Com a meta de posicionar o Pantanal brasileiro como novo destino de safári de vida selvagem no mercado internacional, especialmente para competir com os tradicionais roteiros da África, a Embratur, em parceria com os governos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Sebrae, lança uma forte campanha de promoção no exterior. A estratégia foi detalhada durante reunião no Summit Visit Brasil, realizada nesta segunda-feira (19.5), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
A principal ação será a Galeria Visit Brasil – Pantanal, que ocorrerá de 28 de outubro a 1º de novembro, em Nova York, reunindo imagens, sons, sabores e experiências do bioma pantaneiro, considerado um dos mais ricos do planeta em biodiversidade. A ideia é apresentar o Pantanal como um destino que alia natureza exuberante, fauna rara — como a onça-pintada e o tamanduá-bandeira — e uma cultura local autêntica, com forte apelo gastronômico.
“Temos que mostrar ao mundo que o Brasil também é um destino de safári. Com uma mensagem clara e unificada entre os dois estados, podemos competir em pé de igualdade com destinos africanos”, afirmou Bruno Reis, diretor de Marketing, Negócios e Sustentabilidade da Embratur. A proposta inclui também rodadas de negócios com os 20 principais operadores de turismo dos Estados Unidos.
Segundo dados do Sebrae, 728 mil norte-americanos visitaram o Brasil em 2024, um aumento de 9% em relação ao ano anterior. Eles gastaram em média US$ 3.654 por pessoa, cerca de R$ 20 mil, e costumam permanecer cerca de 18 dias no país, perfil considerado estratégico para a nova campanha.
Como reforço global à iniciativa, a National Geographic produzirá uma série especial sobre o Pantanal, com possibilidade de começar em junho em uma expedição chamada “safári de sentidos”, que usará vídeos e fotos para explorar o bioma pelos cinco sentidos: visão, audição, tato, olfato e paladar.
A secretária adjunta de Turismo de Mato Grosso, Maria Letícia Costa, reforçou a importância da ambientação e curadoria do evento em Nova York.
“Temos um produto único e maravilhoso. Precisamos apresentá-lo com a força e o cuidado que ele merece, desde a gastronomia até a estética da galeria”, afirmou.
O diretor técnico do Sebrae Mato Grosso, André Schelini, destacou o papel estratégico da ação para reposicionar o Pantanal após os impactos ambientais e econômicos sofridos nos últimos anos.
“Desde os incêndios florestais e a pandemia, a região vem se recuperando com muito esforço. Essa ação internacional corrobora com um Brasil que quer mostrar ao mundo seu potencial de desenvolvimento sustentável, baseado em cadeias de valor e na conservação do meio ambiente. O momento é de união e planejamento integrado”, disse.
O evento em Nova York também será uma oportunidade para prospectar investimentos internacionais voltados à estrutura turística da região. A expectativa é que ações como essa consolidem o Pantanal no radar de turismo internacional e fortaleçam a imagem do Brasil como potência em natureza e conservação.
Terminou nesta sexta-feira (12.6) a programação da capacitação para Manejo e Contenção de Animais Silvestres em Eventos Climáticos Extremos promovida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Na última aula prática, os cursistas fizeram o manejo de jacarés na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em meio a uma simulação de eventos de desastre com animais. O objetivo foi demonstrar os desafios enfrentados pela fauna silvestre durante emergências ambientais decorrentes das mudanças climáticas, como estiagem prolongada e incêndios de grandes proporções.
Os profissionais contaram com agentes do Grupo de Resgate Técnico Animal do Pantanal (GRETAP-MS), capacitados em operações de risco, para instruí-los na execução dos aprendizados. As simulações ocorreram em três tardes de aulas de campo. No primeiro dia (10), foram ensinadas as técnicas de contenção, transporte e manutenção em mamíferos e serpentes. Já no segundo (11), foi a vez de grandes animais e aves e, por fim, o manejo de jacarés.
Segundo a médica veterinária e analista ambiental da Sema, Danny Moraes, a capacitação contínua da Sema para os profissionais que vão atuar em ambientes extremos possui relevância para proporcionar uma abordagem técnica de resgate que assegure a sobrevivência da fauna silvestre em ameaça.
“Essa é uma oportunidade ímpar de ampliar a quantidade de pessoas capacitadas para que os animais tenham atendimento da melhor forma possível e, assim, tenham maior chance de sobrevida e de retorno ao ambiente natural”, afirma a veterinária.
Além disso, a atividade é uma oportunidade para trocar experiências com outros profissionais que atuam na linha de frente dos resgates, tanto em municípios de Mato Grosso quanto de outros estados.
Para a médica veterinária do Instituto Urihi, Luciana Guimarães, a importância da capacitação está na segurança adquirida pelo conhecimento teórico e aplicação de maneira responsável. “Tudo o que foi ensinado vai ser de extrema importância caso a gente precise aplicar, pois será agora de uma maneira aprimorada, mais responsável e segura, tanto para a equipe quanto para os animais”.
O coordenador de Fauna e Recursos Pesqueiros, Éder Toledo, destaca que o curso inaugura o plano de atividades do órgão ambiental, desenvolvido anualmente, para atendimentos aos animais silvestres no Estado de Mato Grosso, principalmente voltados às unidades de conservação.
Já as entidades participantes do encontro se tornam equipes que realizarão trabalhos in loco a partir da semana que vem, com o intuito de garantir a conscientização dos moradores de locais comumente atingidos. “Apesar de não termos focos de incêndio ou situações que envolvam animais, já vamos a campo para fazer reconhecimento de área, levantamento da situação e informar as pessoas, primordialmente na região da Transpantaneira e de Barão de Melgaço, além de fazer a distribuição de panfletos com o número de telefone para contato caso haja situações envolvendo animais silvestres naquela área”, relata o coordenador.
A terceira edição do simpósio também promoveu conteúdo programático durante os cinco dias de encontros (de 8 a 12.06), relacionados à gestão do fogo, biossegurança, resgate técnico animal, discussão de casos, estabilização clínica na sobrevivência da fauna silvestre, manejo, contenção, transporte e manutenção de grandes animais.
Na parte prática também foi aplicada uma espécie de simulado integrado, que cria eventos de desastre com animais de grande e pequeno porte, como forma de demonstrar os desafios enfrentados na vida real pela fauna silvestre.
A ação contou com o apoio do Instituto Urihi para Preservação Ambiental, Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-MT) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis em Mato Grosso (Ibama).
Participaram do evento: servidores da Sema-MT, Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado Pantanal (Gretap-MS), CRMV-MT, Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA), Corpo de Bombeiros, Ibama e profissionais autônomos.
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