Turismo
Orient Express: histórica linha Paris-Istambul ganha revival caríssimo
Publicado
17 de outubro de 2024, 10:30

Com vagões pomposos que figuram na literatura, aparecendo em obras como as de Agatha Christie e Graham Greene, as viagens no luxuoso trem Orient Express (ou Expresso do Oriente , em português) mexem com a imaginação de muita gente há décadas.
Originalmente, o seu trajeto mais longo ligava Paris a Istambul, mas a extensão da viagem foi sendo reduzida com o passar dos anos. Em 1977, o trem passou a transportar os passageiros só até Bucareste , na Romênia . Em 1991, um novo corte reduziu o extremo da linha a Budapeste , na Hungria . E, dez anos mais tarde, um novo enxugamento transformou a linha em um modesto Paris – Viena , na Áustria . Quando o trem original deixou de circular, em 2009, sua partida nem era mais da capital francesa, mas de Estrasburgo .
A boa notícia é que há planos para reviver a rota original, de Paris a Istambul , em 2025. A má notícia é que a passagem para a mais simples das suítes custará mais de R$ 100 mil.
Atualmente, dois grupos empresariais dividem os direitos para comercializar viagens sob o título de Orient Express . A Belmond opera a linha Venice Simplon-Orient-Express (VSOE). Já a rede Accor está investindo na restauração de vagões originais de época para uma “linha nostálgica” ainda em testes, batizada de Nostalgie-Istanbul-Orient Express , que deve ser inaugurada no ano que vem.
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Venice Simplon-Oriente-Express da Belmond
O Venice Simplon-Orient-Express da Belmond tenta recuperar o charme das viagens mais longas. A estrela do programa é um pacote que percorre a linha Paris – Budapeste , mas há mais de 50 itinerários possíveis, envolvendo cidades como Bruxelas, Veneza, Genebra e Amsterdã , entre outros destinos europeus.
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Com vagões restaurados ou inspirados na estética da viagem que acontecia nos anos 1920 – período do auge da art déco –, cada espaço do Venice Simplon-Orient-Express transporta os passageiros para outros tempos enquanto cruza o continente europeu.
O trem possui três vagões de refeições. O vagão-restaurante Étoile du Nord foi construído em 1926 e preserva a decoração em madeira entalhada de época completamente restaurada. Já o Côte d’Azur foi restaurado em duas ocasiões – 1961 e 1981 – e é coberto de decorações em vidro com design de René Lalique. O L’Oriental também passou por uma remodelação com painéis de laca preta reluzentes.
Nas acomodações, as categorias disponíveis variam em preço, mas não perdem o requinte. As mais caras, chamadas de Grand Suites , dispõem de serviço de mordomo 24 horas, compartimento para jantar particular, banheiros privativos e champanhe à vontade. Tudo a partir de £ 10.165 por pessoa (mais de R$ 74 mil).
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As suítes tradicionais – um pouco menos salgadas, a partir de £ 7.260 por pessoa (mais de R$ 53 mil) – são decoradas com inspiração na paisagem do trajeto e na art déco, com cores, padrões e texturas de antigamente. Durante o dia, a cama do quarto fica “guardada” em um compartimento, fazendo da cabine uma área de estar.
Já as cabines históricas funcionam com duas camas de solteiro ou beliches ladeando os assentos do tipo banqueta rente às janelas – de onde é possível observar a paisagem da viagem durante o dia. A partir de £ 3.885 por pessoa (mais de R$ 28 mil) nos trajetos mais curtos, o modelo mais simples de cabine é equipado com pia com água quente e fria, mas os banheiros são compartilhados e se encontram no final de cada vagão leito.
Todas as opções de trajetos e datas (que são escassas, oferecidas poucas vezes por ano) podem ser encontradas no site da empresa , que também pretende reviver a linha Paris – Istambul : há previsão de uma viagem de 5 noites saindo em 30 de maio de 2025, com preços a partir de £ 17.500 por passageiro (cerca de R$ 128 mil).
Cabine exclusiva foi concebida por artista francês
Se você achou caro, espere para ver a próxima atração projetada pela Belmond para o Venice Simplon-Orient-Express : o ápice do conforto estará no L’Observatoire , um vagão concebido pelo fotógrafo e artista francês JR.
Inspirado nos gabinetes de curiosidades renascentistas, o vagão é todo decorado com padrões de marchetaria, possui uma biblioteca com diversos volumes da famosa editora francesa Gallimard e conta com uma claraboia, bem como outras decorações suntuosas.
As viagens no L’Observatoire estarão disponíveis a partir de março de 2025, mas só para quem realmente puder se dar ao luxo de pagar surreais £ 80 mil por noite (um valor que beira os R$ 600 mil).
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Nostalgie-Istambul-Oriente Express da Accor
A outra empresa com os direitos para explorar a marca Orient Express é a Accor , que está preparando a linha Nostalgie-Istanbul-Orient Express . O trem, que percorrerá a lendária rota Paris-Istambul , terá 17 vagões originais do Orient Express histórico, datados de 1920 e 1930. O projeto de restauração é liderado pelo arquiteto Maxime d’Angeac, que já trabalhou para marcas como Daum e Hermès.
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D’Angeac reúne elementos da década de 1920 com o luxo contemporâneo para criar um design original para cada ambiente dos vagões. Elementos como lâmpadas florais recuperadas do trem histórico e abajures que revisitam os modelos originais foram mantidos para preservar a história do comboio. As duas primeiras viagens-teste foram realizadas este ano e, em 2025, a linha entrará em operação comercial.
Por enquanto, a Accor já abriu vendas para um trajeto bem mais curto, que percorre algumas regiões da Itália , com o pacote sendo vendido sob o nome La Dolce Vita Orient Express – mas a primeira partida também só ocorrerá em 2025.

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Fonte: Turismo
Turismo
No belo litoral de Santa Catarina, Vila do Araçá concorre ao selo ‘Melhores Vilas Turísticas do Mundo’
Publicado
2 de julho de 2026, 17:00
Localizada no município de Porto Belo, no litoral de Santa Catarina, a Vila do Araçá está concorrendo, ao lado de outros seis destinos brasileiros, ao selo “Melhores Vilas Turísticas”, iniciativa da ONU Turismo, que reconhece destinos que se destacam pela valorização do patrimônio cultural e natural, pelo compromisso com a sustentabilidade e pela promoção do desenvolvimento local.
As localidades foram escolhidas pelo Ministério do Turismo após seleção de dez inscrições. Entre os critérios, estão ter população de até 15 mil habitantes, estar situada em uma paisagem com presença significativa de atividades tradicionais, como agricultura, silvicultura, pecuária ou pesca, e compartilhar valores e estilo de vida comunitário.
O resultado final das vilas selecionadas será divulgado em dezembro, em Buenos Aires, na Argentina. As vilas brasileiras concorrem com outras 261 espalhadas por todos os continentes.
Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o prêmio é um reconhecimento ao compromisso com a sustentabilidade, com a preservação do patrimônio histórico e cultural. “O turismo rural e de natureza é um dos maiores motores de inclusão social e geração de emprego e renda que temos hoje. Ele fixa o homem no campo, valoriza o sentimento de pertencimento e distribui riqueza de forma justa. A seleção das vilas mostra ao mundo como o Brasil sabe aliar desenvolvimento econômico e conservação ambiental”, disse.
Comunidade e preservação
Araçá reúne um conjunto de atrativos que fazem do destino um exemplo de turismo aliado à preservação ambiental, à valorização cultural e ao protagonismo da comunidade local. Com paisagens naturais preservadas, tradições centenárias e experiências autênticas, a vila oferece aos visitantes uma imersão na história e no modo de vida da população.
Entre as principais manifestações culturais está a Festa de Santa Terezinha, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Porto Belo. A celebração mantém vivas as tradições religiosas e fortalece o sentimento de pertencimento da comunidade. Outro importante patrimônio imaterial são as benzeduras, prática tradicional de cura e espiritualidade, transmitida entre gerações e que permanece presente no cotidiano dos moradores.
Riqueza cultural e natureza
A Área de Proteção Ambiental da Ponta do Araçá protege cerca de 140 hectares de ecossistemas costeiros, biodiversidade e paisagens naturais, contribuindo para a conservação ambiental e para o desenvolvimento de atividades turísticas sustentáveis.
É nesse cenário que a Baía da Caixa D’Aço se destaca como um dos principais cartões-postais da região. Os passeios turísticos em embarcações tradicionais permitem conhecer a beleza da baía sob uma nova perspectiva, enquanto os restaurantes flutuantes oferecem uma experiência singular ao combinar gastronomia, cultura local e contato direto com o mar.
A gastronomia, aliás, é um dos grandes diferenciais da vila. Os frutos do mar, vindos da pesca artesanal, dão identidade aos pratos servidos pelos empreendimentos locais e reforçam a conexão entre os visitantes e a cultura pesqueira que marca a história do Araçá.
Além dos passeios de barco, quem visita a comunidade pode percorrer trilhas, conhecer áreas naturais preservadas e participar de experiências ligadas ao cotidiano dos moradores, aproximando-se das tradições, dos saberes e dos modos de vida que caracterizam o destino.
Um dos principais diferenciais da Vila do Araçá está justamente na capacidade de transformar sua identidade em inovação. A adaptação de embarcações da pesca artesanal para o turismo, a criação dos restaurantes flutuantes e o fortalecimento de experiências de turismo de base comunitária demonstram como a comunidade usa seus recursos naturais, culturais e produtivos para gerar desenvolvimento sustentável, diversificar a economia local e proporcionar experiências autênticas aos visitantes.
Mais do que um destino turístico, o Araçá representa um modelo de desenvolvimento que valoriza o patrimônio cultural, preserva o meio ambiente e fortalece o protagonismo da comunidade, consolidando-se como uma referência em turismo sustentável no litoral catarinense.
Sobre a premiação
Desde sua criação, a ONU Turismo recebeu mais de mil inscrições, de mais de 100 países. Atualmente, a Rede de Melhores Vilas Turísticas da ONU Turismo tem 319 destinos rurais em todo o mundo. No total, contabilizado este ano, 27 vilas turísticas brasileiras já foram indicadas. Duas delas alcançaram o reconhecimento internacional, sendo Testo Alto, em Pomerode (SC), conhecida pela Rota do Enxaimel, e Antônio Prado (RS).
A rota do Enxaimel reúne a maior concentração, fora da Europa, de casas construídas com essa técnica arquitetônica trazida pelos imigrantes alemães, na qual as estruturas de madeira são construídas sem nenhum prego ou parafuso, apenas com encaixes. São cerca de 50 residências ao longo de 16 km, em um percurso tombado como patrimônio paisagístico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Já Antônio Prado tem referência na preservação da herança da imigração italiana no país. O município gaúcho possui um valioso patrimônio histórico e cultural: aproximadamente 80% dos moradores falam talian, dialeto resultante da mistura de idiomas do norte da Itália com o português.
Conheça os outros representantes do Brasil na edição deste ano:
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Conceição de Ibitipoca (Lima Duarte/MG): Situada na Serra da Mantiqueira, a vila preserva um rico patrimônio histórico e cultural ligado aos antigos caminhos do ciclo do ouro. Com cerca de 1.100 moradores é conhecida por sua proximidade com o Parque Estadual do Ibitipoca, um dos principais destinos de ecoturismo do país, reunindo trilhas, cachoeiras, grutas e experiências voltadas ao bem-estar e à contemplação da natureza.
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Delfinópolis (MG): Integrante da região da Serra da Canastra, o município alia turismo de natureza, cultura e produção rural. O destino é reconhecido pelas inúmeras cachoeiras, trilhas e paisagens naturais, além da tradição na produção do Queijo Minas Artesanal da Canastra e do Café da Canastra, produtos que reforçam a identidade local e enriquecem a experiência dos visitantes.
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Holambra (SP): Conhecida como a Capital Nacional das Flores, Holambra preserva a herança cultural deixada pelos imigrantes holandeses em sua arquitetura, gastronomia e manifestações culturais. O município responde por grande parte da produção e exportação de flores do país e tem como um de seus principais símbolos o Moinho Povos Unidos, o maior da América Latina.
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Lençóis (BA): Porta de entrada da Chapada Diamantina, Lençóis reúne patrimônio histórico, riqueza natural e forte participação comunitária no desenvolvimento do turismo. Cercada por cachoeiras, cavernas, rios e cânions, a cidade oferece experiências de ecoturismo e aventura associadas à valorização das tradições culturais locais e ao protagonismo de guias e empreendedores da própria comunidade.
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São José do Barreiro (SP): Localizada no Vale do Paraíba e cercada pela Serra da Bocaina, a cidade combina natureza exuberante e patrimônio histórico. O destino preserva fazendas e construções ligadas ao ciclo do café e oferece atrativos como a Trilha do Ouro, cachoeiras e experiências gastronômicas baseadas em produtos artesanais da região.
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Vila Flores (RS): Localizado na Serra Gaúcha, o município de Vila Flores (RS) combina tradições, gastronomia típica, turismo rural e paisagens preservadas da Mata Atlântica, em um modelo de turismo baseado na autenticidade e na valorização da comunidade local. O principal símbolo dessa identidade é o Filó Italiano, tradição que garantiu a Vila Flores o título de Capital Estadual do Filó.
Por Marco Guimarães
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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