A Polícia Civil, por meio da Coordenadoria de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Vulneráveis, deflagrou nesta quinta-feira (3.3), o Dia D da Operação “Legado de Maria”, iniciada em 20 de fevereiro, com participação de todas as Regionais do interior e da região Metropolitana, tendo como objetivo o combate à violência contra a mulher.
No decorrer da operação, foram cumpridas 41 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão domiciliar e de prisão preventiva, além de 1.108 inquéritos policiais remetidos ao Poder Judiciário. Na Capital, foram cumpridos 19 mandados judiciais, entre prisões preventivas e mandados de busca e apreensão, expedidos em desfavor de homens investigados pela prática de crimes no contexto de violência doméstica. Em Várzea Grande foram seis.
A operação teve como objetivo reforçar o enfrentamento à violência contra a mulher, com ações de inteligência, investigação e repressão qualificada para cumprir mandados judiciais e efetuar prisões em flagrante. A iniciativa busca responsabilizar os agressores, ampliar a proteção às vítimas e fortalecer uma política pública permanente de combate à violência de gênero, considerada uma grave violação dos direitos humanos.
“A atuação da Polícia Civil, por meio de uma operação policial integrada e contínua, reforça o compromisso institucional com a responsabilização criminal dos agressores e a proteção das vítimas, simbolizando uma resposta firme do Estado diante de condutas que atentam contra a dignidade, a integridade física, psicológica e a própria vida das mulheres. É a concreta demonstração de que a violência contra a mulher não será tolerada”, disse a delegada responsável pela condução da operação, coordenadora de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Vulneráveis, Ana Paula Reveles.
De acordo com a delegada, a operação representa o compromisso permanente da Polícia Civil com a defesa da vida, da dignidade feminina, com o fortalecimento da rede de proteção e com a construção de uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres.
Nome da Operação
A Operação “Legado de Maria” é uma homenagem ao legado de Maria da Penha Maia Fernandes, cuja história inspirou a legislação protetiva. Nascida em 1º de fevereiro de 1945, a história de vida de Maria da Penha simboliza a luta contra a impunidade e a violência doméstica no Brasil.
Entre os casos registrados, houve a prisão de um homem de 40 anos, investigado pelos crimes de lesão corporal leve contra a mulher por razões de gênero e tentativa de estupro, em Rondonópolis. A ordem judicial foi expedida pela Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.
Outra prisão foi do homem condenado por feminicídio de uma professora, no bairro Construmat, em Várzea Grande. O crime ocorreu no dia 9 de dezembro de 2014, na residência da vítima e foi presenciado pela filha do casal, de nove anos.
Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora
A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.
Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.
Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.
Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.
O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.
Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.
Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.
Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.
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