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Onde antes havia garimpo, agora há alimento: governo implanta unidades para a soberania alimentar na Terra Yanomami

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O barulho da draga, dos motores e demais equipamentos usados na atividade ilegal de extração de ouro dentro da Terra Indígena Yanomami foi silenciado com a retirada dos invasores pelos agentes federais e a consequência deste trabalho já pode ser vista na comunidade de Sikamabiu, na região do Baixo Mucajaí, onde residem 30 famílias, reunindo quase 400 indígenas.

É nesta comunidade que o Governo do Brasil deu início à implantação de unidades demonstrativas de soberania alimentar na Terra Indígena Yanomami, um projeto que integra recuperação ambiental, produção sustentável de alimentos e fortalecimento da autonomia das comunidades indígenas. A iniciativa busca garantir acesso regular a alimentos saudáveis, respeitando os modos de vida tradicionais, ao mesmo tempo em que recupera áreas degradadas pela atividade do garimpo ilegal.

A unidade demonstrativa de Sikamabiu é a primeira de uma série de 8 unidades a serem distribuídas pelo território ainda neste ano. Os técnicos envolvidos no projeto afirmam que a entrega é um marco para a recuperação ambiental e, principalmente, para a garantia da segurança alimentar dos indígenas.

A unidade demonstrativa de Sikamabiu é a primeira de uma série de 8 unidades a serem distribuídas pelo território ainda neste ano
A unidade demonstrativa de Sikamabiu é a primeira de uma série de 8 unidades a serem distribuídas pelo território ainda neste ano

“O impacto desta ação é muito grande. A unidade modelo é um marco dentro do território. Onde já corremos o risco de levar tiro de garimpeiro, levamos estrutura e ferramentas para a conquista da soberania alimentar”, diz a pesquisadora da Embrapa Roraima Rosemary Vilaça, que atua no território desde 2022 e é uma das responsáveis pelo projeto das unidades demonstrativas.

A unidade é composta por aviário com 100 galinhas rústicas; um viveiro de mudas nativas capaz de comportar 2 mil mudas, com destaque para o açaí e o cacau nativos; tanque de compostagem para adubo natural; roças com plantio de mandioca, batatas, arroz e outras culturas; Sistemas Agroflorestais (SAFs), em que as mudas são plantadas com o objetivo de restaurar as cicatrizes abertas pelo garimpo, multiplicar sementes tradicionais e cultivar espécies nativas de fruteiras e hortaliças; além do tanque escavado de piscicultura, com 440m².

DE GARIMPO A CRIADOUROS – Também no contexto da criação de peixes, dois açudes, antes usados para o garimpo ilegal, foram transformados em criadouros, ou seja, estão integrados ao sistema de produção. “Claro que fizemos os testes nesses açudes para garantir que não estão contaminados. Nas checagens, não se observou a presença de mercúrio”, pontua a pesquisadora da Embrapa. Estes dois açudes somados ao tanque perfurado de 440m² abrigam 4 mil alevinos.

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UNIDADE DEMONSTRATIVA – A implantação da unidade é realizada a partir de um trabalho conjunto que envolve o financiamento do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) – são R$90 mil destinados à Unidade de Sikamabiu -, a execução sob responsabilidade da Embrapa Roraima, contando com a Funai no apoio logístico e articulação com a comunidade. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima (IFRR) também atua na parceria, levando conhecimento técnico ao território.

Estes recursos são oriundos do Termo de Execução Descentralizada (TED) que o MDS possui com a Embrapa RR, com valor global de R$1,8 milhão. A iniciativa viabilizará a implantação de outras unidades no território. O escopo do projeto prevê ainda para este ano sete outras unidades, beneficiando 18 comunidades indígenas yanomami nas regiões de Surucucu, Homoxi, Xitei, Lasasi, Ajarani, Olomai e Uxiu.

Técnicos da Embrapa apontam que ao menos outras 11 comunidades têm demonstrado interesse em ver o projeto de pé nas suas regiões. A TI Yanomami tem 9,6 milhões de hectares — em extensão territorial é a maior terra indígena do Brasil, abrigando aproximadamente 31 mil indígenas.

A comunidade de Sikamabiu recebeu 10 tanques elevados com 4 mil alevinos de tambaqui distribuídos para a criação e futura “despesca”
A comunidade de Sikamabiu recebeu 10 tanques elevados com 4 mil alevinos de tambaqui distribuídos para a criação e futura “despesca”

MÓDULOS PARA SUPORTE EM PESCADO – A comunidade de Sikamabiu recebe ainda 10 tanques elevados com 4 mil alevinos de tambaqui distribuídos para a criação e futura “despesca”, que é quando os peixes são retirados pelos indígenas para o próprio consumo.

Esta realização está sob o escopo do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e conta com a parceria do IFRR. De acordo com o ministério, esses tanques são em geomembrana, característica que proporciona maior eficiência e durabilidade no armazenamento e criação dos peixes, e a parceria com o instituto é para a transferência de tecnologia e a formação de agentes locais que viabilizem o funcionamento dos tanques e a criação em si. Ou seja, os agentes serão os próprios indígenas: 34 deles foram formados pelo IFRR e serão responsáveis pelo cultivo e multiplicação do conhecimento na comunidade de Sikamabiu.

Conforme a secretária Nacional de Aquicultura, MPA, Fernanda Gomes de Paula, três meses é o período mínimo e “seguro” para que o peixe seja retirado e consumido. A explicação dada pela secretária lembra a máxima “dar o peixe” e ensinar a pescar [e a criar]”, ao destacar que o objetivo da capacitação realizada é que os yanomami tenham autonomia.

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“Os indígenas serão os responsáveis pela criação, por isso a parceria com o IFRR, que os prepara tecnicamente para o trabalho. Essa capacitação ocorre dentro do próprio território, assim estamos dando autonomia para essas comunidades”, destaca ela. A iniciativa do ministério será replicada em outros locais. Conforme o coordenador de sustentabilidade na Aquicultura, Alberto Furtado, 14 polos na Terra Yanomami vão receber tanques, alevinos e capacitação. Realizações já com recursos previstos e designados no escopo do TED/2004 de R$12 milhões no total.

Essa ação do MPA somada à do MDS leva à Sikamabiu 8 mil alevinos. A estimativa feita pelos profissionais envolvidos é que a produção de proteína animal (peixes e aves) na comunidade chegue a 1 tonelada até o final de 2026.

PLANO DE AÇÃO – As medidas que estão sendo adotadas em Sikamabiu por diferentes ministérios e órgãos fazem parte da restruturação promovida pelo Governo do Brasil no território. Todas as iniciativas compõem o Plano de Ação para o Desenvolvimento Sustentável da Terra Indígena Yanomami, liderado pela Funai. A fundação explica que as iniciativas convergem para o mesmo objetivo: realizar o acompanhamento da promoção do bem viver dos povos Yanomami e Ye’kwana.

AGENDA – Nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, o ministro do Desenvolvimento Social, Welington Dias, a presidenta da Funai, Joênia Wapichana, a diretora substituta da Casa de Governo, Cleide de Souza, a secretária nacional de Aquicultura do MPA, Fernanda de Paula, e outras autoridades, representando o Governo do Brasil, irão à comunidade de Sikamabiu fazer a inauguração destes ativos.

Outros ministérios e órgãos abrirão também uma agenda de entregas no Território Yanomami e na cidade de Roraima, a exemplo do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), que pôs em funcionamento e vai inaugurar oficialmente o Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana, na cidade de Boa Vista. Um espaço de atendimento especializado para acolher demandas relacionadas a violações de direitos humanos, ampliar o acesso a serviços essenciais e orientar sobre procedimentos legais, administrativos e de políticas públicas voltadas para proteção contra violação de direitos.

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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Preço do milho segue estável no Brasil à espera da safrinha; exportações avançam mais de 70%

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O mercado brasileiro de milho registrou pouca movimentação ao longo da semana, refletindo a postura cautelosa de compradores e vendedores diante da proximidade da entrada mais intensa da segunda safra no país. A expectativa de aumento da oferta mantém o ritmo de negociações lento, enquanto produtores buscam sustentar os preços em meio ao avanço da colheita.

Segundo análise da Safras & Mercado, o cenário continua marcado por baixa liquidez e poucas alterações nas cotações, tanto no mercado físico quanto nas negociações futuras.

Compradores aguardam maior oferta da safrinha

Os consumidores seguem atuando de forma pontual, adquirindo apenas volumes necessários para reposição imediata. O comportamento demonstra conforto nos estoques e expectativa de que a colheita da segunda safra amplie a disponibilidade do cereal nas próximas semanas.

Do lado da oferta, os produtores avançam na comercialização da produção, mas mantêm resistência em aceitar preços considerados baixos. Em diversas regiões, as pedidas continuam acima dos valores ofertados pelos compradores, limitando o fechamento de novos negócios.

A expectativa do mercado é que o avanço da colheita da safrinha aumente a pressão sobre os preços, principalmente nas regiões de maior produção.

Clima segue no radar dos agentes do mercado

As condições climáticas continuam sendo acompanhadas de perto pelos participantes do setor.

O mercado monitora a possibilidade de novas chuvas na Região Sul, em São Paulo, no sul de Minas Gerais e em áreas produtoras de Goiás. Apesar das especulações sobre eventuais impactos na produtividade, ainda não há confirmação de perdas relevantes.

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Outro fator observado é o risco de geadas. No entanto, as previsões meteorológicas atuais não indicam ocorrência de frio intenso capaz de provocar danos significativos às lavouras.

Relatório do USDA influencia expectativas globais

No cenário internacional, as atenções estiveram voltadas para a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O documento trouxe atualizações importantes para o mercado global de grãos e reforçou a percepção de ampla disponibilidade de milho, fator que continua pressionando os preços na Bolsa de Chicago.

A queda das cotações internacionais tem reduzido a competitividade do milho brasileiro nos portos, mesmo com a valorização do dólar frente ao real.

Exportações avançam em volume, mas preços médios recuam

Apesar dos desafios relacionados à paridade de exportação, os embarques brasileiros de milho apresentaram crescimento expressivo no início de junho.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 126,061 mil toneladas de milho nos quatro primeiros dias úteis do mês, com média diária de 31,515 mil toneladas.

A receita acumulada alcançou US$ 29,451 milhões, com média diária de US$ 7,362 milhões.

Na comparação com junho de 2025, os resultados mostram:

  • Alta de 57,9% na receita média diária;
  • Crescimento de 70,6% no volume médio diário exportado;
  • Queda de 7,4% no preço médio por tonelada.

O valor médio da tonelada exportada ficou em US$ 233,60.

Cotações do milho permanecem estáveis nas principais regiões produtoras

O preço médio da saca de milho no Brasil foi cotado em R$ 61,12 no dia 11 de junho, praticamente estável em relação aos R$ 61,14 registrados na semana anterior.

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Nas principais praças acompanhadas pelo mercado, os preços apresentaram poucas variações:

  • Cascavel (PR): R$ 60,00 por saca;
  • Campinas (SP/CIF): R$ 65,00 por saca;
  • Mogiana Paulista (SP): R$ 60,00 por saca;
  • Rondonópolis (MT): R$ 51,00 por saca;
  • Erechim (RS): R$ 69,00 por saca;
  • Uberlândia (MG): R$ 60,00 por saca;
  • Rio Verde (GO): R$ 58,00 por saca.

A estabilidade observada reforça o momento de transição vivido pelo mercado, que aguarda uma definição mais clara sobre o tamanho da safra e o ritmo efetivo da colheita.

Safrinha deve definir tendência dos preços nos próximos meses

O comportamento do mercado de milho nas próximas semanas dependerá diretamente do avanço da colheita da segunda safra, considerada a principal do país.

Caso a produtividade se confirme dentro das expectativas atuais, a entrada de grandes volumes no mercado poderá ampliar a oferta disponível e exercer pressão adicional sobre as cotações.

Por outro lado, eventuais problemas climáticos ou atrasos na colheita podem limitar esse movimento e sustentar os preços por mais tempo.

Enquanto esse cenário não se define, compradores seguem cautelosos e produtores mantêm postura firme nas negociações, resultando em um mercado de baixa liquidez e pouca variação nos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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