Política Nacional

Política de educação digital enfrenta muitos desafios, avaliam debatedores

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Instituída em 2023, a Política Nacional de Educação Digital (PNED) ainda enfrenta muitos desafios em sua implementação, como a ampliação da inclusão digital, a redução das desigualdades nacionais, a formação adequada de professores e as melhorias na infraestrutura. Foi o que reconheceram especialistas e senadores que debateram o tema em audiência pública conjunta das comissões de Educação (CE) e de Ciência e Tecnologia (CCT) nesta quarta-feira (27).

A audiência, que tratou da regulamentação da PNED, associa-se a um momento de preocupação com a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. Presidente da CCT, o senador Flávio Arns (PSB-PR) lembrou que o Plenário do Senado vota nesta quarta-feiraPL 2.628/2022, que traz regras de controle de acesso ao ambiente digital por parte das plataformas e dos fornecedores de conteúdo.

— [O projeto aponta] também a necessidade da educação digital para a família, para as crianças, para a sociedade, que é um conjunto que tem de ser abordado nesse sentido — disse o senador Arns, relator da matéria no Plenário do Senado.

Presidente da CE, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) lembrou projeto de sua autoria que estabelece normas gerais para educação midiática e digital, com o objetivo de enfrentar a disseminação de conteúdos falsos e discursos de ódio (PL 1.010/2025).

— Estamos atentos à formação dos professores e estudantes, porque achamos que também é uma medida preventiva em relação a esse assédio, a essa participação em redes não recomendáveis a crianças e adolescentes.

O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), um dos requentes da audiência conjunta, destacou que a cobertura de internet não alcança ainda todo o território nacional.

— É um esforço enorme que precisa ser feito com os estados e os municípios para que se faça essa cobertura. Além da infraestrutura, precisamos do conteúdo, da preparação dos professores para essa nova fase na história do planeta, incluindo a inteligência artificial.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) salientou que 93% das crianças entre 9 e 17 anos estão conectados à internet, segundo pesquisa de 2021 do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic). No entanto, esse uso da tecnologia não se traduz em avaliações criticas sobre conteúdos digitais. Ele questionou como, a partir do PNED, os jovens poderão ser preparados para o mundo digital.

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Universalização

A diretora de Apoio à Gestão Educacional do Ministério da Educação (MEC), Anita Gea Martinez Stefani, afirmou que o governo federal tem trabalhado para garantir de fato a universalização da conexão para fins pedagógicos e com supervisão dos professores. Ela citou a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), que já chegou a 60% das escolas. Até o final do ano, segundo ela, estão previstos mais de R$ 6 bilhões de investimento do programa.

— É utilizar a tecnologia como uma ferramenta que vai facilitar e apoiar a aprendizagem, e não como até então a gente estava vendo: algo que estava distraindo o estudante — disse a diretora.

A coordenadora-geral de Educação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Cláudia Ferreira de Maya Viana, lembrou que a educação digital está imersa dentro do contexto da educação brasileira como um todo. Ela lembrou que as tecnologias digitais podem potencializar o aprendizado das crianças e dos adolescentes e defendeu que o programa Mais Ciência na Escola — que tem como objetivo disseminar a educação digital e o conhecimento cientifico — seja transformado em lei.

— Precisamos de um esforço muito grande para qualificar a educação brasileira. É um desafio estratégico para o Brasil avançar no tema da educação digital — afirmou.

O ex-deputado federal Israel Batista (DF), conselheiro da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), reforçou que a PNED é um avanço fundamental e uma lei que “dá os caminhos para uma educação que consiga levar o Brasil para o século 21”.

— Nós precisamos pensar num plano nacional de educação digital. Precisamos fortalecer a participação federativa. Temos uma responsabilidade compartilhada. Estamos em um país em que 95% dos jovens têm acesso a internet, mas a metade não sabe diferenciar uma matéria jornalística de um fato cientifico ou de uma mera opinião. É muito mais grave. A PNED é o caminho para [resolver] isso — afirmou.

Transformação digital

Presidente do Instituto Brasil Digital, Francisco Antonio Soeltl salientou que hoje o Brasil ocupa a 50ª posição no Índice Global de Inovação, mantido pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (uma agência da ONU). Soeltl disse que ainda há muitas desigualdades regionais e defende que se faça uso das emendas parlamentares como solução de curto prazo para equilibrar o cenário. Em médio e longo prazos, segundo ele, deve ocorrer a previsão desses recursos na Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) e na Lei Orçamentária (LOA).

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— A grande maioria dos municípios brasileiros não possuem recursos, por isso é fundamental a atuação do Congresso Nacional para a efetiva formação dos professores na área. Precisamos de um apoio do Senado para buscar a dotação necessária para estados e municípios.

Para o diretor-executivo do Conselho Digital do Brasil, Felipe França, o Congresso fez sua parte ao aprovar a PNED, segundo França, mas agora é preciso avançar em implementação. Ele reforçou que a internet de alta velocidade nas escolas e o percentual de formação docente ainda não são suficientes.

— A distância entre a lei e a realidade é grande. A conectividade é a base, mas o verdadeiro impacto está em desenvolver habilidades digitais — disse o diretor.

Competências

O presidente do Conselho Municipal de Educação de Florianópolis (SC), Neri dos Santos, lembrou que a transformação digital está atingindo todos os setores e que hoje a sociedade está exigindo competências que os profissionais que estão saindo da universidade não têm.

— No nível social, poucos países do mundo chegaram na transformação digital, com mudança de cultura, de valores. Crianças, jovens e os adultos que estão na universidade precisam ter uma formação adequada neste momento que o mundo está vivendo.

Para a diretora-executiva do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), Julia Sant’Anna, o momento é de começar a discutir qual serão os parâmetros para medir a educação digital, pelo menos na educação básica. Ela também reforçou a ideia de que educação digital não se faz sem internet de alta qualidade para fins pedagógicos, escolas equipadas e monitoramento da implementação da base nacional comum curricular de computação.

Representante da Fundação Telefônica Vivo, Lia Roitburd salientou que o uso dos aparelhos celulares pelos estudantes, com mediação dos professores, é muito importante e que o ensino médio poderia ter um componente curricular específico. Para isso, completou, é necessária a formação adequada dos professores.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Política Nacional

Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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