Agro News

Plantio de feijão: população de plantas e espaçamento corretos aumentam a produtividade da lavoura

Publicado

A definição da população de plantas e do espaçamento entre linhas está entre os fatores mais importantes para o sucesso da lavoura de feijão. Quando bem planejados, esses parâmetros favorecem o estabelecimento uniforme da cultura, aumentam o aproveitamento de água, luz e nutrientes e contribuem diretamente para ganhos de produtividade e rentabilidade.

Especialistas destacam que não existe uma recomendação única capaz de atender todas as situações. A definição do estande ideal deve considerar características da cultivar, sistema de produção, fertilidade do solo, disponibilidade hídrica e época de plantio, permitindo que o manejo seja ajustado às condições específicas de cada propriedade.

População de plantas influencia diretamente o desempenho da lavoura

A população de plantas corresponde ao número de plantas efetivamente estabelecidas por hectare, enquanto a taxa de semeadura representa a quantidade de sementes distribuídas durante o plantio.

Entre a semeadura e a emergência podem ocorrer perdas provocadas por baixa germinação, ataque de pragas, doenças ou falhas operacionais. Por isso, calcular corretamente a quantidade de sementes é fundamental para alcançar o estande desejado e evitar prejuízos.

Quando a população é inadequada, diversos problemas podem surgir na lavoura, entre eles:

  • Falhas no estande;
  • Excesso de plantas por metro linear;
  • Distribuição irregular das sementes;
  • Maturação desuniforme;
  • Maior risco de acamamento;
  • Aumento da incidência de doenças;
  • Desperdício de sementes e fertilizantes.
Características da cultivar determinam o melhor espaçamento

O hábito de crescimento do feijoeiro exerce influência direta sobre a definição da densidade de plantio.

Cultivares de porte mais ereto costumam suportar populações maiores e espaçamentos mais reduzidos, favorecendo o fechamento rápido das entrelinhas e melhor aproveitamento da área cultivada.

Já materiais com crescimento mais prostrado exigem populações mais equilibradas para evitar excesso de competição entre plantas, reduzir o risco de acamamento e minimizar condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças.

Leia mais:  Etanol fecha semana em alta e indica estabilização dos preços no mercado interno, aponta Cepea/ESALQ
Sistema de produção interfere na definição da densidade

As recomendações técnicas também indicam que o ambiente de produção influencia significativamente a escolha da população ideal.

Em áreas de alta fertilidade, irrigadas e com manejo nutricional eficiente, é possível trabalhar com densidades mais elevadas, aproveitando melhor o potencial produtivo da cultura.

Por outro lado, em regiões sujeitas à deficiência hídrica ou com menor disponibilidade de nutrientes, populações excessivas aumentam a competição entre plantas e podem comprometer o rendimento final.

Nos sistemas de sequeiro, a irregularidade das chuvas exige maior cautela na definição da densidade de semeadura. Já nas áreas irrigadas, o controle da disponibilidade de água oferece maior flexibilidade para intensificar o cultivo, desde que o manejo nutricional acompanhe essa estratégia.

Época de plantio também altera a resposta da cultura

A janela de semeadura é outro fator que influencia o comportamento do feijoeiro.

Dependendo da época de plantio, a cultura poderá enfrentar períodos de estiagem, excesso de chuvas durante o desenvolvimento ou temperaturas mais baixas, condições que modificam a resposta da planta à densidade populacional e ao espaçamento entre linhas.

Por isso, o planejamento da semeadura deve considerar as condições climáticas previstas para cada safra.

Espaçamento adequado ajuda no controle de plantas daninhas e doenças

Além dos impactos sobre a produtividade, o espaçamento interfere diretamente na sanidade da lavoura.

Entre os principais benefícios do ajuste correto estão:

  • Fechamento mais rápido das entrelinhas;
  • Redução da emergência de plantas daninhas;
  • Melhor aproveitamento da luminosidade;
  • Maior eficiência no uso de água e nutrientes.

No entanto, espaçamentos muito reduzidos, associados a altas populações, podem aumentar a umidade no interior da lavoura, favorecendo doenças foliares.

Leia mais:  Exportações de café do Brasil caem 31% em janeiro de 2026

Já espaçamentos mais amplos facilitam a circulação de máquinas, melhoram a ventilação entre as plantas e reduzem a competição, embora mantenham o solo exposto por mais tempo ao desenvolvimento de plantas invasoras.

Cálculo correto da taxa de semeadura evita desperdícios

O dimensionamento da população deve começar pela definição do número de plantas desejado por hectare.

Em seguida, esse valor é convertido para plantas por metro linear, considerando o espaçamento adotado. A taxa de semeadura é então ajustada de acordo com fatores como:

  • Poder germinativo das sementes;
  • Peso de mil sementes;
  • Perdas previstas durante a emergência;
  • Eficiência operacional da semeadora.

Esse planejamento reduz desperdícios de sementes e melhora a uniformidade da lavoura.

Manejo integrado garante melhores resultados

O sucesso do plantio não depende apenas da densidade de plantas.

Especialistas reforçam que a população ideal deve estar integrada a outras práticas de manejo, como:

  • Correção e fertilização do solo;
  • Utilização de sementes certificadas;
  • Tratamento de sementes com produtos registrados;
  • Controle eficiente de plantas daninhas;
  • Adoção do sistema de plantio direto;
  • Manejo adequado da irrigação;
  • Planejamento da colheita.

Também é recomendada a calibração periódica da semeadora e o registro das regulagens utilizadas em cada safra, facilitando ajustes futuros e aumentando a precisão da operação.

Por fim, todas as decisões relacionadas ao manejo da cultura devem ser acompanhadas por um engenheiro agrônomo, seguindo as recomendações técnicas e respeitando o uso correto dos equipamentos de proteção individual durante o manuseio de insumos agrícolas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Preço dos legumes sobe até 14,3% no Sudeste e lidera alta dos alimentos em maio, revela estudo

Publicado

As temperaturas mais baixas registradas em maio impactaram a produção agrícola e provocaram forte alta nos preços das hortaliças em todo o Brasil. Levantamento da Neogrid mostra que os legumes lideraram a inflação dos alimentos no mês, com avanço médio de 15,1% no país e de 14,3% na Região Sudeste, refletindo os efeitos da sazonalidade e da menor oferta de produtos.

O estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões” aponta que o preço médio da categoria passou de R$ 6,89 para R$ 7,93 entre abril e maio, consolidando os legumes como o principal responsável pela pressão sobre o orçamento das famílias.

Clima mais frio reduz oferta de hortaliças

Segundo Marcelo Alves, gerente executivo de Dados da Neogrid, as condições climáticas exerceram influência direta sobre o comportamento dos preços.

De acordo com o especialista, o frio reduz a produtividade e desacelera o desenvolvimento de diversas culturas, diminuindo a disponibilidade de produtos no mercado e elevando os preços ao consumidor.

Além dos impactos na produção, Alves destaca que uma gestão mais eficiente da cadeia de abastecimento torna-se ainda mais importante em períodos de maior volatilidade.

Segundo ele, ferramentas de previsão de demanda e maior visibilidade dos estoques ajudam supermercados e distribuidores a realizar reposições mais precisas, reduzindo perdas, desperdícios e rupturas no abastecimento.

Leia mais:  Mercado de café oscila com pressão da colheita no Brasil, aumento da oferta global e volatilidade nas bolsas
Leite em pó e feijão também registram alta

Além dos legumes, outras categorias importantes da cesta de consumo apresentaram aumento de preços em maio.

O leite em pó registrou alta de 9%, passando de R$ 40,47 para R$ 44,10. O feijão avançou 5%, enquanto o molho de tomate teve elevação de 3,3% e a água mineral subiu 3,5% no período.

Os resultados reforçam a pressão exercida por produtos básicos sobre a inflação dos alimentos.

Ovos, café, óleo de soja e carne suína ficam mais baratos

Em contrapartida, algumas categorias contribuíram para aliviar os gastos das famílias.

Os ovos apresentaram a maior redução do mês, com queda de 6,5%, fazendo o preço médio por unidade recuar de R$ 0,97 para R$ 0,90.

Também registraram redução de preços:

  • Massas alimentícias secas: -3,0%;
  • Café em pó e em grãos: -2,5%;
  • Carne suína: -1,4%;
  • Açúcar: -1,1%;
  • Óleo de soja: -0,9%.

Entre esses produtos, o óleo de soja foi o único a apresentar queda em todas as regiões brasileiras.

Legumes acumulam alta de mais de 44% em 2026

No acumulado entre dezembro de 2025 e maio de 2026, os legumes permanecem como a categoria com maior valorização no varejo alimentar.

Os preços avançaram 44,2% no período, passando de R$ 5,50 para R$ 7,93.

Na sequência aparecem:

  • Feijão: 26,5%;
  • Leite UHT: 23,9%;
  • Carne bovina: 6%;
  • Ovos: 6%.
Leia mais:  Trigo no Sul do Brasil: Oferta elevada pressiona preços e mercado segue cauteloso

O levantamento evidencia como fatores climáticos continuam exercendo forte influência sobre os preços dos alimentos frescos.

El Niño pode ampliar volatilidade dos preços

Segundo a Neogrid, o mercado segue atento às projeções climáticas para os próximos meses, especialmente diante da possibilidade de consolidação do fenômeno El Niño.

Caso o aquecimento do Oceano Pacífico provoque alterações significativas no regime de chuvas e nas temperaturas, novas oscilações poderão atingir a produção agrícola, principalmente nas cadeias de hortifrútis e lácteos.

Nesse cenário, o fortalecimento da logística, do planejamento de estoques e da gestão da cadeia de abastecimento será fundamental para reduzir os impactos sobre o consumidor.

Sudeste registra maior pressão sobre hortaliças

Na Região Sudeste, os legumes lideraram as altas de preços em maio, com avanço de 14,3%.

Também apresentaram elevação:

  • Feijão: 6,3%;
  • Farinha de mandioca: 4,5%;
  • Leite em pó: 2,9%;
  • Molho de tomate: 2,7%.

Entre as maiores quedas registradas na região estão os ovos (-7,8%), massas alimentícias secas (-2,9%), café (-2,7%), óleo de soja (-2,7%) e leite UHT (-2,6%), amenizando parcialmente a pressão inflacionária sobre a cesta de alimentos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana