoque inicial da safra 2025/26, agora estimado em 10,73 milhões de toneladas — um crescimento de 2,9% em relação a dezembro de 2025 e expressivos 48,4% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

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A produção nacional continua projetada em 176,12 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como um dos principais produtores mundiais e reforçando a tendência de abundância de oferta no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27

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Isan Rezende

“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.

Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.

O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.

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Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.

Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.

O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.

Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.

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Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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